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Ascenção e queda

Queridos leitores; após algumas semanas de ausência devido a viagens de fim de ano com a família, estou de volta. Agradeço aos meus companheiros que me cobriram durante este tempo e peço desculpas a vocês pelo meu período distante.

Durante as últimas semanas, duas franquias tomaram o noticiário da NBA e foram assunto para os fãs de basquete. Uma por seu ótimo retrospecto e invencibilidade em casa e a outra por sua queda vertiginosa e inexplicável. É claro que eu estou falando dos dois principais candidatos ao título da conferência leste, Boston e Cleveland.

O atual campeão da NBA não consegue repetir as grandes atuações do começo de temporada, quando conseguiu uma série de 19 jogos invicto. Desde a rodada do Natal, quando foi derrotado pelos Lakers, o time não se achou mais e perdeu sete dos últimos 11 jogos. A crise é tão grande que até os antes “intocáveis” Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett estão sendo questionados. Segundo os fãs, os três estariam cansados devido à idade e produzindo pouco ofensivamente. Até o treinador da equipe, Doc Rivers, criticou seus jogadores, dizendo que a atitude em quadra precisa ser mudada e os arremessos de longa distância aprimorados.

O que ninguém consegue enteder mesmo é o motivo dessa queda. Não houve troca de jogadores ou contusões que pudessem afetar o rendimento da equipe. Pierce, Allen e Garnett estão presentes em todos os jogos. Será apenas uma má fase ou só o início de uma queda? Se serve de consolo para os fãs dos Celtics, a equipe venceu suas últimas duas partidas, ambas contra o Toronto.

Já os fãs dos Cavaliers estão rindo à toa. A equipe segue invicta em casa nesta temporada e vai passando por cima de seus adversários sem encontrar muitas dificuldades. LeBron James segue jogando demais e dando show. Mo Williams e Delonte West continuam marcando seus pontinhos. Varejão pegando rebotes e sendo importante na defesa. Nem a falta de Zydrunas Ilgauskas, machucado, está sendo sentida pelos novos líderes da divisão leste.

A equipe evoluiu muito do ano passado para esse. Alguns jovens jogadores ganharam mais experiência e estão sendo muito importantes para a equipe. Resta saber se na hora dos playoffs esses mesmos jogadores vão conseguir suportar a pressão e ter o mesmo rendimento da temporada regular. Mas se a queda do Boston continuar acontecendo, a equipe de Cleveland pinta como a principal favorita ao título da conferência leste.

Éramos segundo…

Na coluna de hoje darei um tempo na análise dos times de maior destaque nesse começo de temporada para comentar um fato que ocorreu comigo e me fez pensar em algumas coisas.

Nessa semana chegou até mim a informação de que um site especializado na cobertura de basquete estava à procura de estagiários. Antes de mandar meu currículo entrei no endereço para conhecer um pouco do trabalho e saber se me encaixava na função. Logo de cara percebi que pertencia a um grande portal, mas a estrutura e a qualidade se assimilavam muito à do nosso blog. Não me entenda mal leitor, não estou dizendo que nosso blog não tem qualidade. O que me assustou e me fez pensar foi saber que talvez o principal site sobre basquete de um grande portal brasileiro tenha a mesma estrutura de um blog criado por estudantes.

Isso tudo me fez pensar na cobertura dada pela imprensa oficial ao esporte que já foi o segundo na preferência dos brasileiros. Quase não se fala mais de basquete nos grandes veículos de imprensa hoje em dia. Mesmo na TV fechada, em canais como ESPN, por exemplo, o espaço está cada vez menor – basta lembrar que pouco tempo atrás não pudemos assistir às finais da NBA enquanto eram televisionadas emocionantes partidas de pôquer. E pensar que chegamos a ver canais abertos passando jogos, criando programas que falassem do assunto. Atualmente, quase toda a cobertura está nas mãos de blogs de fãs, sem o apoio dos grandes veículos.

É evidente a queda de popularidade do basquete no Brasil. Hoje, a grande maioria dos fãs de esporte elegem o vôlei como segundo em sua preferência. Mas será que a queda na popularidade aconteceu pela má cobertura ou a má cobertura aconteceu pela queda na popularidade? Quem nasceu primeiro? Parece claro que no meio disso tudo o descaso de quem cuida do esporte e a falta de apoio só prejudicam e empurram mais para baixo a notoriedade do basquete.

Creio que a paixão pelo esporte sobreviva por vontade dos fãs, que não desistem de torcer e procurar meios para acompanhar seus times. Mas não seria nada mau ver novamente ginásios lotados e a popularidade do basquete crescendo. Afinal, basquete também é uma paixão dos brasileiros.

Times de destaque, porém…

Na coluna de hoje continuarei analisando os times que têm se destacado nessa primeira parte da temporada. Depois de falar de Lakers, Celtics, Hawks, entre outros, abro espaço para comentar sobre duas franquias que vêm crescendo de produção e figuram entre os destaques da NBA neste ano.

O que esperar de um time que teve aproveitamento de 54.9% na última temporada, não se reforçou com grandes nomes e conta com apenas quatro jogadores com média de pontos acima de dez na atual temporada? Pois é, esse é o atual segundo colocado na conferência leste, o Cleveland Cavaliers. A franquia começou com alguns tropeços na atual temporada, mas se acertou e venceu os últimos nove jogos. Contando com seu principal líder, LeBron James, em grande fase, além de um ótimo trabalho de equipe defensivamente, os Cavaliers têm surpreendido e atropelado seus concorrentes.

Outra equipe que tem aparecido com destaque nesta temporada é o Portland Trail Blazers. Com um elenco jovem, sem medalhões ou grandes craques, o time é o terceiro da Conferência Oeste. Graças às ótimas atuações do ala-armador Brandon Roy, que vem sendo o principal pontuador de equipe com média de 20.8 pontos, além da força demonstrada por Greg Oden, o apoio de LaMarcus Aldridge e o ótimo reserva Rudy Fernandez, o Portland têm surpreendido a todos e pode finalmente voltar aos playoffs neste ano.

Porém, ambas as equipe contam com problemas que podem atrapalhar a sequência de bons resultados. Pelo lado do Cleveland, o principal problema é LeBron James, ou melhor, o fato de ele jogar praticamente sozinho, carregando seus companheiros no ataque. Se não houver maior apoio ofensivo à ele, ficará difícil bater os grandes rivais de conferência, como Boston, Orlando e Detroit.

Já o problema do Portland é outro. Por ser uma equipe muito jovem, formada com jogadores não tão acostumados aos playoffs, o time pode tremer em momentos decisivos. Uma coisa é jogar bem durante a temporada regular. Outra bem diferente é ter capacidade de brilhar na decisão, e isso nenhum jogador do time mostrou ser capaz de fazer ainda.

O mesmo Lakers, porém mais forte

Caro leitor, como vocês devem ter percebido, estive ausente na última semana, impossibilitado de escrever minha coluna por falta de tempo. Peço desculpas a vocês e agradeço meu colega Leonardo Sacco por ter me representado tão bem.

Bom, vamos ao que interessa. A temporada vai passando e já foram disputados aproximadamente 18 jogos por cada franquia. Algumas equipes que apareciam muito bem vão ficando para trás, como o Atlanta, citado por mim algumas semanas atrás, e provam que não têm qualidade para manter uma regularidade. Outras fazem o caminho inverso. Os rivais Dallas e San Antonio parecem ter encontrado finalmente seu melhor basquete e voltam a ter mais vitórias do que derrotas.

Mas se existem duas equipes que têm mantido a regularidade e aparecem como grandes favoritos são os dois finalistas da última temporada: Lakers e Celtics. O Celtics conta, provavelmente, com o melhor elenco da NBA. Além de seus 3 astros (Paul Pierce, Kevin Garnett e Ray Allen), a franquia possui ótimos jogadores “secundários”, como Rajon Rondo. Era esperado que, mantendo a base, o sucesso fosse mantido, e é exatamente o que vem acontecendo.

Já o Lakers surpreende. Não pela sua boa campanha, afinal se um time chega a uma decisão deve ter algum mérito, mas por sua extrema regularidade. São 14 vitórias e 2 derrotas até o momento para o time da Califórnia, que ainda conta com Kobe Bryant como sua principal arma ofensiva. No entanto, o ala-armador não tem jogado sozinho como vinha acontecendo há algumas temporadas. São cinco jogadores com dois dígitos em média de pontos na temporada. Pau Gasol parece ter entendido seu papel na equipe e assumido a responsabilidade, o que claramente faltava para ele no último playoff. Andrew Bynum vem adiquirindo experiência e seu jogo tem crescido, são 9.1 rebotes e 12.7 pontos de média. Até Lamar Odom tem sido importante vindo do banco.

Talvez esse seja o ano do Lakers. Mantendo o estilo de jogo e a regularidade, eles podem chegar lá. O que pesa contra é a falta de experiência de alguns jogadores, principalmente em playoffs, nos quais alguns tendem a sumir do jogo. Mas mesmo que não seja esse o ano, mantendo essa equipe, que só deve crescer de produção daqui para frente, os californianos têm grande possibilidade de conquistar o anel. Só resta saber quando…

Clippers ensina: como deixar a EA Sports no chinelo

Na presente data, você, leitor, estaria esperando um texto de nosso colunista Gabriel Melloni neste espaço, certo? Pois bem, você não está louco nem nada do tipo. Por motivos pessoais o Gabriel não poderá escrever hoje e aproveitarei o espaço para comentar sobre um time da NBA que não o San Antonio Spurs. Pois bem, meu eleito é o Los Angeles Clippers, eterno “primo pobre” da sua cidade.

Bowen contra LeBron no NBA Live. Dirigentes do Clippers parecem gostar da logística do game

Por que falar de um time que nem tem tanta torcida? Simples, amigo leitor: o Clippers é uma das equipes que vem conseguindo fazer o maior número de besteiras em um menor espaço de tempo nesta temporada da liga profissional de basquete norte-americano. Acompanhem as principais transações do time desde que a temporada 2007/2008 terminou:

Seleciona no recrutamento de calouros o ala-armador Eric Gordon, excelente pontuador de perímetro. Perde o ala-pivô Elton Brand, até então astro local, para o Phladelphia 76ers. Como forma de suprir a falta de Brand, traz o armador Baron Davis do Golden State Warriors, equipe para a qual perde o ala Corey Maggette. Em uma negociação não envolvendo nenhum jogador de sua parte o, Clippers traz para seu plantel o experiente pivô Marcus Camby, até então no Denver Nuggets. Pensa que acabou? Então pensou errado, amigo leitor. Quando tudo parecia acabado, o Clippers trouxe o contestado ala-pivô Zach Randolph, do New York Knicks em uma troca que envolveu três equipes e seis jogadores. Por enquanto “somente” esses negócios foram feitos pela segunda equipe de Los Angeles.

Pois o treinador Mike Dunleavy, após todas essas idas e vindas, acabou ficando com a seguinte base em suas mãos: Baron Davis na armação titular; o novato Eric Gordon figurando em muitos jogos como ala-armador titular; na ala ficou o secundarista Al Thornton; no garrafão uma dupla de exímia defesa formada por Chris Kaman e Marcus Camby. Muitos aplaudiram as negociações antes da chegada de Randolph e colocaram a equipe como uma das possíveis candidatas a uma vaga na pós-temporada. Pois um início de campanha sofrível e a chegada de Zach parecem comprometer todo o planejamento da equipe.

Após a negociação com o New York Knicks os rumores envolvendo o Clippers não pararam. Isso mesmo, eles não pararam! E como um garotinho que joga NBA Live, os dirigentes angelinos cada vez mais realizam trocas mirabolantes. Desta vez o alvo é Chris Kaman, pivô que foi lapidado pelo Clippers nos últimos anos e que parece estar pronto para atingir seu auge nessa temporada. E bem nesse momento rufam os tambores e Kaman pode estar indo para o Charlotte Bobcats em troca do ala-armador Jason Richardson. A troca seria uma das maneiras que os dirigentes teriam para consertar o erro que cometeram quando trouxeram dois jogadores de garrafão para serem titulares, esquecendo que já havia um jogador com tais condições na equipe e que a NBA ainda não permite seis em quadra por um só time.

Se neste momento da coluna, você, leitor, assim como eu, se pergunta o que se passa na cabeça desses dirigentes, não se julgue louco. Eles quem são. Respire, relaxe e aproveite as dicas por eles dadas para se dar bem em seu NBA de vídeo game. E se possível, faça uma forcinha para lembrar que realidade e virtual (ainda) são coisas diferentes. Pois disso eles se esqueceram. Nem os caras da EA Sports têm tanta visão quanto esses dirigentes, é incrível!