Arquivo da categoria: Na linha dos 3
Primeiras impressões sobre a Seleção Brasileira

Finalmente a Seleção Brasileira masculina titular de Moncho Monsalve entrou em quadra. Após jogar torneios em Portugal e na Argentina com equipes alternativas, finalmente vimos o Brasil principal na noite de ontem, na fácil vitória sobre o Uruguai, válida pela primeira fase do Super Four Eletrobrás.
De maneira geral, gostei do que vi. Moncho Monsale implantou um sistema com pouca distinção entre os alas e entre os homens do garrafão da equipe; assim, os jogadores que atuaram posições 2 e 3 praticamente tiveram o mesmo papel em quadra, assim como aqueles que jogaram na 4 e na 5.
Fiquei satisfeito com o que vi da equipe titular. Os jogadores da NBA, Leandrinho e Anderson Varejão, fizeram o que deles se espera: chamaram a responsabilidade e foram os principais pontuadores da equipe. Os “espanhóis” Marcelinho Huertas e Tiago Splitter também exerceram bem sua função, mostrando que têm lugar cativo no quinteto inicial.
Além dos quatro, o jogador do Universo Brasília Alex Garcia completou o quinteto titular. Na minha visão, ele feez muito bem o papel de coadjuvante na equipe, distribuindo bons passes, se concentrando na defesa e forçando poucos arremessos – coisa que às vezes se vê obrigado a fazer na LNB. Em outras palavras, completou a equipe de um jeito que duvido que o teoricamente titular Marcelinho Machado, que se recupera de uma tendinite no antebraço direito, consiga fazer.
Dos jogadores da rotação da equipe, o que mais me agradou foi Guilherme Giovannoni. O versátil jogador mostrou disposição na defesa e pontaria no ataque, provando ser uma interessante alternativa para Moncho Monsalve. O outro europeu da equipe, J. P. Batista, segue sem cair nas graças da torcida graças a seu estilo de jogo lento, e, por horas, preguiçoso.
No duelo dos armadores reservas, Fúlvio se saiu melhor do que Duda. Jogou menos tempo, é verdade – mas errou menos e se mostrou mais adaptado à função. Apesar de não me sentir agradado por nenhum dos dois, acho que Fúlvio é o nome mais indicado para a rotação de Huertas.
Os jogadores da NLB, Diego e Olivinha, entraram com disposição e fizeram bem suas funções, provando que podem ser úteis ao elenco. Porém, devem ter seus minutos seriamente ameaçados com as voltas de Marcelinho e Paulão – pivô que ainda precisa resolver alguns problemas contratuais.
De se lamentar, fica a pouca utilização do promissor Jonatan Tavernari. A cada dia que acompanho o trabalho de Moncho Monsalve, fico mais convencido de que ele não levará o garoto para a Copa América. Espero seriamente queimar a língua.
Agora, na final, o Brasil enfrentará a Austrália, que surpreendeu a Argentina na primeira fase; um jogo teoricamente mais fácil. De um lado, uma vitória aumenta a confiança da equipe; de outro, perdemos a chance de um teste mais difícil.
De qualquer modo, finalmente podemos acompanhar e avaliar a Seleção Brasileira titular. Vamos ver que estradas levarão – ou não – Moncho Monsalve e seus comandados para o Mundial de 2010.
Na linha dos 3 – Renovação forçada ou planejada?

Olá caros leitores!
Vocês não devem estar acostumados com a coluna “Na linha dos 3” às quartas-feiras, afinal este é o dia da “Um outro olhar”. Porém, devido a um pequeno problema com Renan Ronchi, nosso novo colunista, excepcionalmente nesta semana as datas foram trocadas. Então, hoje temos esta coluna, e amanhã teremos a tão querida (ou nem tanto) “Um outro olhar”. Explicações feitas, vamos ao assunto de hoje.
Estamos em um período complicado da offseason, onde há poucos assuntos rolando e poucas movimentações acontecendo. Dentro deste cenário, houve um espaço para uma maior reflexão sobre o que se passou com a equipe desde o fim da última temporada.
Muito se cobrava a franquia a respeito de uma renovação de um elenco envelhecido, e que parecia já sem energia para buscar as glórias de outros tempos. Pois bem, de uma forma forçada ou planejada, a renovação está aí, acontecendo.
Começando pela chegada de Richard Jefferson ao time, na posição que antes pertencia a Bruce Bowen. Jefferson, de 29 anos, chega para suprir a carência de uma posição que vinha preocupando os torcedores texanos, afinal Bowen, de 38 anos, parecia sentir o peso da idade e não conseguia mais jogar na mesma intensidade de antes. A chegada do novo ala recolocou a equipe de volta ao patamar dos favoritos.
Kurt Thomas, próximo de completar 37 anos, foi um dos veteranos incluídos na troca com o Milwaukee Bucks, que trouxe Jefferson para San Antonio. Para o seu lugar, a equipe foi atrás de Antonio McDyess, que completará 35 anos. Neste ponto, não é a idade que faz tanta diferença. Porém, indiscutivelmente, McDyess pode contribuir muito mais em quadra do que seu antecessor. Thomas teve médias na última temporada de 4,3 pontos e 5,1 rebotes em 17 minutos por jogo, enquanto Dyess atuou 30 minutos por partida, e conseguiu médias de 9,6 pontos e 9,8 rebotes, mostrando boa capacidade física.
Outro envolvido na troca por Jefferson foi Fabrício Oberto, de 34 anos. O argentino atuou em apenas 52 partidas na temporada passada, algumas por opção técnica e algumas outras por estar afastado devido ao um problema cardíaco, que inclusive pode levá-lo à aposentadoria precoce. Para o lugar de Oberto, a solução veio do Draft; o jovem ala-pivô DeJuan Blair, de 20 anos. O ex-jogador da Universidade de Pittsburgh mostrou um excelente jogo nas ligas de verão, dominando principalmente os rebotes.
O ala Ime Udoka, de 32 anos, teve seu contrato encerrado no fim da última temporada. e dificilmente renovará com a equipe do Texas. Para o seu lugar, Malik Hairston, de 22 anos, teve o contrato renovado. Após algumas partidas com o Spurs na última temporada e boas atuações na liga de verão, Hairston ganhou a oportunidade de ficar mais um ano em San Antonio e mostrar um pouco mais de seu basquetebol.
Além destes, Jacque Vaughn, de 34 anos também não deverá renovar. O substituto já está no elenco; George Hill, de 23 anos, que deverá ganhar mais minutos em quadra na próxima temporada.
Considerando apenas estes citados, houve uma redução de 46 anos na somatória da equipe. Um sinal claro de que a tão cobrada renovação está acontecendo. Uma base interessante está sendo montada para o futuro. Parker, Hill, Jefferson, Blair, Hairston e Splitter – sim, o brasileiro também deverá fazer parte em breve deste projeto de renovação da equipe. Se não é uma base tão genial como a de hoje, ao menos poderá manter a equipe em um bom nível, sem cair no ostracismo como acaba acontecendo com muitas equipes após o fim de uma geração vitoriosa. Bastará algumas boas movimentações em trocas, mercado de free agents e no draft para que a equipe volte a brigar pelo topo da NBA.
Sem resposta

A notícia que esquentou a manhã do basquete desta terça-feira nos Estados Unidos vem direto da Europa, mais especificamente da Grécia. Vem carregada de dólares e mais dólares, e também de um sentimento de que tudo acabou para um dos maiores ícones da NBA nos últimos anos. Allen Iverson, um dos jogadores preferidos de muitos amantes da liga, pode estar de partida para o Olympiakos, equipe que já levou o ala Josh Childress e que sonha em montar um plantel recheado de astros do mais poderoso torneio de basquete do mundo.
Não sou o tipo de torcedor que acredita que jogar no basquete do Velho Continente é regredir na carreira. Mas acredito que existem casos e casos. O de Iverson, The Answer, é uma regressão anunciada desde a fatídica separação do Philadelphia 76ers e da ida sem sentido algum para o Denver Nuggets. Deste então, AI está sem rumo na NBA, e o momento que já tardava a chegar chegou. Livre de seu último contrato, o armador (ou ala-armador, ou combo guard, ou craque…) esperava por propostas de equipes que quisessem despender os pretendidos US$ 10 milhões anuais e que pudessem atender às necessidades dentro de quadra do astro. Os inexpressivos Memphis Grizzlies e Los Angeles Clippers manifestaram interesse.
Iverson mudou o estilo de jogo da NBA após entrar na liga, em 1996. Suas jogadas geniais fizeram muitos afirmar que ali estava o sucessor Dele, Michael Jordan. O tempo passou, e o jogador teve em uma chegada às finais com uma equipe relativamente contestável foi seu maior feito. Na teoria, estava cansado de não ser campeão. Em sua cabeça, achava que a presença de mais um astro ao seu lado seria o suficiente. Achou demais, achou errado. Deixou para trás o carinho dos fãs de Philadelphia, atravessou os Estados Unidos e parou em Denver. Lá teria o craque Carmelo Anthony ao seu lado. O título, então, seria questão de tempo. Mas não foi. As atuações do conjunto formado por AI, Melo e o Nuggets eram patéticas. Sem defesa, a equipe sucumbiu. E Iverson trocou novamente de casa.
A ida para o Detroit Pistons foi vista como vantajosa para a equipe do Michigan por muitas pessoas. Armador por armador, Iverson por Chauncey Billups. Um time montado era tudo o que AI precisava. Era a grande chance para o anel de campeão chegar, era o momento, o lugar e a hora. Mas não foi. Ficou longe, MUITO longe de ser. O Pistons fez uma das piores campanhas suas dos últimos anos. Quase ficou fora da pós-temporada. Todos os jogadores caíram de rendimento. Iverson caiu em desgraça.
Seu nível é inquestionável. Seu mercado na NBA, no entanto, mostra-se fechado. Ir para a Europa é a sugestão ao invés de uma aposentadoria por baixo. Para quem teve durante toda a carreira o apelido de The Answer, Iverson nunca esteve tão sem resposta em sua vida. A volta por cima, hoje, não passa de uma miragem.
Como o selecionado nacional está se desenhando

Após receber ameaças de punição da FIBA, a CBB desistiu da idéia de enviar uma seleção Sub-19 ao torneio Super Four, na Argentina, que começa hoje. O plano inicial era levar a seleção principal, que começaria ali a preparação para a Copa América, competição classificatória para o Mundial de 2010. Porém, com a ameaça da gripe suína no país, a Confederação Brasileira resolveu enviar uma equipe alternativa.
Quem vai para o torneio é o clube Paulistano, inclusive com seu técnico João Marcelo Leite. As novidades serão alguns atletas que trabalharam com Moncho Monsalve nos dois torneios que o Brasil disputou em Portugal; trata-se de Fúlvio, Jonathan Tavernari, Teichmann e Mineiro.
Lamento em muito, principalmente, a decisão de levar o ala que atua no basquete universitário dos EUA. No meu modo de enxergar o basquetebol, ele tem tudo para ser, no mínimo, o sexto homem dessa seleção brasileira. Mas, ao menos aparentemente, parece que não é assim que Moncho Monsalve pensa.
De qualquer modo, a base do Brasil começa a se desenhar. Na armação, já que Fúlvio parece ser carta fora do baralho, deveremos ter como reserva do bom Marcelinho Huertas o ala-armador Duda, do Flamengo, convocado para fazer essa função. Confesso que nem Fúlvio nem Duda são nomes que me animam; eu convocaria um jovem talento do nosso basquete – como, por exemplo, o também flamenguista Fred, sexto homem da equipe na última NBB – para prepará-lo para o futuro, enquanto usaria Leandrinho na posição 1 nos momentos de aperto em que Huertas precisar sentar.
Na posição de ala-armador, temos duas unanimidades na seleção. Pelo menos 90% dos brasileiros convocaria Leandrinho e Alex para a posição, assim como Moncho deve fazer. Duda ainda pode dar uma força aqui às vezes. Para se lamentar, apenas a ausência de Tavernari na rotação.
Como ala, além do consistente “estrangeiro” Guilherme Giovanoni, quem inexplicavelmente – pelo menos, na minha opinião – segue com moral é Marcelinho Machado; Moncho já declarou que ele será, ao lado de Alex, capitão da seleção. Pelo menos, o treinador espanhol já disse que espera ver ele diminuindo sua quantidade de irritantes arremessos. É esperar para ver.
No garrafão, não deveremos ter maiores surpresas – Varejão, Splitter, J.P. Batista e Paulão devem ser os nomes de Moncho. Uma rotação razoável , que melhoraria consideravelmente se Nenê estivesse presente.
Com as possíveis baixas de Fúlvio e Tavernari, os problemas particulares de Murilo e as contusões de Manteiguinha e Baby, restam duas vagas em aberto na Seleção Brasileira. Para uma delas, eu aposto no ala Diego, sexto homem do Brasília na última NBB e que recentemente acertou sua transferência para o Pinheiros. Não que eu seja fã declarado do seu basquete, mas Moncho o convocou apenas para a preparação para a Copa América, não o tendo levado para os torneios em Portugal. Algo que seria inexplicável se ele não fosse para Porto Rico.
Claro, muitos desses tópicos passam por impressões minhas, e posso ser desmentido com a convocação de Moncho – que deve sair oficialmente no próximo fim de semana. Mas, ao meu ver, é assim que Seleção Brasileira começa a se desenhar.
Oeste costa-a-costa

Caros leitores do Spurs Brasil,
Pegarei carona na coluna publicada por nosso novo articulista, Renan Ronchi, na última quarta-feira, na qual ele analisou muito bem a situação de alguns dos times que movimentaram o mercado da NBA nessa offseason.
Partirei um pouco mais a fundo na discussão proposta pelo Renan e me apegarei à conferência Oeste, lado da liga no qual atua o San Antonio Spurs. Levarei em conta todas as negociações fechadas até a última sexta-feira, 24 de julho.
O “x” da questão
Talvez seja estranho começar uma análise partindo logo para o dito “x” da questão. Mas faço deste modo pois penso que essa parte, talvez, seja a de menos importância. Quando utilizo essa expressão popular, a distorço um pouco, pois não a utilizarei em seu sentido mais usado. Parando de falar do que realmente não interessa, vamos aos finalmentes.
Muito discutida nos últimos anos, a supremacia dos times da conferência Oeste, que era para muitos quase que uma regra, tem sido ameaçada pela ascenção de times do Leste, que recentemente têm dividido a soberania da NBA com as equipes da costa pacífica dos EUA. Os títulos de Detroit Pistons, Miami Heat e, mais recentemente, Boston Celtics quebraram uma hegemonia que parecia se estender entre o Spurs e o Los Angeles Lakers. As duas franquias do Oeste continuam como as maiores vencedoras da liga nos últimos 12 anos, mas o equilíbrio parece ir se reestabelecendo aos poucos.
O “x” da questão, então, nada mais é do que o equilíbrio entre as conferências. A soberania construída principalmente por Spurs e Lakers foi e está sendo seriamente ameaçada. E creio que é a partir deste ponto que as movimentações surgiram.
As potências
Um dos maiores problemas nas discussões que envolvem a NBA está na definição de suas grandes forças. Deixarei de lado, é claro, a liga toda e me atentarei apenas à conferência que estou enfatizando.
Penso hoje que o Oeste tem dois reais candidatos ao título: os já citados algumas vezes Spurs e Lakers. Torcedores do Denver Nuggets, do Portland TrailBlazers, do Dallas Mavericks e do New Orleans Hornets podem me odiar, me xingar e voltar daqui a alguns meses esfregando na minha cara que eu errei, mas hoje só enxergo esses dois com reais chances de competir com as potências do Leste – que, ao meu ver, são o também já citado Celtics, o Orlando Magic e o Cleveland Cavaliers.
Mas o fato de apenas dois times serem francos favoritos ao títulos dentro do Oeste não tira os méritos das outras equipes – claro, as já citadas até aqui.
A força dos coadjuvantes
É neste ponto que os feijões começam a ser separados, como diria o ditado. A força dos concorrentes que atuam no Oeste mas que não são favoritos ao título faz a diferença dentro da própria conferência e, bem ou mal, acaba fazendo a diferença para as franquias que nela estão.
Todos sabemos que times da mesma conferência se enfrentam mais vezes dentro da temporada regular. Sendo assim, os 82 jogos que antecedem a pós-temporada terão teor mais complicado para os favoritos do Oeste. Afinal, enfrentar o Blazers de Andre Miller – belíssima contratação, por sinal -, LaMarcus Aldrigde, Brandon Roy e Greg Oden é muito mais complicado do que estar frente-a-frente com o Charlotte Bobcats de Gerald Wallace e… só.
No quesito coadjuvantes o Oeste tem muito mais potencial de surpresa. Blazers, Nuggets, Mavericks e Hornets são equipes que podem surpreender e chegar longe, diferente de franquias como o Heat ou o Atlanta Hawks, coadjuvantes de maior relevância no Leste. E isso faz total diferença no final das contas para os times que vão mais longe em cada conferência. A melhor preparação dos que estão no lado do Pacífico devido à enorme concorrência é evidente.
Houston, we have a problem
A análise do Oeste não deveria terminar de maneira diferente. O Houston Rockets é um dos times do momento da conferência, mas não se destaca por seu papel nas negociações ou pela formação de um grande esquadrão. Após perder o gigante pivô Yao Ming por um ano ou mais devido a uma cirurgia que o chinês sofreu no pé, as chances de pós-temporada do time que agora é comandado por Tracy McGrady são, ao meu ver, nulas.
Como fez o Spurs ao perder seu grande pivô David Robinson por quase uma temporada, torcedores do Rockets parecem, em partes, almejar algumas derrotas para a equipe visando uma boa colocação no próximo recrutamento de calouros. A esperança de encontrar em algum jovem o que foi (e é) Tim Duncan para o Spurs parece estar acesa em diversos torcedores do time rubro.
E o garoto John Wall é tido por muitos como o grande nome para a primeira escolha do próximo recrutamento. Muitos já sonham com ele e Yao formando uma dupla vitoriosa. McGrady deve sair do time ao final de seu contrato, que termina nesta temporada, e, com o dinheiro em caixa, a chegada de um grande agente livre não é descartada. A temporada de sonhos está aberta em Houston…
