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O que o fracasso dominicano ensina

A República Dominicana tinha um projeto nobre nesta Copa América. Queria classificar sua equipe de basquete masculino para uma grande competição, o que não acontecia há 31 anos – a última participação representativa da seleção foi no Mundial de 1978.
Para isso, foram chamados para serem parte do projeto quatro jogadores da NBA – Trevor Ariza, Francisco Garcia, Charlie Villanueva e Al Hortford. Os três últimos atenderam à convocação.
A presença dos três, colocou, pelo menos a princípio, a seleção entre as principais favoritas ao título da Copa América. Porém, ontem, a derrota da equipe frente à inexpressiva seleção do Canadá tirou qualquer chance do país de quebrar o tabu e voltar a participar de um Mundial.
O ocorrido apenas mostra que um amontoado de bons jogadores, se não tiver um bom padrão de jogo, não leva uma equipe a lugar algum. Garcia, Villanueva e Hortford – principalmente os dois últimos – não têm mais as características do basquete do Caribe, de velocidade e arremessos de longe, que consagrou a seleção de Porto Rico nos últimos tempos. Assim, a equipe dominicana perdeu sua “cara”.
Não faltou comprometimento dos astros – Villanueva, inclusive, postou em seu Twitter dizendo que o jogo de ontem era mais do que basquetebol, porque dizia respeito a seu país, a sua família, a sua cultura, sua nação. Por isso, lamento um pouco o infortúnio de sua equipe.
Por outro lado, fica uma lição; vale mais apostar em uma seleção com um bom padrão de jogo – como são, por exemplo, Grécia e Lituânia – do que em um time formado – ou não – por um punhado de jogadores da NBA.
Argentina em momento delicado

Confesso ser um fã relativamente recente de basquete – comecei a acompanhá-lo após a Olimpíada de 2004, amplamente dominada pela Argentina. Por isso, nada mais justo do que escolher o San Antonio Spurs como meu time do coração na NBA; equipe que contaria com o grande maestro daquele título, o ala-armador Manu Ginobili.
Antes que me critiquem, jamais passei perto de qualquer tipo de torcida pela Argentina. Sou brasileiro sempre e para sempre, e meu amor pelo basquete veio acompanhado da dor do ostracismo do nosso país – cenário que, agora, parece começar a mudar. Porém, não me sinto alegre com o momento que vejo nossos hermanos passarem.
Ver uma equipe desorganizada em quadra, sem o padrão tático e a garra que são marcas registradas nessa equipe, me deixa com a impressão de que o basquete mundial está perdendo algo. Claro, a Argentina deve estar sim no próximo Mundial – ainda que não entre os quatro da Copa América, deve receber um convite – e, com os retornos de Manu, Delfino, Nocioni e Oberto, entre outros, deve brigar por medalha.
De positivo para essa seleção, fica apenas o amor à camisa demonstrado por Luis Scola. Não apenas por fazer parte de uma equipe sem brilho, mas também pela dedicação que demonstra dentro de quadra, tentando levar o time nas costas. Uma pena que o ala-pivô não veio parar no San Antonio Spurs.
Porém, a Argentina deve ficar esperta com sua equipe já a médio prazo. Não vemos crescer uma geração com condições de, ao menos, honrar a anterior. Uma pena esse revezamento entre brasileiros e hermanos; gostaria de ver as equipes brigando por medalhas em pé de igualdade. E, claro, com o Brasil vencendo.
O Brasil é, sim, favorito

Depois das disputas do Super Four Eletrobrás e da Copa Tuto Marchand, não parece exagero afirmar que a Seleção Brasileira masculina de basquete só fica fora do Mundial de 2010 se algo muito fora do comum acontecer. Sem nenhuma derrota sob o comando de Moncho Monsalve neste ano (jogando com a equipe principal), o Brasil chega à Copa América para abocanhar uma das quatro vagas para a Turquia.
A equipe do técnico espanhol vem atuando muito bem. Moncho conseguiu imprimir rapidamente à Seleção uma consistência defensiva e uma boa movimentação ofensiva – impedindo que os jogadores de perímetro forcem irritantes arremessos interminavelmente. Além disso, os sete principais jogadores do time, Huertas, Leandrinho, Varejão, Splitter, Alex, Giovannoni e até mesmo Marcelinho Machado – quem acompanha meus textos sabe que não sou fã do seu basquete – se encaixaram bem no esquema do treinador e vêm atuando bem.
Depois dos dois títulos, o Brasil tem uma estreia nada tranquila pela frente – pega a República Dominicana, de Francisco García, Charlie Villanueva e Al Hortford pela frente. Um jogo que coloca frente à frente, na minha opinião, os dois maiores candidatos ao título da Copa América. Boas atuações dos homens de garrafão brasileiros – principalmente a dupla titular, formada por Varejão e Splitter – serão indispensáveis para a Seleção sair com vitória e manter a boa fase.
Correm por fora na disputa pelo título Argentina e Porto Rico, seleção mandante. É bem verdade que, na preparação, as equipes jogaram desfalcadas de seus principais homens de perímetro; os armadores Prigioni e Arroyo, respectivamente. Porém, só a presença dos dois não me parece colocar as equipes em condições de baterem de frente com Brasil e República Dominicana. Mas, mesmo assim, argentinos e porto-riquenhos devem ficar com as últimas vagas sem maiores dificuldades.
Agora, é esperar o jogaço de quarta para ver se minhas expectativas estão corretas, ou se estão empolgadas demais com o momento do basquete brasileiro. Afinal, o título da Copa América seria um passo importantíssimo para a reconstrução do esporte no país.
O Brasil da Copa América

O técnico da Seleção Brasileira masculina de basquete, Moncho Monsalve, anunciou ontem o grupo que levará à Copa América. Marcelinho Huertas, Duda, Leandrinho, Alex, Jonathan Tavernari, Marcelinho Machado, Diego, Guilherme Giovannoni, Olivinha, JP Batista, Anderson Varejão e Tiago Splitter serão os 12 jogadores que tentarão colocar o Brasil no próximo campeonato mundial. Hoje, uso este espaço para analisar a convocação.
Na armação, não parece ser exagero afirmar que temos duas unanimidades: o fã brasileiro de basquete levaria Marcelinho Huertas para ser o titular e JAMAIS escolheria Duda como reserva. Enquanto o “europeu” se firma a cada dia mais com a camisa da Seleção, o ala-armador, que defendeu o Flamengo na última NBB, é o ponto mais controverso da convocação de Moncho.
Na cabeça do treinador, ele disputava posição com o armador de ofício Fúlvio – que jogou melhor no Super Four Eletrobrás. Talvez, nem haja tanta diferença técnica entre os dois; porém, Duda não está acostumado a produzir para o time, por não ser da posição, e, com certeza, terá dificuldades para enfrentar nomes como Arroyo, Ayuso e Prigioni na Copa América.
Eu convocaria um jovem jogador de futuro para a reserva de Huertas, preparando-o para entrar em quadra aos poucos, enquanto usaria o ala-armador do Phoenix Suns, Leandrinho, como principal opção nos minutos em que Huertas precisar descansar.
Por falar em Leandrinho, sua posição é a mais bem servida da Seleção: ele, Alex e Jonathan Tavernari deixam o Brasil bem servido de alas-armadores. Aqui, nem uma ressalva em relação aos convocados.
Em compensação, na posição três, alguns problemas. Moncho insiste em chamar Marcelinho Machado, nome que divide opiniões – enquanto alguns o acham bom jogador, outros acham que sua falta de senso coletivo só é prejudicial ao time. Eu faço parte do segundo grupo, e nem sequer chamaria o atleta para minha seleção.
Além dele, Diego – que fez boa NBB como sexto homem do Brasília – não inspira confiança para atuar nesse nível. Pra mim, apesar dos recentes problemas que teve na Seleção, o ala Marquinhos teria lugar cativo nessa lista.
Temos também o versátil jogador Guilherme Giovannoni, que pode atuar como ala; porém, graças a suas características físicas, acho que ele rende mais quando deslocado para a posição quatro. Quem tem características parecidas com as dele é Marcus, esquecido nesta oportunidade – uma equipe com dois guards, Giovannoni, Marcus e um pivô seria interessante por proporcionar várias alternativas.
No garrafão, além dos indiscutíveis titulares Varejão e Splitter, tivemos uma série de problemas com jogadores como Murilo, Nenê, Paulão e Baby. Por isso, as convocações de JP e Olivinha tornam-se aceitáveis; embora eu não confie em nenhum para representar o Brasil. Giovannoni, pra mim, passa a ser a principal opção para a rotação no garrafão.
Mas vale ressaltar que, apesar dessa não ser minha lista dos sonhos, eu confio no trabalho de Moncho Monsalve e acredito que ele nos levará ao próximo Mundial. Quem sabe, com o retorno dos jogadores machucados, possamos, novamente, exercer um papel de destaque no cenário do basquete mundial.
Na linha dos 3 – A torcida está ansiosa

Olá caros leitores!
Hoje, colocarei meu lado jornalista de lado e deixarei aflorar aqui o meu lado de torcedor apaixonado pela equipe do Texas. Se costumo tratar os assuntos da maneira mais imparcial possível, a proposta desta coluna de hoje será diferente; escreverei apenas como mais um fanático.
Estes meses de offseason são um verdadeiro marasmo para um fã da NBA. O período, que vai aproximadamente do meio de junho até o final de outubro, são como tortura. A saudade de ver o melhor basquete do mundo aumenta cada vez mais a ansiedade pelo retorno das estrelas às quadras americanas.
Desta vez, a ansiedade já alcança níveis estratosféricos. Estamos prestes a assistir uma das temporadas mais competitivas da história, em que as equipes favoritas ao título, os chamados contenders, montaram elencos espetaculares e prometem brigar até o último instante pelo anel de campeão.
Como torcedor do San Antonio Spurs, tenho mais motivos ainda para estar ansioso. Conseguimos montar um dos elencos mais fortes dos últimos tempos. A chegada de Richard Jefferson e Antonio McDyess e o retorno de Manu Ginobili 100% saudável já me fazem vislumbrar em quadra novamente aquele Spurs envolvente, com defesa forte e ataque eficiente que dominou a NBA na última década.
Pela frente teremos o eterno rival Los Angeles Lakers, reforçado pela chegada de Ron Artest, o Boston Celtics, agora também com Rasheed Wallace, o Orlando Magic, que adicionou Vince Carter, além do Cleveland Cavaliers, com o super-pivô Shaquille O’Neal. Não será nada fácil para os guerreiros texanos.
Não será nada fácil… Ahhh mas meu coração de torcedor nesta hora bate mais forte, a confiança não se abala, e tenho certeza que este ano levantaremos a taça pela quinta vez na história.
