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Muita calma nessa hora

NBA não é o Campeonato Brasileiro de futebol. Na liga profissional americana de basquete, uma derrota em um clássico tem muito menos impacto do que nos campos brazucas – ao menos na temporada regular. O revés que o San Antonio Spurs sofreu ontem, em casa, frente ao Dallas Mavericks não é motivo de preocupação; primeiro graças à excelente campanha do alvinegro texano até aqui, e segundo por causa da força do adversário.

Valeu Manu! Mas dessa vez não deu...
Porém, derrotas são sempre motivo de reflexão. E a de ontem veio, na minha opinião, no segundo jogo consecutivo em que a equipe não apresentou um bom basquete. Contra o Wolves, a vitória veio apenas por que os jogadores do Spurs tiveram maior frieza nos momentos decisivos. Contra o Mavs, time de “macacos velhos” da NBA, a experiência não era um triunfo do time da casa.
Em um campeonato de 82 jogos, oscilações são normais. Ainda mais em um time que tem dois de seus principais jogadores, Manu Ginobili e Tim Duncan, em idade avançada, que precisam ser poupados em alguns jogos e que sentem mais do que todos os outros o ritmo alucinado da NBA. Ontem, curiosamente, a dupla se destacou na derrota.
O único aspecto que me preocupa um pouco nessa derrota é que ela veio na primeira sequência de “pedreiras” da equipe na temporada. O Spurs venceu Magic em casa na segunda e Wolves fora na quarta, mas para isso precisou muito de seus titulares, que ficaram bastante tempo em quadra. Talvez os atletas sentiram o desgaste ontem, e sintam mais ainda no importante jogo de domingo contra o New Orleans Hornets.
Outro problema com o qual Gregg Popovich terá de lidar é a visibilidade que seu time ganhou neste início de temporada. Com 13 vitórias em 15 jogos até o momento – melhor campanha da NBA – o Spurs terá seus jogos assistidos e analisados, principalmente por outros favoritos ao título – caso do Mavericks. Ontem, o rival texano conseguiu combater muito bem as infiltrações de Parker e as bolas de longe de Richard Jefferson, deixando toda a responsabilidade de pontuar nas mãos de Ginobili. George Hill ainda tentou ajudar e foi muito bem, mas foi pouco para a equipe conseguir uma vitória.
A derrota de ontem não é motivo de desespero – está longe de ser. Servirá para que Pop ache alguns problemas da equipe que talvez não ficaram evidentes em partidas mais fáceis e corrija-os. Principalmente porque até o final do ano o Spurs jogará nove de seus 15 compromissos em casa, e tem uma oportunidade de ouro para disparar.
Coloca o Splitter, Pop!

O ser humano é assim mesmo, faz parte da nossa natureza. O San Antonio Spurs alcançou ontem seu melhor começo de temporada na história da NBA (10-1), e Tim Duncan tornou-se o maior cestinha da franquia em todos os tempos. Mesmo assim, encontramos motivos para reclamar do time. Pelo que tenho lido na internet, a principal crítica à equipe texana nesta largada – que parte principalmente do público brasileiro – vem sendo a pouca utilização do pivô Tiago Splitter.

Além de bom pontuador e reboteiro, Splitter também tem talento na comédia stand-up
O brasileiro participou de sete jogos do Spurs nesta temporada: perdeu os dois primeiros por conta de lesão, e ficou de fora dos dois últimos – contra Chicago Bulls e Utah Jazz, dois dos compromissos mais difíceis do time até aqui – por opção do técnico Gregg Popovich, o que aumentou as críticas. Nestas sete partidas em que esteve em quadra, obteve médias de 4,3 pontos (50% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 66,7% nos lances livres), 2,9 rebotes, 0,3 assistências, 0,4 tocos, 0,4 roubadas de bola, 0,9 turnovers e 1,9 faltas em 12,4 minutos por exibição.
Além de Splitter, o Spurs conta com mais dois novatos nesta temporada: os alas-armadores Gary Neal e James Anderson. Neal, especialista em arremessos de três pontos, participou das 11 partidas da equipe até aqui, com médias de 5,7 pontos (43,8% de aproveitamento do perímetro) e 2,5 rebotes em 13,7 minutos por noite. Anderson, usado como reserva de Jefferson, está no estaleiro por conta de uma fratura por stress, e jogou apenas seis partidas no ano. Mas esteve em média 17,7 minutos em quadra por exibição, e chegou a médias de sete pontos e 1,5 assistências por jogo. Ou seja, Splitter é o menos acionado do trio de novatos até aqui, sendo que, na minha opinião, é o único com potencial para ganhar uma vaga de titular.
Porém, vale lembrar que alguns novatos com potencial também foram lançados aos poucos por Pop. George Hill jogou 16,5 minutos por jogo na temporada 2008/2009, sua primeira na NBA, e mal foi utilizado nos playoffs. No ano seguinte, ficou em quadra em 29,2 minutos por noite, melhorou sua produção em mais de 100% (passou de 5,7 para 12,4 pontos por jogo), começou 43 jogos como titular e hoje é o reserva mais importante da equipe. DeJuan Blair, hoje segundanista, saltou de 18,2 para 22,5 minutos de quadra, e virou titular na vaga que poderia hoje ser de Tiago Splitter. Blair teve queda na pontuação – de 7,8 para 6,4 por partida – mas melhora nos rebotes – de 6,4 para 7,6.
A principal razão para a baixa utilização de Splitter, na minha opinião, é a adaptação ao rígido sistema tático da equipe. Ninguém questiona a qualidade de Richard Jefferson, mas ele demorou uma temporada para render na equipe. Vale lenbrar que, nesta temporada, Neal e Anderson tiveram a Summer League e a pré-temporada para ajudar no processo – Splitter teve sua adaptação atrasada por conta de uma lesão, e só estreou na terceira partida oficial da equipe, já durante a regular.
Se ofensivamente Splitter ainda parece um pouco “avulso” em quadra, sem saber como se movimentar direito, na defesa ele tem mostrado um bom desempenho. Cava faltas importantes, dificulta a vida dos adversários e me parece ser melhor sem a bola do que Blair, Antonio McDyess e Matt Bonner, seus concorrentes na briga por uma vaga de titular ao lado de Tim Duncan.
Porém, Pop tem utilizado Splitter principalmente no lugar de Duncan, como pivô. Nas partidas em que The Big Fundamental foi mal – ou foi poupado pelo técnico – o brasileiro teve bastante tempo de quadra. Contra Bulls e Jazz, jogos em que o ídolo da franquia foi importante, Splitter sequer entrou.
Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa, mas acho que Splitter tem potencial para crescer na franquia. Aos poucos, mais acostumado ao sistema ofensivo, tende a render muito com a camisa do Spurs. Só espero que Pop não o veja como um reserva de Duncan, e sim como um potencial companheiro para o astro na equipe titular.
Hornets???

Se no começo de outubro alguém falasse para qualquer fã da NBA que o New Orelans Hornets seria a equipe da liga que ficaria mais tempo invicta nesta temporada, provavelmente essa pessoa seria levada imediatamente para o hospício mais próximo. Torcendo para que nenhuma lobotomia tenha sido feita de modo injusto nas últimas semanas, começo esse post admitindo estar surpreso, já que estou entre aqueles que não depositavam esperança nenhuma na equipe da abelinha.

"Por quê você está rindo?" "Hornets em primeiro é engraçado, ué"
Em uma divisão que conta com Dallas Mavericks, Houston Rockets, Memphis Grizzlies e San Antonio Spurs, o Hornets me parecia ser fortíssimo candidato a saco de pancadas, pois teria uma das tabelas mais difíceis da NBA entre os times considerados fracos. Chupa, Lucas Pastore: Até agora, são sete vitórias em sete jogos, em uma sequência nada tranquila: Milwaukee Bucks, Denver Nuggets, San Antonio Spurs, Houston Rockets, Miami Heat, Bucks de novo e Los Angeles Clippers. Uau!
Para começarmos a entender o desempenho da equipe, precisamos primeiro dar uma olhada no incrível começo de temporada de Chris Paul – por enquanto, o favorito ao prêmio de MVP na minha opinião. Ele lidera a equipe em pontos (17,9 por jogo), assistências (9,9) e roubadas de bola (2,43) com folga, e, nos rebotes (5,4) perde apenas para a dupla de garrafão titular, David West (6,4) e Emeka Okafor (8,1). Paul comete 1,71 turnovers por jogo – pouco para quem passa tanto tempo com a bola nas mãos. Só na sua equipe, West (2,0) e Jarryd Bayless (2,0) perdem mais bolas.
O segundo triunfo da equipe está na sufocante defesa de perímetro do time. Com Paul e Trevor Ariza, dois excelentes marcadores, no mínimo dois adversários terão problemas no ataque. Com a parte defensiva bem executada, conta-ataques surgem com facilidade – fundamento na qual a dupla, que se entrosou rapidamente, vem se mostrando mortal.
Como única equipe invicta da NBA, o Hornets perderá, nas próximas semanas, o rótulo de surpresa, e passará a ser o centro das atenções. Creio que uma queda de rendimento seja inevitável, mas vejo na equipe potencial para brigar por playoffs.
O próximo encontro de Hornets e Spurs está marcado para o dia 28, em Nova Orelans. Dessa vez, creio que a equipe texana entrará mais ligada no jogo, já sabendo do potencial do adversário. Hill deverá passar bastante tempo em quadra para tentar limitar Chris Paul. Com Manu e Jefferson nas alas, Parker deve acionar mais aquele que estiver sendo marcado pelo italiano Marco Belinelli, deixando Ariza sem função. Será suficiente?
Ao ataque!

Um dos leitores mais fieis deste blog, Leo comentou minha coluna da semana passada, na qual falei sobre a dificuldade que o San Antonio Spurs encontra para achar no mercado um ala com características parecidas com as de Bruce Bowen. A pergunta na caixa de comentários era: já que não temos essa peça, por que não mudar o esquema tático? Ao menos na estreia da equipe na temporada 2010/2011 da NBA, contra o Indiana Pacers, tivemos indícios de que isso pode acontecer.

Este é Gregg Popovich, em meio à sua busca paranóica por um bom arremessador
Como nenhum dos quatro jogadores do elenco do Spurs que podem atuar na posição três – Richard Jefferson, James Anderson, Bobby Simmons e Alonzo Gee – é especialista em defesa, Gregg Popovich pode estar disposto a concentrar os esforços de sua equipe no ataque. Não à toa, seis atletas do time chegaram a dígitos duplos na pontuação diante do Pacers: além de Jefferson (16) e do novato Anderson (10) – primeira e segunda opções de Pop, respectivamente, para a posição – Tim Duncan (23), Manu Ginobili (22), Tony Parker (20) e George Hill (16) pontuaram bem.
É bem verdade que o Pacers não está entre os adversários mais fortes da liga, o que pode ter contribuído para uma pontuação tão alta. Mas, nas últimas temporadas, foi raro ver o Spurs chegar a 122 pontos, e mais raro ainda ver a equipe texana permitindo que o adversário anotasse 109. Mais uma prova de que talvez o ataque do time esteja entre as prioridades de Pop para a próxima temporada.
Outro indício de uma possível nova estratégia do treinador é a utilização do ala-pivô DeJuan Blair como titular. O jogador é um excelente pontuador, sabe jogar embaixo da cesta como ninguém, coleciona rebotes ofensivos, mas na defesa deixa a desejar – principalmente por conta de sua baixa estatura. Talvez Antonio McDyess seja um melhor defensor, mas os pontos que Blair adiciona no ataque parecem ter convencido Gregg Popovich de que ele merece um lugar na equipe titular.
Enquanto pode estar implementando uma estratégia nova na equipe, Pop ainda não desistiu de encontrar o “novo Bruce Bowen”. Aproveitando a facilidade do jogo contra o Pacers, colocou Anderson para marcar o principal pontuador adversário, Danny Granger, sempre que o garoto estava em quadra. O novato teve dificuldades na defesa, mas mostrou ser bom pontuador e, se evoluir na marcação, pode tornar-se grande opção para o time.
Falta uma peça

A eliminação diante do Phoenix Suns, nas semifinais da temporada passada, deixou evidentes algumas fraquezas do elenco do San Antonio Spurs. Um bom arremessador da linha dos três pontos, um defensor de perímetro confiável para acompanhar os pontuadores adversários e um companheiro de garrafão para Tim Duncan eram as maiores deficiências apontadas por torcedores e/ou especialistas.

Meses e meses depois, ele ainda faz falta
Alguns desses defeitos ganharam candidatos a solução nesta offseason. Duncan, por exemplo, vai ganhar a companhia de DeJuan Blair, que começará a temporada regular como titular. O ala-pivô parte para sua segunda temporada na NBA – o treinador Gregg Popovich costuma limitar bastante os minutos do novatos, por isso espera-se maior participação do jogador já nos próximos jogos.
Além de Blair, a franquia trouxe Tiago Splitter, que ainda não estreou mas que deve dar sua contribuição. Com isso, o veterano ala-pivô Antonio McDyess, que tinha a responsabilidade de ser solução na temporada passada, deve descansar mais para calibrar seus arremessos de média distância para os playoffs.
Para o perímetro, o Spurs trouxe Gary Neal, que fez carreira na Europa como arremessador de três pontos. O jogador ainda está em fase de adaptação à NBA, e mesmo assim, na pré-temporada, tentou 22 arremessos de três pontos e converteu oito, aproveitamento de 36,8%. Ficou atrás apenas de Matt Bonner (11-22, 50%), Richard Jefferson (5-10, 50%) e Bobby Simmons (2-5, 40%), mas, para a quantidade de bolas que arremessou, teve um aproveitamento no mínimo satisfatório.
Por falar em Bobby Simmons, o jogador é um dos candidatos à única vaga que Popovich não conseguiu preencher no elenco: um reserva para Jefferson que saiba defender e arremessar de três pontos – ou que pelo menos faça um dos dois muito bem. Durante a pré-temporada, o novato James Anderson foi o preferido do treinador, mas ainda é imaturo e tem muito a evoluir, principalmente na defesa. Alonzo Gee corre por fora, e provavelmente será dispensado nos próximos dias.
Simmons teve médias de 2,3 pontos, 2,9 rebotes, 0,7 roubadas de bola, 0,14 tocos e 40% de aproveitamento nos arremessos de três pontos em 12,4 minutos por jogo na pré-temporada. Os números de Anderson foram 5,3 pontos, 1,9 rebotes, 0,4 roubadas de bola, 0,4 tocos e 36,4% de aproveitamento nos arremessos de três pontos. Por ser novato e ainda poder evoluir, deposito minhas fichas no segundo.
