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Enfim, o All-Star Weekend!

Começou ontem um dos All-Star Weekends que mais me deixou animado nos últimos anos. Depois de um bom tempo, a NBA conseguiu reunir uma série de jogadores não apenas excelentes para a grande maioria dos eventos, mas o mais importante para um evento como esses: o carisma. Às vezes, quando lamentamos a falta de um determinado atleta para o ASG – como aconteceu com LaMarcus Aldridge – nos esquecemos que a festa não é só dos melhores, e sim dos preferidos da galera.

Você ainda verá este rosto bastante no fim de semana

Neste sábado, os três eventos conseguiram juntar jogadores excelentes e carismáticos. Começando pelo skill challenge, que contará com o atual vencedor Chris Paul, com o meu favorito ao prêmio de MVP Derrick Rose e com mais três grandes armadores dessa nova safra, Russell Westbrook, Stephen Curry e John Wall. Cinco jogadores de qualidade indiscutível e que não têm muitos haters ao seu redor, o que é perfeito para um evento festivo como este.

Veremos ainda o 3 point contest, que tem, ao meu ver, a lista menos atrativa entre os eventos. Mesmo assim, estará competindo Ray Allen, recordista de bolas do perímetro convertidas da história da NBA. O ala-armador do Celtics terá como adversários de maior peso seu colega Paul Pierce e o craque Kevin Durant, e como rivais menos expressivos Daniel Gibson, Dorrell Wright e James Jones. Será que dá zebra?

Por fim, o evento que mais espero neste final de semana: o concurso de enterradas. Sempre crio grande expectativa para este duelo, e, nas duas últimas temporadas, acabei me decepcionando… mas creio que neste ano será diferente. DeMar DeRozan, JaVale McGee e Serge Ibaka devem se desdobrar para enfrentar ele, o novato Blake Griffin.

O ala-pivô do Los Angeles Clippers demonstrou humildade ontem para participar do jogo dos novatos mesmo tendo eventos nos dois próximos dias do final de semana. Ao seu lado, além de alguns já citados, estavam outros jogadores bons e carismáticos, que logo conquistaram adeptos em seus times, como Brandon Jennings, DeMarcus Cousins, Eric Bledsoe e Landry Fields. Resultado: jogo divertidíssimo, lances de efeito e placar (pouco importante) elevado: 148 a 140 para os rookies.

Fiquei feliz, em ver, também, o bom desempenho dos jogadores do San Antonio Spurs: Gary Neal anotou 20 pontos, quatro assistências e quatro rebotes pelos novatos, enquanto DeJuan Blair terminou com 28 pontos e 15 rebotes pelos segundanistas. Os dois carregam consigo as principais esperanças do Spurs para o futuro, ao lado de George Hill, e é bom de certa forma vê-los destacando-se entre as outras jovens estrelas da liga.

Em tempo: o dia 18/02/2011 será para sempre levado como o dia em que Justin Bieber foi o MVP. Chupa, Scottie Pippen!

Fim de semana incrível

Se na quarta-feira um fanático por basquete falasse: “Até sábado, o Jerry Sloan vai ser demitido do Utah Jazz, e o San Antonio Spurs vai perder um jogo no mesmo dia em que o Cleveland Cavaliers vai vencer”, provavelmente ele perderia bastante credibilidade. Mas ele estaria certo: essa sequência de fatos incríveis aconteceu em pouquíssimo tempo. Só para se ter uma ideia, em um cálculo simplório: levando em conta as campanhas do Spurs e do Cavs, a chance do time texano perder um jogo e, na mesma rodada, ver uma vitória da equipe de Ohio é de 2,8%. Por isso, vou usar este espaço hoje para comentar a trinca de eventos improváveis desse final de semana.

Jamison mal lembrava de como é ser feliz

Vamos começar com o menos absurdo dos três: o Spurs ser derrotado, fora de casa, para um boa equipe, o Philadelphia 76ers, que venceu sete de suas últimas dez partidas. Nada de desespero – foi apenas a nona derrota da equipe texana na temporada – que segue com a melhor campanha da NBA, até com certa folga – e apenas o segundo revés do time na Rodeo Trip, que, enfim, termina na próxima quinta-feira.

O que pode colocar uma pulga atrás da orelha dos mais desavisados foi a falta de energia da equipe, que não conseguiu pôr fogo no jogo em nenhum momento da partida. Mas isso é normal; o Spurs está em meio a uma viagem longa, atravessando um sempre desgastante 4in5 (quatro jogos em cinco dias) e com o elenco encurtado, desfalcado de James Anderson e Tiago Splitter. É natural que os jogadores da equipe – muitos, já com idade avançada – demonstrem algum cansaço, ou até mesmo tentem se poupar para jogos mais difíceis da viagem, como o da próxima quinta-feira, contra o Chicago Bulls.

Sobre Jerry Sloan, que saiu do Utah Jazz após 23 anos (eu tenho 22!), pouco posso comentar. Do Brasil, é difícil sabermos com clareza o que aconteceu – rumores denunciam um possível atrito com Deron Williams. Se for isso mesmo, será que foi a escolha certa se livrar do técnico? Quem o time vai pôr no lugar? Será que tentar trocar Deron Williams – o que, certamente, geraria boas moedas de troca – não seria melhor negócio?

Mas é bem verdade que há algum tempo o Jazz não briga pelo título, não sai do lugar, pouco evolui com um esquema de jogo fixo e que não levou essa safra a lugar nenhum. Vale lembrar que essa não é a primeira vez que um jogador do time tem problemas com Sloan – Andrei Kirilenko foi outro a queixar-se do treinador. Talvez o relacionamento estivesse mesmo desgastado e uma mudança de ares fosse necessária.

Por fim, confesso que vibrei com a vitória do Cleveland Cavaliers. Principalmente por conta do técnico Byron Scott, que eu considero um dos melhores da atual NBA – mesmo com essa campanha horrorosa. É bem verdade que o time de Ohio não briga mais por absolutamente nada nesta temporada, mas tratam-se de jogadores profissionais que, sem dúvida, tiraram um peso enorme das costas.

Só lamento que essa vitória tenha saído das costas de Mo Williams e Antawn Jamison, jogadores caros, de idade avançada e que, com certeza, não têm mais nada a acrescentar para o Cleveland Cavaliers. Duas peças que podem se encaixar bem em um time bom, mas que pouco podem fazer em uma equipe como esta. Acho que era hora da franquia abrir espaço para seus jovens jogadores, como Ramon Sessions e J.J. Hickson. Quem sabe, com o fim do tabu – e a consequente queda na pressão – estes atletas não tenham mais chances…

Duncan titular no ASG?

Dentre as chatices que se repetem toda temporada na NBA, está a escolha de Yao Ming para ser o pivô do time da Conferência Oeste no All-Star Game. Eu gosto bastante do basquete do chinês, mas já faz um bom tempo que ele não pode jogar em alto nível. E, nesta temporada, mais do que nunca, o técnico da equipe – que, em 2010, será o nosso Gregg Popovich – tem grandes alternativas para substituir o asiático. Será que Tim Duncan tem chances de ser titular?

Show de carisma

Eu particularmente acho difícil. Primeiramente pela concorrência – Blake Griffin, Dirk Nowiztki, Kevin Love e Pau Gasol brigam pela vaga. Em segundo lugar, vamos concordar que a temporada de Duncan não é nenhum espetáculo; 13,5 pontos, 9,3 rebotes e 1,9 tocos por jogo. Claro que a importância dele para o San Antonio Spurs ainda é clara, mas vejo alguns de seus concorrentes à sua frente na briga pela última vaga na equipe.

Duncan tem a seu favor duas coisas: a primeira, claro, é o técnico Popovich, com quem trabalhou por toda a sua carreira e, mesmo caso o jogador da equipe texana não seja titular, deve dar-lhe um bom tempo de quadra. O segundo fator é que o atleta é o único que passa a maioria dos jogos como um pivô de origem. Gasol e Love passam algum tempo lá, mas começam as partidas como alas-pivôs. Mesmo assim, tratam-se de trunfos bem pequenos para o The Big Fundamental.

Em termos de merecimento, acho que Love deveria ficar com a vaga. Ele é um grande jogador, bom pontuador, e, acima de tudo, um excelente reboteiro – um show para quem, como eu, vê espetáculo em fundamentos. O curioso é que ele sequer estava na lista de sete reservas que saiu da escolha dos técnicos – foi escolhido por David Stern para substituir o lesionado Yao Ming. Por isso, sai em desvantagem na briga.

Mas vale lembrar que o All-Star Game é festa, é espetáculo. Quando escolho meus times titulares por meio do voto popular, levo isso em conta. Por isso, torço para que Blake Griffin seja o titular. De todos desta lista, ele é o que tem maiores possibilidades de dar show. E, cá entre nós, com o joelho de Duncan do jeito que está, não seria nada mal se Pop resolvesse limitar o seu tempo de quadra…

A Rodeo Trip 2011

Na última quarta-feira, durante a 1ª Twitcam do Spurs Brasil, alguns de nossos leitores – além de verem o quanto nós somos feios – perguntaram sobre a Rodeo Trip. Quem quiser saber mais sobre o evento, pode ler este artigo que o nosso blogueiro Victor Moraes escreveu sobre o assunto em 2009. Resumidamente, a cada ano o AT&T Center recebe um rodeio, e, neste período, o San Antonio Spurs se vê obrigado a atuar longe de seu ginásio. E, na próxima terça-feira, junto com o mês de fevereiro, começa uma série de nove partidas que a equipe texana fará como visitante.

Enquanto isso, no AT&T Center...

Por isso, uso hoje este espaço para dissecar a Rodeo Trip 2011 – vou falar da viagem jogo a jogo. Apresento os tópicos no seguinte formato: Data – Nome do adversário – Placar nesta temporada – Dificuldade (em uma escala de 1 a 5) e, em seguida, um pequeno texto analisando o confronto. Vamos à lista:

01/02 – Portland TrailBlazers – 1-0 – 3

Na atual temporada, o Blazers vem sofrendo muito com problemas físicos de seus principais jogadores – como o excelente Brandon Roy e o pivô de porcelana Greg Oden – e mesmo assim deve garantir a vaga para os playoffs. Hoje, o time de Portland é o 8º colocado com folga – tem 54,3% de aproveitamento contra 48,9% do Memphis Grizzlies, que está em 9º – e é um provável adversário do Spurs na primeira fase da pós-temporada. Por isso, pode querer mostrar serviço no jogo.

03/02 – Los Angeles Lakers – 1-0 – 5

Se o Blazers é provável adversário do Spurs na primeira fase dos playoffs, o Lakers é o favorito a chegar nas finais do Oeste para, quem sabe, enfrentar a equipe texana. Atualmente no segundo posto da conferência, a equipe angelina é, sem dúvidas, o oponente mais difícil durante a Rodeo Trip.

04/02 – Sacramento Kings – 0-0 – 2

O Kings é o atual vice-lanterna da Conferência Oeste – está à frente apenas do Minnesota Timberwolves, e por meio jogo – e deve ser presa fácil para o Spurs. Só não coloquei dificuldade 1 por se tratar de um back-to-back – quatro das sete derrotas do time texano na temporada vieram no segundo de uma série de dois jogos seguidos. E vale lembrar o quanto Manu Ginobili se desgastou para marcar Kobe Bryant no primeiro duelo entre Spurs x Lakers desta temporada.

08/02 – Detroit Pistons – 0-0 – 2

O Pistons é um dos times mais irregulares da temporada: foi capaz, por exemplo, de vencer o Boston Celtics com folga, e no jogo seguinte tomar uma surra do Phoenix Suns. A equipe depende demais de uma noite inspirada de uma de suas estrelas, como Tracy McGrady e Tayshaun Prince. Se isso não acontecer, a chance de vitória do Spurs é grande.

09/02 – Toronto Raptors – 1-0 – 2

Terceiro pior time da pior conferência da NBA – a Leste – o Toronto Raptors depende de noites inspiradas de DeMar DeRozan e/ou Andrea Bargnani para vencer. Os dois jogadores citados têm qualidades, mas podem ser anulados com facilidade pela defesa texana. O que pode atrapalhar é o fato de ser mais um back-to-back durante a viagem.

11/02 – Philadelphia 76ers – 1-0 – 2

O 76ers é atualmente o sétimo colocado da Conferência Leste, atrás apenas dos favoritos Boston Celtics, Miami Heat e Orlando Magic e dos medianos Atlanta Hawks, Chicago Bulls e New York Knicks. Digamos que o time da Filadélfia é o “melhor dos piores” da liga, e pode complicar a vida do Spurs se estiver em uma noite inspirada.

12/02 – Washington Wizards – 1-0 – 2

Problema físico do principal jogador, John Wall, briga entre os dois jovens jogadores, Andray Blatche e JaVale McGee, e quarta pior campanha da Conferência Leste: temporada para o Wizards esquecer. Pode complicar a vida do Spurs apenas caso Wall esteja inspirado, e também por se tratar de um back-to-back.

14/02 – New Jersey Nets – 0-0 – 1

Um dos elencos mais fracos da NBA – quem sabe o mais fraco – o New Jersey Nets tem somente 13 vitórias em 45 jogos disputados, campanha superior apenas às de Cleveland Cavaliers, Sacramento Kings e Minnesota Timberwolves. Deve ser uma das mais fáceis presas do Spurs durante esta viagem.

17/02 – Chicago Bulls – 1-0 – 4

Ao lado do San Antonio Spurs, o Chicago Bulls é um dos times que mais melhorou quanto à última temporada. Este crescimento se deu graças ao desenvolvimento do armador Derrick Rose e à chegada do ala-pivô Carlos Boozer, que sempre faz boas partidas contra o Spurs. Parada duríssima para encerrar a viagem.

Como puderam perceber, o time texano ainda não perdeu para nenhum adversário que terá pela frente na Rodeo Trip. Além disso, a equipe encara, durante a viagem, uma série de oponentes tecnicamente mais fracos. Vejo o Spurs com capacidade para voltar ao Texas com, no mínimo, mais cinco vitórias, o que encaminharia bem o primeiro lugar na Conferência Oeste. Vamos torcer!

Cobertor curto?

Muitas das 37 vitórias que o San Antonio Spurs conseguiu até aqui nesta temporada da NBA vieram graças ao banco do time. George Hill, Gary Neal e Matt Bonner figuram entre os protagonistas dos reservas da equipe, que, até aqui, vêm dando conta do recado quando os importantíssimos Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan jogam mal, ou simplesmente quando precisam descansar. Em termos de qualidade, não se discute o banco do time texano. Mas e em termos de quantidade, será que temos uma jogadores suficientes para suportar os playoffs?

"Se precisar, tamo aê!"

Ontem, na vitória sobre o New York Knicks, o Spurs viu-se desfalcado de três jogadores: além de Bonner, George Hill e James Anderson estiveram indisponíveis. Com isso, o elenco da equipe texana ficou reduzido a apenas dez atletas, e o treinador Gregg Popovich teve de fazer algumas coisas que certamente contrariam seu plano de jogo.

O primeiro grande problema que Pop enfrentou ontem foi na ala. O especialista do elenco, Richard Jefferson, não fez boa partida (seis pontos, 3-4 FG e sete rebotes), e, por isso, ficou em quadra por pouco mais de 25 minutos. Mas o Spurs não contava com o novato Anderson, reserva natural da ala, e nem com Hill, que muitas vezes entra para completar o perímetro ao lado de Parker e Ginobili.

Com isso, o novato Larry Owens, recentemente promovido da D-League, chegou perto dos nove minutos de quadra. Além disso, Neal, acostumado a ser um (ótimo) reserva para a posição dois, teve de quebrar um galho na ala em alguns momentos. Resultado: passou mais de 32 minutos em quadra, quando sua média na temporada é de 19. Ufa!

O outro problema esteve entre os armadores. Sem Hill, Parker teve de jogar mais de 37 minutos – sua média na temporada é de 33. Quem teve de assumir a armação do time reserva foi Chris Quinn, que só costuma entrar no garbage time. Ontem, o ex-jogador do New Jersey Nets chegou perto dos 11 minutos.

Mas o principal problema esteve mesmo debaixo da cesta. Pop não contou com Bonner e ainda reluta em usar o brasileiro Tiago Splitter – ontem, o pivô atuou apenas nos instantes finais da partida, com ela já decidida. Com isso, DeJuan Blair – que mais uma vez fez uma boa partida – foi o jogador do Spurs que mais atuou: 41:34 minutos.

Os experientes Duncan e Antonio McDyess também tiveram de suar a camisa para suprir as ausências. Timmy, que tem média de 29,5 minutos por jogo, atuou ontem por 34,5; Dice, que chegou a ser poupado em algumas partidas nesta temporada, jogou por 18 minutos cravados, pouco mais do que os 17,3 que costuma atuar por partida.

O elenco me parece curto, e acho que não daria trabalho para ser reforçado. O próprio Ime Udoka, por exemplo, não vinha fazendo feio, e poderia ficar até o final da temporada para ser acionado em emergências como as de ontem. Para a área pintada, Marcus Cousin, que se destacou na pré-temporada com os texanos, vem fazendo uma boa D-League pelo Austin Toros: 14,6 pontos, 8,7 rebotes e 1,2 tocos em 28,9 minutos por noite. E vale lembrar que esta equipe implantou, nesta temporada, o mesmo esquema tático do Spurs, para facilitar o trabalho de Pop quando algum jogador precisar ser promovido.

Seriam reforços baratos e simples, que ajudariam o elenco em noites como as de ontem: mesmo com jogadores pouco importantes de fora, as estrelas do plantel não precisariam passar mais tempo em quadra.