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Draft 2011 – Os armadores
Começa hoje a série de posts Na Linha dos 3 sobre o Draft da NBA de 2011. Este especial será dividido em quatro partes. Nas três primeiras, falaremos sobre os jogadores que a comissão técnica do San Antonio Spurs avaliou para cada posição – Armadores, Posição 3 e O Garrafão – e, na quarta, traremos palpites para o recrutamento de calouros.

A defesa de Shumpert despertou o interesse do Spurs
Hoje, falaremos sobre as posições 1 e 2. Na minha opinião, são nessas funções que a equipe texana está melhor servida, já que conta com nomes como Tony Parker, Manu Ginobili, George Hill e Gary Neal. Mesmo assim, a comissão técnica do time de San Antonio avaliou muitos nomes para o perímetro, o que pode querer dizer duas coisas: ou Gregg Popovich pretende utilizar uma formação mais baixa na próxima temporada ou a franquia planeja alguma troca.
Vamos a seguir ver os perfis dos jogadores analisados. Lembrando que eu não vi nenhum desses atletas jogarem: os textos foram construídos de acordo com pesquisas nos sites NBADraft.net e DraftExpress. Vale ressaltar também que o Spurs tem a 29ª e a 59ª escolhas do próximo recrutamento.
Jimmer Fredette – BYU
Considerado um dos melhores arremessadores disponíveis no Draft, Fredette está cotado para ser uma escolha Top 10, mesmo apesar de sua baixa estatura, e dificilmente estará disponível quando a vez do San Antonio Spurs chegar. Seu ponto fraco é o controle de bola, o que diminui seu potencial para ser usado como armador principal. O jogador acaba de disputar 37 partidas em sua quarta e última temporada no basquete universitário, na qual apresentou médias de 28,9 pontos (45,2% FG, 49,1% 3 PT, 89,4% FT), 4,3 assistências, 3,4 rebotes e 1,3 roubadas de bola em 35,8 minutos por exibição.
Status: Improvável na primeira rodada
Iman Shumpert – Georgia Tech
Ala-armador que chega ao Draft bem cotado por suas boas habilidades defensivas, já que tem o atleticismo, a marcação e a força como pontos fortes. Em compensação, chega cru na parte ofensiva, e precisa evoluir seu arremesso e sua habilidade nos passes. Na última temporada – sua terceira universitária – Shumpert disputou 31 partidas, e apresentou médias de 17,3 pontos (40,6% FG, 27,8% 3 PT, 80,6% FT), 5,9 rebotes, 3,5 assistências e 2,7 roubadas de bola em 32 minutos por jogo. Pode ser escolhido a partir da 20ª escolha.
Status: Possível na primeira rodada
Malcolm Lee – UCLA
Lee é mais um jogador que fez nome no basquete universitário com sua defesa – tem a marcação, o atleticismo e a velocidade como pontos fortes. Por isso, mesmo com seus defeitos – a habilidade nos passes e a força física precisam ser trabalhados – é esperado já a partir do fim da primeira rodada do próximo draft. Em 2010/2011, sua terceira temporada no basquete universitário, o atleta jogou 33 vezes e exibiu médias de 13,1 pontos (43,7% FG, 29,5% 3 PT, 77,8% FT), 3,1 rebotes e duas assistências em 33,1 minutos por jogo.
Status: Possível na primeira rodada
Shelvin Mack – Butler
Armador que compensa a falta de velocidade com bom arremesso, boa defesa e muita força física. Estas três qualidades, principalmente, fazem com que Mack possa ser escolhido ainda na primeira rodada do Draft, aproximadamente a partir da 25ª escolha. Na última temporada – sua terceira no basquete universitário – o jogador disputou 38 partidas, e apresentou médias de 16 pontos (40,8% FG, 35,4% 3 PT, 76,9% FT), 4,5 rebotes e 3,4 assistências em 31,2 minutos por exibição.
Status: Possível na primeira rodada
Andrew Goudelock – Charlestone
Como o jogo de Goudelock vai encaixar na NBA é um mistério. O jogador também é considerado um dos melhores arremessadores disponíveis no próximo Draft. Porém, é baixo para jogar como ala-armador, e tem o passe como ponto fraco. Talvez precise atuar ao lado de outro combo guard – como George Hill – para poder ser aproveitado. Na última temporada – sua quarta e última universitária – o jogador disputou 37 partidas, e apresentou médias de 23,7 pontos (45,5% FG, 40,7% 3PT, 82,1% FT), 4,2 assistências e 3,9 rebotes em 35,2 minutos por jogo. Pode ser escolhido entre a 40ª e a 55ª escolha.
Status: Passa pela primeira rodada; possível na segunda rodada
Demetri McCamey – Illinois
Em sua quarta e última temporada universitária, McCamey demonstrou um grande potencial de jogo no perímetro, com bom arremesso de longa distância e boa visão de jogo. Mostrou também certa ausência de atleticismo, o que lhe atrapalha quando tenta atacar a cesta. Porém, o principal problema se apresentou durante a campanha de Illinois, que foi caíndo de produção aos poucos, o que fez com que o técnico do jogador questionasse seu profissionalismo. Isso com certeza o fez cair nas cotações para o Draft. De qualquer modo, McCamey, em 34 partidas, apresentou médias de 14,6 pontos (45,2% FG, 45,1% 3 PT, 72,4% FT), 6,1 assistências, 3,4 rebotes e uma roubada em 33,4 minutos por exibição. É esperado a partir da 50ª escolha do próximo Draft.
Status: Possível na segunda rodada
Brad Wanamaker – Pittsburgh
Mais um combo guard analisado pela comissão técnica do Spurs. O jogador sempre teve seu arremesso como ponto forte – porém, ao longo de seus quatro anos no basquete universitário, desenvolveu também sua visão de jogo. Por outro lado, tem como pontos fracos a velocidade e o atleticismo. Na última temporada, disputou 34 jogos e apresentou médias de 11,7 pontos (44,8% FG, 32,7% 3PT, 76% FT), 5,2 rebotes, 5,1 assistências e 1,4 roubadas de bola em 30,4 minutos por partida. Pode sair a partir da 55ª escolha.
Status: Provável na segunda rodada
Corey Fisher – Villanova
Após jogar sua quarta temporada universitária, Fisher chega para o Draft, segundo os especialistas, com poucas chances de ser draftado. Mesmo assim, a comissão técnica do Spurs resolveu dar uma chance para o jogador mostrar serviço. O armador tem como pontos fortes o arremesso, o controle de bola e a velocidade, e tem na defesa o aspecto mais fraco de seu jogo. No último ano, entrou em quadra em 33 oportunidades e anotou, em média, 15,6 pontos (41,9% FG, 32,7% 3 PT, e 78,6% FT), 4,8 assistências, 2,8 rebotes e 1,5 roubadas de bola em 33,4 minutos por jogo.
Status: Passa pela segunda rodada
O que acompanhar na offseason
O fim da NBA marca o início da offseason, período que leva os fãs da liga americana de basquete à loucura. Não é diferente com os torcedores San Antonio Spurs. Porém, antes da largada da temporada 2011/2012, muita coisa vai acontecer – e nós, do Spurs Brasil, vamos ficar de olho em tudo para mantermos nossos leitores informados. Deste modo, uso esse espaço hoje para fazer um pequeno guia do que acompanhar nesta intertemporada. Confira a lista a seguir:

Ele agora será inimigo...
1) O Draft – 23 de junho
Acontece na próxima quinta-feira o recrutamento de calouros da NBA. O Spurs é conhecido por sempre conseguir encontrar bons talentos entre os prospectos – ou seja, essa é a primeira chance que a equipe texana terá para se reforçar antes da temporada 2011/2012. A equipe texana tem a 29ª e a 59ª escolhas, e, salvo qualquer troca, deverá ir atrás de um ala e de um jogador para o garrafão.
De olho no Draft, o Spurs Brasil começa nesta segunda-feira (20) uma série especial de posts Na Linha dos 3 sobre os jogadores que o time de San Antonio observou e pode acabar selecionando. Os três primeiros vão dividir os atletas em posições – Armadores, Posição 3 e O Garrafão – e o quarto será com nossos palpites para o evento. Não perca!
2) Europeu sub-20 B – 14 a 24 de julho
No draft de 2010, o Spurs selecionou o ala-pivô britânico Ryan Richards na 49ª escolha. Agora, a franquia texana já começou as negociações para tentar contratá-lo – ou seja, o big man pode ser o primeiro reforço desta offseason. Richards passou a última temporada recuperando-se de uma lesão no ombro – por isso, resolveu jogar o europeu sub-20 para ganhar ritmo de jogo.
A Grã-Bretanha está na divisão B do campeonato. que será disputada em Sarajevo, na Bósnia. A seleção do Reino Unido integra o grupo C, ao lado de Finlândia, Luxemburgo, Noruega, Portugal e República Tcheca.
3) FIBA Americas – 30 de agosto a 11 de setembro
A competição, que será disputada em Mar del Plata (ARG), distribuirá duas vagas para a Olimpíada de Londres-2012. Manu Ginobili e Tiago Splitter devem ser os comandantes de Argentina e Brasil, respectivamente, os dois favoritos à classificação, já que os Estados Unidos já estão classificados graças ao título Mundial. A Seleção Brasileira está no grupo A, ao lado de Canadá, Cuba, República Dominicana e Venezuela. Já os hermanos encabeçam o grupo B, e têm a companhia de Panamá, Paraguai, Porto Rico e Uruguai. Vale lembrar que o ala-pivô Matt Bonner tenta conseguir a cidadania canadense para poder jogar pela seleção local.
4) Eurobasket – 31 de agosto a 18 de setembro
A seleção francesa pretende contar com força máxima na competição, classificatória para a Olimpíada de Londres-2012. Por isso, sete jogadores da NBA apareceram em uma pré-convocação – entre eles, Tony Parker, do San Antonio Spurs. O armador ainda não sabe se vai participar do torneio – porém, se confirmar presença, será um dos principais nomes presentes na Lituânia para tentar garantir uma vaga olímpica. A França está no grupo B da competição, ao lado de Alemanha, Israel, Itália, Letônia e Sérvia. Além de Parker, a seleção conta com o também armador Nando de Colo, selecionado pelo Spurs na 53ª escolha do Draft de 2009 e outro possível reforço para a próxima temporada.
A equipe texana ainda tem os direitos sobre dois jogadores que disputarão o torneio. Robert Javtokas, 55ª escolha do Draft de 2001, estará com os donos da casa no grupo A, ao lado de Espanha, Grã-Bretanha, Polônia, Turquia e o segundo colocado da fase preeliminar, que conta com Finlândia, Hungria e Portugal. Já Viktor Sanikidze, 42ª escolha do Draft de 2004, estará com a Georgia no grupo D, que tem ainda Bélgica, Bulgária, Eslovênia, Rússia e Ucrânia.
Saudades
Na última terça-feira, um temporal na cidade de São Paulo me deixou sem luz por quase 12 horas. Perdi a despedida do Ronaldo. Paciência, acontece. Hoje em dia, na era de tempestade de informações que vivemos, não é difícil recuperar o jogo perdido. Uma infinidade de programas de televisão e de sites repercutiram o adeus no dia seguinte, e pude ver, por exemplo os gols que ele perdeu. Uma pena; mas, como ele disse, quando era pra valer ele se garantia. No passado. O Fenômeno é agora, oficialmente, um ex-jogador.

Ex-jogadores...
Ainda não consegui formar uma opinião sobre qual foi o melhor atacante que vi jogar. Ronaldo divide espaço com Romário – o primeiro levava vantagem na habilidade, mas o segundo, mesmo baixinho, era mais mortal nas cabeçadas. Sorte a nossa, os brasileiros, que puderam ter dois craques desse calibre. No passado. Nessa semana, pela primeira vez em toda a minha vida, os dois maiores atacantes que vi são oficialmente ex-jogadores.
Enfim, vamos falar de basquete, esporte que tem este blog como habitat. O jogo de despedida de Ronaldo aconteceu poucos dias depois do anúncio da aposentadoria de Shaquille O’Neal. O pivô foi uma presença incrível no garrafão, difícil de ser igualada, principalmente ofensivamente. Foi. No passado. Nestes últimos dias, pela primeira vez na minha vida, o maior pivô que vi jogar é oficialmente um ex-jogador.
O torcedor do San Antonio Spurs da minha geração sentirá esse baque em breve. Quando comecei a acompanhar a NBA pra valer, David Robinson já não fazia mais parte da equipe. Por isso, é praticamente impossível não apontar Tim Duncan como principal nome da franquia. Mas temos the admitir: The Big Fundamental não é mais o mesmo. O camisa #21 já não exibe mais o vigor físico de outrora. O adeus se aproxima. Em breve, o melhor ala-pivô que já vi na vida será oficialmente um ex-jogador.
Sempre fui daqueles que atacou posturas saudosistas em relação ao esporte. Achava uma verdadeira chatisse quando ídolos do passado eram colocados como intocáveis. Achava, no passado. Ao menos, até esse momento, ainda acho. Mas não sei se estou pronto para viver em um mundo em que Romário, Ronaldo, Shaq e Duncan são ex-jogadores. Em um mundo em que Jerry Sloan e Phil Jackson são ex-treinadores. Uau.
Agora, fica mais fácil entender porque nossos avós não abrem mão de exaltar Pelé, mesmo tendo um Zico à sua frente. Entendo porque nossos pais não abrem mão de exaltar Zico, mesmo tendo Ronaldo à sua frente. E nós? Estaremos prontos para admitir que nossa geração é “ultrapassada” se Neymar superar o Fenômeno? Se Dwight Howard superar Shaq? Se Blake Griffin superar Duncan? Por enquanto, apenas pensar nessa possibilidade já é demais para mim.
O que o Spurs pode aprender nas finais?
Miami Heat e Dallas Mavericks protagonizam uma série imprevisível em todos os sentidos na final da NBA. Primeiro porque, confesso, não apostava em nenhuma das duas equipes no começo dos playoffs. Segundo porque as partidas têm apresentado um desenrolar increvelmente emocionante – é difícil apontarmos favoritos, mesmo com a vantagem que a equipe texana conquistou. Para nós, torcedores do San Antonio Spurs, resta assistir à série e nos perguntar: o que nosso time pode aprender com os finalistas?

Sim, eu roubei essa montagem na internet
Na minha última coluna, em que falei sobre os jovens big man que o Spurs tenta contratar, postei uma opinião que foi contestada por nosso leitor Leo. Mas ainda acho que a equipe de San Antonio perdeu para o Memphis Grizzlies no garrafão. Creio que, no geral, o elenco texano é melhor, mas que o matchup foi desfavorável: na área pintada, Tim Duncan, Antonio McDyess, Tiago Splitter e principalmente Matt Bonner e DeJuan Blair não encontraram resposta para Zach Randolph e Marc Gasol. E, na série Mavs x Heat, vemos soluções que poderiam ter sido usadas naquele confronto.
Vamos começar falando da equipe de Miami, que joga quase toda a partida sem um pivô de ofício: Chris Bosh e Udonis Haslem ocupam a maior parte dos minutos na área pintada, enquanto que o único especialista na função que vem sendo usado, Joel Anthony, é baixo para a posição. O trio compensa a falta de tamanho com vontade, jogo físico e bom posicionamento, é verdade. Mas um fator a mais contribui para que a equipe de Miami não tome um baile nos rebotes: a ajuda que vem do perímetro.
É bem verdade que Dwyane Wade e LeBron James são jovens e atléticos o suficiente para pegarem um rebote e ainda participarem de um contra-ataque – virtudes que Manu Ginobili, por exemplo, não possui. Tony Parker não poderia exercer essa função tão bem quanto a dupla do Heat: enquanto os dois jogadores da equipe da Flórida podem pegar o rebote e acionar seu companheiro, o francês é a opção do time texano para receber a bola e disparar. Seria um desperdício fazê-lo entrar no garrafão para brigar por rebotes.
Mas alguns jogadores seriam perfeitos para dar essa mãozinha lá embaixo, como George Hill e Richard Jefferson. O primeiro é pequeno o bastante para encontrar brechas entre os grandalhões e forte o suficiente para conseguir brigar por rebotes, enquanto o segundo ainda não encontrou sua função no ataque da equipe texana, e por isso podia se dedicar um pouco mais na defesa. Seria bom também se Gary Neal se aperfeiçoasse na função: o ala-armador seria útil pegando um rebote, para dar o primeiro passe do contra-ataque – de preferência para Parker – e depois se apresentar para arremessar.
Se do Heat o Spurs poderia copiar a ajuda do perímetro, no Mavericks o ponto a ser observado é a defesa por zona. Apesar de pouco utilizada nas finais, a marcação ajuda a minimizar alguns defeitos da equipe. Dirk Nowitzki, por exemplo, é indiscutível no ataque, mas não chega a ser um especialista na defesa. Como 80% dos jogadores da liga, teria dificuldades para lidar com Randolph e/ou Gasol. Mas, com a defesa por zona, esses defeitos são minimizados pela ajuda coletiva.
Neste tipo de marcação, os armadores marcam a cabeça do garrafão. Os alas ficam lá embaixo, congestionando o garrafão e marcando a zona morta de acordo com a necessidade. E o pivô fica embaixo da cesta, esperando para dar tocos e pegar rebotes. Esse tipo de marcação inibe infiltrações – que, inevitavelmente trombariam com um bom defensor como Tyson Chandler, Brendan Haywood e, no caso do Spurs, Tim Duncan – e também o jogo dentro do garrafão, já que dobras são facilitadas.
Com esse tipo de marcação, Bonner e Blair não teriam de ficar colados em Randolph ou Gasol – poderiam ser os alas que se movimentam da zona morta para o garrafão, deixando Duncan, Dice ou Splitter com o trabalho de big man lá embaixo. Enquanto isso, o Spurs forçaria arremessos de média distância do Grizzlies – ponto fraco de um perímetro formado por Mike Conley, Tony Allen e Sam Young.
Ajuda do perímetro, marcação por zona. Os finalistas da NBA, assim como o Spurs, não têm um garrafão brilhante defensivamente, mas mostram que é possível vencer sem ele. Talvez seja por isso que estão lá, ao contrário da equipe texana…
Talento jovem
Bem que o Tony Parker falou: o San Antonio Spurs perdeu para o Memphis Grizzlies no frontcourt. Apesar da evidente decadência física da equipe texana e do esforço defensiva do rival, continuo achando o Spurs mais time. A equipe foi eliminada no matchup, mesmo: lá, embaixo da cesta, o Grizzlies tinha uma vantagem impossível de compensar em outros setores da quadra. Cientes do problema, diretoria e corpo técnico do time de San Antonio já começaram a se movimentar para resolvê-lo.

Aposentado, McDyess agora tem mais o que fazer
E a primeira aposta para isso é, digamos, “caseira”. O Spurs já detém os direitos sobre Ryan Richards, recrutado pela franquia texana na 49ª no draft de 2010. Agora, tenta resolver as nuances de seu contrato junto ao CB Canaria, equipe espanhola que tem vínculo com o ala-pivô inglês. O jogador passou os últimos meses se recuperando de uma cirurgia no ombro e é uma grande incógnita – menos para os dirigentes da equipe de San Antonio, que o convidaram para um período de treinos em março. Para matarmos nossa curiosidade, vamos poder ver Richards nesta offseason: o ala-pivô anunciou que vai atuar no Europeu sub-20 para recuperar seu ritmo de jogo.
Outros “remédios” caseiros foram estudados. Leo Lyons, titular do Austin Toros, foi convidado para um período de testes com a equipe texana. Na última temporada, o jogador disputou 34 partidas – 27 como titular – e anotou em média 14,9 pontos (48,1% FG, 39,2% 3 PT, 69,4% FT) e seis rebotes em 29,6 minutos por noite. Quem também teve essa chance foi Lance Thomas, outro titular da equipe da D-League filiada ao Spurs. Pelo Toros, o atleta participou de 46 partidas, todas como titular, e obteve médias de 12,6 pontos (50% FG, 70,3% FT) e 5,5 rebotes em 29,8 minutos por jogo. Os dois podem atuar tanto como ala quanto como ala-pivô, e podem acabar sendo o antídoto também para outra carência do elenco: a ala.
O Spurs também está de olho em possíveis reforços via draft. Até aqui, a imensa maioria dos jogadores observados pela franquia atuam debaixo da cesta. Os primeiros nomes que surgiram foram Jamie Skeen, de Virginia Commonwealth, Justin Harper, de Richmond e Matt Howard, de Butler. Depois, surgiu a notícia de que a franquia texana estaria interessada no turco Enes Kanter, considerado por especialistas o melhor pivô do próximo draft. Mas a imprensa de San Antonio afirma que o montenegrino Nikola Vucevic é a principal aposta do time para o recrutamento de calouros.
O que, claro, todos têm em comum é o fato de serem jovens e altos. Tratam-se de candidatos a se juntarem a DeJuan Blair e a Tiago Splitter. E é de fato fundamental que a equipe traga um big man no draft deste ano, já que a próxima temporada deve ser a última de Tim Duncan. Assim, o novato – ou os novatos, no caso da vinda de Richards – podem passar um ano treinando com um dos melhores da história e ouvindo de perto seus conselhos.
Uma curiosidade: dos oito jogadores citados nesta coluna, somente dois – Thomas e Kanter – têm um arremesso de três pontos ruim. Talvez essa seja uma exigência que Gregg Popovich fez – atualmente, no elenco texano, só Matt Bonner e Steve Novak – se renovar – têm essa característica entre os gigantes.
Claro que o frontcourt deve ser o foco do Spurs também nos reforços. O mercado terá free agents interessantes em 2011, como Carl Landry, Kenyon Martin, Joel Przybilla e Samuel Dalembert. Mas confio na competência dos olheiros, da diretoria e do corpo técnico da franquia texana para que um jogador jovem e bom seja encontrado para executar esse papel, o que economizaria um dinheiro importante – que, por exemplo, poderia ser usado para contratar um ala. É hora da equipe usar a mesma perícia utilizada no perímetro – que encontrou Manu Ginobili, Tony Parker e George Hill – para localizar gigantes de talento.
