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Tempo de sobra para encontrar nosso pivô

Com o fim das Olimpíadas de Londres-2012, é hora de voltarmos nossas atenções para a NBA. Enquanto outras franquias reformularam seus elencos e terão caras novas na próxima temporada, o San Antonio Spurs aposta, mais uma vez, em uma offseason com poucas novidades – as únicas movimentações até aqui foram a contratação de Nando De Colo e o Draft de Marcus Denmon, que vai jogar na França. Mesmo assim, ainda há tempo para a franquia correr atrás do reforço dos sonhos da maioria de seus torcedores: um pivô que possa contribuir defensivamente.

Juntos? Que tal?
De acordo com rumores da imprensa americana, o Spurs chegou a ir atrás de opções com essa característica no começo da temporada, como Marcus Camby, que acabou contratado pelo New York Knicks, e Kevin Garnett, que optou por renovar seu contrato com o Boston Celtics. Outros jogadores de garrafão, como Rashard Lewis, Ersan Ilyasova, Erazem Lorbek, Brandon Bass e Chris Kaman também foram procurados, mas acabaram acertando com outras equipes.
Os rumores mostram que o Spurs parece sim, disposto, a fazer movimentações em seu elenco para a próxima temporada. Após a chegada de De Colo, a franquia texana tem três vagas em seu elenco – justamente o número de jogadores que defenderam as cores do time de San Antonio na última temporada e que têm situação indefinida. Gary Neal e DeJuan Blair ainda não têm contratos definidos para a próxima temporada, enquanto James Anderson se tornou um free agent e não tem mais qualquer vínculo com a equipe.
Nas últimas semanas, mais dois rumores surgiram e mostraram que o Spurs talvez esteja disposto a apostar alto para encontrar esse jogador. Ainda de acordo com a imprensa americana, a franquia texana estaria de olho em Greg Oden e em Andray Blatche. Os dois seriam contratações de risco – o primeiro, que parece ter agradado aos torcedores aqui no blog e no Facebook, sofreu com lesões durante toda a sua carreira, enquanto o segundo teve sua trajetória na NBA marcada por questões disciplinares.
Sinceramente, não acho que seja preciso correr tanto risco para encontrar este homem de garrafão – de preferência, um que seja bom defensor, uma presença física capaz de combater infiltrações. Entre os pivôs de ofício, por exemplo, estão disponíveis Chris Andersen e Darko Milicic. O primeiro acaba de ser anistiado pelo Denver Nuggets e vem de uma temporada com 4,6 rebotes e 1,4 tocos em 15,2 minutos por partida. No entanto, acusações de pedofilia contra ele certamente farão qualquer time pensar duas vezes antes de contratá-lo. O segundo também foi dispensado usando a nova cláusula pelo Minnesota Timberwolves e vem de uma temporada com 3,3 rebotes e 0,9 tocos em 16,3 minutos por partida (leia mais no blog Destino Riverwalk). Uma opção barata e modesta, que, acredito eu, não se incomodaria em atuar por poucos minutos ou até mesmo ficar jogos inteiros sem entrar em quadra.
Entre os atletas que atuam na posição quatro, ainda existem nomes como Kenyon Martin, mais badalado, e Lou Amundson, mais modesto. Os dois são bons defensores e também poderiam ajudar na rotação da equipe. Seriam contratações com um resultado mais previsível – ou seja, menos arriscadas do que trazer Oden e Blatche.
O Spurs estreia na pré-temporada somente no dia seis de outubro. Até lá, ainda há tempo de sobra para se pensar em uma possível movimentação no elenco. Resta sabem se R.C. Buford, Gregg Popovich e companhia acreditam que seja preciso mudar ou se estão convencidos de que o elenco vice-campeão do Oeste é capaz de brigar pelo título.
Não aprendi a dizer adeus

O domingo (12) deverá ser um dia de emoções confusas para os fãs argentinos de basquete. Ao mesmo tempo em que a seleção masculina local, que ficou conhecida como geração de ouro, entrará em quadra na busca por sua terceira medalha olímpica, a partida contra a Rússia, que valerá o bronze nos Jogos de Londres-2012, deverá marcar a despedida deste time e, quem sabe, de Manu Ginobili, o maior astro da história da modalidade no país. E é triste pensar que talvez este momento também esteja chegando para nós, torcedores do San Antonio Spurs.

Ele voltará a vestir esta camisa depois de amanhã? (Foto: Getty Images)
A aposentadoria do ala-armador das competições internacionais ainda não é uma realidade. O próprio jogador ainda não sabe o que fará após as Olimpíadas. Porém, vamos encarar os fatos: Manu já tem 35 anos de idade. Com sua genialidade em quadra, ainda consegue sustentar médias de 19,1 pontos, 5,7 rebotes e 4,3 assistências por exibição em uma competição deste nível. Mas até quanto seu físico o permitirá jogar assim? Talvez até o Mundial de 2014, mas dificilmente até os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.
“Muitas coisas podem acontecer. Tenho 35 anos. Sei que as chances ficam menores a cada ano, mas não posso dizer que vou me aposentar porque eu não sei”, disse Manu, em entrevista à agência de notícias AP, após a derrota por 109 a 83 diante dos Estados Unidos na semifinal olímpica.
As médias do argentino em Londres mostram que sua categoria ainda se sobressai às limitações físicas impostas pela idade. Mas o cansaço, certamente, é cada vez maior. Até quando ele estará disposto a lutar contra isso? Manu só tem mais uma temporada de contrato garantido com o Spurs. Depois disso, talvez, queira atuar na Europa, onde se projetou para o basquete internacional, e/ou em seu país antes de se aposentar.
Ginobili é meu maior ídolo no basquete. Foi por causa de suas atuações espetaculares nas Olimpíadas de Atenas-2004 que me apaixonei pelo basquete e, consequentemente, passei a acompanhar mais de perto o Spurs. Claro que a identificação cresceu depois que eu tomei conhecimento do profissionalismo da franquia, que conseguia competir com times de grandes cidades na base da competência. E a bela história construída por David Robinson, Tim Duncan, Gregg Popovich e tantos outros fez com que eu me tornasse definitivamente um adepto do time de San Antonio.
Mas a idolatria não me cega e não me impede de achar que, hoje, Ginobili é o menos importante do big three texano. Duncan, com minutos limitados por Pop, conseguiu render acima do esperado na última temporada – mais até do que em 2010/2011. Tony Parker acaba de fazer o melhor campeonato de sua carreira, se tornando o melhor jogador do Spurs. Enquanto isso, o argentino sofreu com lesões, teve problemas para se manter saudável e demorou para encontrar o ritmo ideal vindo do banco de reservas. Além disso, o elenco está melhor servido nas alas – com Nando De Colo, Danny Green, Stephen Jackson e Kawhi Leonard – do que em reservas para a armação e o garrafão.
Mas, por mais que se tente ser racional, atuações geniais de Manu, como as que vimos na série contra o Oklahoma City Thunder, me fazem acreditar que o craque ainda tem lenha para queimar e gás para, quem sabe, levar o Spurs ao nível dos super times Miami Heat e, agora, Los Angeles Lakers na próxima temporada. Será possível? Não sei. Só sei que ainda não estou pronto para me despedir de Ginobili.
Dá no Splitter!

Existe, entre aqueles que acompanham basquete mais de perto, a impressão de que falta na seleção brasileira masculina um jogador para decidir uma partida em seus instantes finais. Um jogador em que o time possa confiar para colocar a bola na cesta no quarto período de um jogo apertado. E, já que este é um blog que fala sobre o San Antonio Spurs, proponho a reflexão: será que Tiago Splitter pode ser este jogador?

Splitter é um dos destaques da seleção (Foto: Sergio Perez/Reuters)
É bem verdade que, apesar do lugar comum sobre o time brasileiro, este protagonista dos instantes finais ainda não fez falta. Nas duas primeiras partidas, contra Austrália e Grã-Bretanha, a seleção conseguiu vencer, em jogos que tiveram finais parelhos. Contra a Rússia, na única derrota da equipe nas Olimpíadas de Londres-2012 até aqui, o revés veio em um misto de falha defensiva e sorte adversária. Mesmo assim, ainda temo que possa faltar uma figura decisiva mais para a frente, na fase eliminatória do torneio.
Pois bem; contra os anfitriões britânicos, Splitter funcionou desta forma. Foi um jogo em que o Brasil teve dificuldades para vencer um adversário teoricamente mais fraco, anotando apenas 67 pontos na partida. Destes, no entanto, 21 vieram das mãos do pivô do Spurs, que acertou nove dos 11 arremessos de quadra que tentou. Além dele, só Marcelinho Huertas, com 13, chegou aos dígitos duplos.
O dueto com o armador, aliás, é um dos motivos que me faz acreditar que Splitter pode ser uma figura decisiva para esta seleção. Enquanto o técnico Rubén Magnano conseguiu montar uma defesa impecável no time brasileiro, no ataque as coisas ainda parecem fluir com pouca naturalidade. A única jogada que acontece com eficiência é o pick-and-roll de Huertas com o pivô, que pode muito bem ser usado em momentos decisivos. A Argentina já fez isso inúmeras vezes contra o Brasil usando Pablo Prigioni e Luis Scola.
Além disso, Splitter já tem experiência em ser protagonista. Enquanto Leandrinho, Anderson Varejão e Nenê nunca foram muito acionados para os últimos arremessos de suas equipes, o pivô já foi o responsável pelas jogadas críticas em períodos finais. Não no Spurs, mas no Caja Laboral, equipe em que jogou ao lado de Huertas – é de lá que vem o entrosamento da dupla. No time espanhol, aliás, o camisa 15 da seleção estava acostumado com as regras da FIBA, com garrafões congestionados como os que encara nas Olimpíadas.
Na primeira fase, pode ser que Splitter ainda não precise assumir este papel. Neste sábado (3), às 12h15 (de Brasília), imagino que a seleção brasileira não terá dificuldades para vencer a China. No encerramento da fase de grupos, talvez não valha a pena desgastar muito a equipe buscando uma difícil (ainda que não impossível) vitória sobre a Espanha. Mas o time pode precisar que o pivô se imponha nas quartas de final, provavelmente contra a França de Tony Parker. Poderemos confiar nele para isso?
A confiança de Patrick Mills

Neste domingo, às 07h15 (de Brasília), a seleção brasileira masculina de basquete estreia nas Olimpíadas de Londres-2012 contra a Austrália. Pela frente, a equipe de Tiago Splitter e companhia terá um time comandado por um companheiro do pivô no San Antonio Spurs: Patrick Mills, que acaba de renovar seu contrato com a franquia texana. Nesta última semana, o armador mostrou-se confiante em uma vitória sobre os brasileiros… ele tem razão ou trata-se apenas de estratégia?

Mills é o destaque da Austrália. Olho nele, Alex!
No último amistoso preparatório das duas seleções para os Jogos, o Brasil venceu a Austrália por 87 a 71 sem maiores dificuldades. Porém, pela proximidade do jogo oficial, é bem provável que as duas equipes tenham escondido o jogo. De acordo com o site americano Project Spurs, Mills, que anotou 14 pontos contra o time de Rubén Magnano, prometeu outra postura para o duelo válido pelas Olimpíadas.
“Foi uma situação estranha porque o amistoso estava marcado antes de nossa agenda em Londres ser divulgada. A princípio, não queríamos jogar da maneira como gostaríamos, como se estivéssemos escondendo nosso jogo. Ainda existem muitas coisas que podemos aprender daquele jogo e definitivamente aprendemos muito a respeito do que eles podem e do que eles não podem fazer”, disse Mills, em entrevista à imprensa local.
É possível entender a postura e a confiança do armador. Primeiramente, porque, com a ausência do pivô Andrew Bogut, Mills se tornou o principal nome da seleção australiana e tem a responsabilidade de motivar seus companheiros às vésperas da competição. Além disso, vale lembrar que o jogador terminou a temporada em alta: deixou o basquete chinês, acertou com o Spurs, brigou pelo título da NBA e renovou seu contrato com a franquia.
Na seleção, Mills costuma ficar à vontade com o papel de protagonista. O Project Spurs lembrou-se da exibição de gala do australiano em 2008 – quando o jogador ainda nem atuava na NBA -, contra os Estados Unidos. A exibição, com direito a 20 pontos anotados, arrancou elogios de ninguém mais, ninguém menos do que Chris Paul.
“Patty não estava na NBA em 2008 e fez um trabalho incrível na época, e ele é um jogador ainda melhor hoje. Na seleção, ele é um jogador diferente do que na NBA, ele fica solto, não para e consegue ser o jogador que ele realmente é”, declarou o armador do Los Angeles Clipers, em entrevista ao Herald Sun.
Vivendo um bom momento, a seleção brasileira é favorita contra a Austrália. Para reverter este panorama, Mills terá de se desdobrar para levar vantagem sobre Marcelinho Huertas dos dois lados da quadra. Além disso, terá de se virar para pontuar quando Alex for deslocado para sua marcação. Será que o jogador do Spurs é capaz disso?
Leia mais: Veja o calendário de jogos e o elenco da seleção brasileira
Um Gary Neal para o garrafão?

Não parece ser segredo para ninguém que o San Antonio Spurs esteja buscando um jogador de garrafão nesta offseason. Depois de reforçar o perímetro com o draft de Marcus Denmon e a contratação de Nando De Colo, a franquia texana parece procurar um big man, de preferência um com boa capacidade defensiva. Acompanhando as partidas do time na Summer League, pergunto: esse homem pode ser Eric Dawson?

Dawson no jumpball; ala-pivô tem se destacado na Summer League (NBAE/Getty Images)
De acordo com rumores da imprensa americana, o Spurs demonstrou, nesta offseason, interesse em Erazem Lorbek, que vai continuar no basquete espanhol; em Rashard Lewis, que acertou com o Miami Heat; em Ersan Ilyasova, que renovou com o Milwaukee Bucks; em Chris Kaman, contratado pelo rival Dallas Mavericks; em Marcus Camby, novo reforço do New York Knicks; e em Brandon Bass e Kevin Garnett, que vão continuar no Boston Celtics. Com cada vez menos opções no mercado, um alvo mais modesto, como Dawson, pode acabar virando solução para o Spurs.
Aqui, vale destacar que modesto não necessariamente significa ruim. A Summer League, menosprezada por muitos fãs de NBA, já revelou Gary Neal para o Spurs. O ala-armador chegou como um ilustre desconhecido para a competição em 2010 e, com boas atuações, garantiu uma vaga na equipe principal.
O homem que o Spurs parece procurar para o garrafão provavelmente ocuparia a vaga de DeJuan Blair, que parece estar com os dias contados em San Antonio. Enquanto o ala-pivô tem 2,01m de estatura – o que o coloca em clara desvantagem na marcação de jogadores mais altos – Dawson é 5cm mais alto e cerca de 9kg mais leve. Ou seja, no físico, ao menos, o big man que vem disputando a Summer League parece mais apto.
Blair foi draftado pelo Spurs na 37ª escolha do Draft de 2009 por apresentar grande potencial nos rebotes. E é justamente esse fundamento que tem tornado Dawson um dos destaques do time texano na Summer League. O ala-pivô, além de anotar 8,3 pontos (53,3% FG, 33,3% FT) por jogo, ainda coleta 7,8 ressaltos em apenas 23,5 minutos por exibição no torneio de verão de Las Vegas.
Se na defesa Blair é uma negação tanto para marcar jogadores ágeis quando na defesa de pivôs altos, Dawson também vem se destacando nos tocos na liga de verão. O jogador apresenta média de 1,2 bloqueios por partida na Summer League. Como base de comparação, em sua carreira na NBA – uma liga muito mais competitiva, é claro – o camisa 45 do Spurs tem média de apenas 0,4 tocos em 20,2 minutos por exibição.
Vale lembrar que Dawson, que já tem 28 anos de idade, não seria novidade no elenco do Spurs. O ala-pivô já ganhou uma chance no elenco principal nas últimas semanas da temporada passada, quando o técnico Gregg Popovich estava poupando seus titulares, e, em quatro partidas, obteve médias de 3,8 pontos (58,3% FG, 50% FT), 2,5 rebotes e 0,5 tocos em 9,8 minutos por exibição.
Além disso, na última temporada, Dawson foi o destaque do Austin Toros, equipe filiada ao Spurs na D-League, a liga de desenvolvimento da NBA. Em oito jogos nos playoffs da competição, o ala-pivô apresentou médias de 13,8 pontos (47,8% FG, 71,0% FT), 8,9 rebotes e 1,2 tocos por exibição, ajudando a guiar seu time ao título.
Se não é o reforço dos sonhos dos torcedores do Spurs, Dawson parece ter as ferramentas certas para, no mínimo, funcionar razoavelmente como quinta opção da rotação de garrafão – atrás de Tim Duncan, Boris Diaw, Tiago Splitter e Matt Bonner – e fazer o chamado “trabalho sujo” caso Blair realmente deixe San Antonio. Quem sabe, ao aprender melhor o sistema tático do time e ao atuar ao lado de grandes jogadores em uma franquia organizada, o ala-pivô possa se desenvolver ainda mais e seguir os passos de Neal.
