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O que esperar de Tim Duncan?

Tim Duncan é um jogador que dispensa apresentações. Dono de quatro títulos da NBA, dois troféus de MVP e outros três de MVP das Finais, o “Big Fundamental” tem a cara do San Antonio Spurs e é o maior jogador da história da franquia – o que não torna David Robinson ou George Gervin, outras lendas que marcaram época na equipe, menos importantes.

Onde, porém, quero chegar com isso? Bom, todos sabem que as chances de título do San Antonio Spurs na temporada que está para começar passam diretamente pelas mãos de Duncan. Mas, aos 36 anos, será que o veterano ainda tem fôlego para segurar esta responsabilidade? Sim e não… Eu explico.

Peraí… Este é o Duncan sorrindo???

Depois de uma temporada 2009/2010 muito abaixo da média, quando registrou médias de 13,4 pontos e 8,9 rebotes, os piores números da carreira, Timmy se reinventou e no último campeonato apresentou novas armas em seu jogo. O rendimento subiu para 15,4 pontos e nove rebotes. Nada mal para o “velhinho”, que renovou contrato por mais duas temporadas com a equipe – mais uma terceira que será opção do próprio jogador.

Isso quer dizer que Duncan ainda consegue produzir bem dentro de quadra e é uma arma sólida do time texano. Claro que não dá para exigir o mesmo domínio que exercia quando era mais jovem, mas eventualmente o camisa 21 demonstra toda sua técnica e genialidade para cima dos rivais.

Ao mesmo tempo, não dá para jogar toda a responsabilidade sobre os seus ombros. Os joelhos incomodam o veterano há algum tempo e, por conta disso, a tendência é que seu tempo de quadra seja cada vez mais reduzido. Então, não adianta imaginar um Duncan 40 minutos em quadra e vencendo jogos sozinho, como fazia dez anos atrás.

É a sua hora, meninão…

Para que o “vovô” Timmy permaneça inteiro ao longo das 82 partidas da temporada e chegue com gás aos playoffs, os reservas terão papel fundamental. Tiago Splitter, Matt Bonner e DeJuan Blair precisarão mostrar serviço e dar valiosos minutos de descanso ao colega, sem deixar o nível cair.

Neste revezamento, Splitter é o jogador mais importante. Na cabeça de Popovich, o brasileiro é o reserva imediato de Duncan e deve ser o principal “herdeiro” dos minutos do camisa 21. Blair é outro que pode se beneficiar, mas terminou a última temporada contestado e como última opção no banco de reservas. Precisa correr atrás do prejuízo.

Junto com Tony Parker e Manu Ginobili, Duncan forma um poderoso Big Three que ainda é capaz de bater qualquer rival na NBA. Porém, o peso da idade pode atrapalhar até mesmo as lendas.

Para continuar fazendo jus ao apelido de Big Fundamental, o camisa #21 terá de encontrar o meio termo entre desempenho e descanso para se manter saudável sem resultar em prejuízos dentro de quadra para o Spurs.

Derrick Brown, a nova cara do elenco do Spurs

A contratação de Derrick Brown foi a principal novidade da semana para os torcedores do San Antonio Spurs. Enquanto muitos apostavam na chegada de um jogador de garrafão, a franquia, pelo menos a princípio, resolveu apostar no ala, que disputou a última temporada pelo Charlotte Bobcats e será uma das caras novas do elenco, ao lado do francês Nando de Colo. Será que ele pode dar certo?

Brown chega como forte candidato à 15ª vaga no elenco

Na última temporada, Brown, que pode atuar nas posições 3 e 4, apresentou médias de 8,1 pontos (51,8% FG, 25% 3 PT, 66,7% FT) e 3,6 rebotes em 22,2 minutos por exibição. Atuando em Charlotte, o jogador foi companheiro de equipe de Stephen Jackson e Boris Diaw, que provavelmente foram consultados a respeito de seu desempenho.

A princípio, o baixo aproveitamento nos arremessos de três pontos assusta um pouco, já que os tiros de longa distância estão entre as principais armas ofensivas do Spurs. E essa não é uma jogada muito utilizada por Brown – na última temporada, ele arremessou somente 24 bolas do perímetro, convertendo seis. Mas há uma luz no fim do túnel – essas seis bolas vieram da zona morta, onde a franquia texana concentra seus arremessadores.

Daquela região, o aproveitamento de Brown foi de 30% – superior ao de Stephen Jackson (28%) e ao de Cory Joseph, que tentou cinco tiros da zona morta na última temporada e errou todos. Além disso, vale lembrar que Kawhi Leonard havia acertado 29% de seus arremessos de três pontos em sua última temporada no basquete universitário e, em seu primeiro campeonato com o Spurs, este número subiu para 37,6% (47% se contarmos somente a zona morta). Um ano sob a orientação de Chip Engelland, técnico de arremessos da franquia texana, pode fazer milagres.

Além disso, utilizando estatísticas avançadas, vemos que Brown teve média de 5,9 rebotes a cada 36 minutos na última temporada – número ligeiramente superior ao de Matt Bonner, que obteve 5,8. Isso mostra que a melhor função para o versátil ala no elenco no Spurs seja como um falso ala-pivô, que joga aberto e ajuda a espaçar a quadra.

Após olhar para estes números, é possível notar que Brown possui, ao menos, potencial para se tornar um reserva confiável para o Spurs. Sua versatilidade o tornaria útil em caso de contusões tanto no perímetro quando no garrafão. Além disso, quem conhece seu jogo sabe que o ala tem uma característica que falta no elenco texano: o atleticismo, o que pode ser decisivo na marcação de jogadores como LeBron James e Kevin Durant.

Acredito que a busca por um jogador de garrafão não está encerrada em San Antonio. Brown chega para ser o 15º jogador do Spurs, o que faz a franquia chegar ao limite permitido pela NBA. No entanto, seu contrato não é garantido – assim como o de Gary Neal e DeJuan Blair – o que faz com que ele possa ser dispensado a qualquer momento. Mas, se nenhuma opção melhor aparecer, o ala é um bom candidato a começar a temporada no elenco da franquia texana.

Quase tudo pronto…

A temporada 2012/2013 se aproxima e, enquanto algumas equipes ganham a mídia formando elencos badalados, o San Antonio Spurs segue sua rotina discreta e deve iniciar a pré-temporada sem grandes novidades. Mas, enquanto as atenções se voltam para o esquadrão formado pelo Los Angeles Lakers, no Oeste, e a constelação do Miami Heat, no Leste, pouca gente notou que os texanos foram irrepreensíveis durante esta offseason.

O elenco que chegou à final do Oeste no último campeonato foi inteiramente mantido. Tidos como prioridades, Boris Diaw e Danny Green acertaram rapidamente novos contratos com o Spurs. Depois foi a vez de Patrick Mills, Gary Neal e DeJuan Blair também firmarem novos acordos e se garantirem, pelo menos por mais uma temporada, no Texas.

Com Green e Diaw, elenco do Spurs ganha em opções e em versatilidade

A única baixa foi a saída de James Anderson, que não correspondeu às expectativas e acabou sendo liberado após duas temporadas pouco produtivas sob o comando de Gregg Popovich. Para compensar, a diretoria buscou o francês Nando De Colo, que estava atuando pelo Valência, na Liga Espanhola, e será a única cara nova no elenco.

Com isso, o San Antonio Spurs conta com 14 jogadores sob contrato, um a menos do que o limite permitido pela NBA. No quadro abaixo, um rascunho de como deve funcionar a rotação de Popovich durante a temporada.

PG

Tony Parker

Patrick Mills

Cory Joseph

SG

Danny Green

Manu Ginobili

Nando De Colo

SF

Kawhi Leonard

Stephen Jackson

Gary Neal

PF

Boris Diaw

Matt Bonner

DeJuan Blair

C

Tim Duncan

Tiago Splitter

 –

No quinteto titular, nada deve mudar em relação à temporada passada. A estratégia de voltar a usar Manu Ginobili vindo do banco de reservas funcionou e deixou o Spurs com uma interessante formação inicial defensiva, além de fortalecer a chamada “segunda unidade” com a presença do argentino.

Mills tem a missão de dar descanso a Parker

Entre os reservas, além de Ginobili – que, muitas vezes, deve ter mais minutos em quadra que o titular Danny Green -, devemos observar o crescimento de duas peças em especial.

Primeiro Patrick Mills, reserva imediato de Tony Parker, mas que, por ter chegado com a última temporada em andamento e ter tido pouco tempo de adaptação, acabou sendo pouco utilizado nos jogos mais importantes. No entanto, quando requisitado, mostrou capacidade.

Agora, com um período maior de treinamento com os companheiros, o australiano terá mais tempo para aprender o rígido sistema tático e deve ser acionado mais vezes por Gregg Popovich para dar descanso a Parker.

Outro que deve ver seus minutos crescerem é Tiago Splitter. O brasileiro vai para sua terceira temporada na NBA e, no ano passado, mostrou amadurecimento. Com a idade cada vez mais avançada, Tim Duncan, aos poucos, vai ficando menos tempo em quadra e ter um substituto confiável é fundamental.

Quem começa a temporada tendo de correr atrás do prejuízo é DeJuan Blair. De titular no início da temporada, o ala-pivô afundou no banco de reservas durante os playoffs. Pouco aplicado na defesa e acima do peso, perdeu a confiança do treinador e agora precisa recuperar seu espaço na rotação.

Em circunstâncias diferentes, mas também tendo de conquistar a confiança de Popovich, Cory Joseph também precisa mostrar serviço. Escolhido no Draft de 2011, ainda era considerado muito “cru” para atuar na NBA. Por isso, passou quase toda a última temporada na D-League. Com a possível evolução de Mills e ainda com Gary Neal podendo ser improvisado na armação, não me espantaria se o jovem fosse enviado novamente para a Liga de Desenvolvimento.

Eis aqui a única cara nova…

Para o novato Nando De Colo, as chances devem surgir aos poucos e tudo dependerá de sua adaptação. Versátil, pode ganhar minutos até mesmo na armação, se Mills não cair nas graças de Popovich. Mas também deve ganhar oportunidades principalmente nas partidas em que Manu Ginobili for poupado, ou algum jogador de perímetro estiver afastado por contusão.

Resta ainda uma vaga no elenco texano e rumores mais recentes dão conta que a diretoria está de olho no ala Josh Howard. Mas com um elenco bem equilibrado, os cartolas não precisam ter pressa. Uma presença física e defensiva no garrafão ainda me parece a maior carência do plantel, bem servido no perímetro.

Entre os cotados, Kyrylo Fesenko, analisado na coluna de Lucas Pastore, é uma boa opção. Até o nome de Greg Oden já rondou o Texas, mas não me parece o tipo de aposta que o Spurs faria.

Se não acertar com nenhum nome mais conhecido, a escolha deve ser um nome mais modesto vindo da D-League ou algum jogador que tenha se destacado na Liga de Verão.

Independente de quem preencha a última vaga, a força do elenco seguirá como a principal arma do Spurs para a próxima temporada. Se com as chegadas de Steve Nash e Dwight Howard o Lakers esboçm o melhor quinteto inicial da NBA, os texanos têm um dos melhores e mais equilibrados plantéis de toda a liga. Por isso não há o que temer. Já está quase tudo pronto e quem venha a temporada 2012/2013.

Que tal Kyrylo Fesenko?

Não é segredo para ninguém que a peça que falta para que o San Antonio Spurs possa brigar pelo título da NBA é um jogador de garrafão alto, com presença física. No atual elenco, a franquia conta apenas com dois jogadores com essas características: Tim Duncan e Tiago SplitterBoris Diaw funciona melhor jogando afastado da cesta, assim como Matt Bonner, enquanto DeJuan Blair é baixo para a posição. E, entre rumores da imprensa local, surgiu um nome que poderia dar certo: Kyrylo Fesenko.

Fesenko ficou feliz ao ler este artigo

O pivô ucraniano de 25 anos de idade e 2,16 m de altura vem de uma temporada em que mal pisou na quadra. Fesenko disputou apenas três jogos pelo Indiana Pacers no último campeonato, apresentando, em média, 2,7 pontos e três rebotes em 5,7 minutos por partida. Por isso, o jogador agora trabalha para encontrar uma equipe – além de fazer treinos com a comissão técnica do Spurs, o big man deve ser avaliado também por Atlanta Hawks, Cleveland Cavaliers e Miami Heat.

Fesenko seria um bom nome para ficar no banco de reservas e entrar em partidas em que o trabalho sujo se faça necessário. Por não ser um nome de peso, o pivô não exigiria muitos minutos e poderia até ficar partidas inteiras sem entrar em quadra, sendo acionado apenas quando uma presença mais física no garrafão fosse necessária – como foi nos playoffs do ano passado, na série contra o Oklahoma City Thunder, válida pela final da Conferência Oeste. E o Spurs não tinha esse homem no plantel.

Como bem destacado pelo site americano Project Spurs, a eficiência é um dos pontos fortes de Fesenko. Usando estatísticas avançadas, o ucraniano tem média de 8,7 rebotes e 1,7 tocos a cada 36 minutos em sua carreira na NBA, o que mostra que sua especialidade é mesmo o chamado “trabalho sujo”. Além disso, o aproveitamento de 49% nos arremessos de quadra mostra que ele não chega a ser uma negação no ataque.

Entre os nomes que surgiram em rumores da imprensa americana, Fesenko é meu favorito. Claro que Greg Oden, que estaria na mira do Spurs, poderia render mais, mas seu histórico de lesões me deixa com um pé atrás. Outro nome especulado foi o do brasileiro Rafael Hettsheimer, que, no entanto, teria de amadurecer seu jogo na NBA antes de causar impacto. Além deles, foram especulados nomes pouco conhecidos, como os alas-pivôs Japeth Aguilar, Tyler Wilkerson e Warren Carter e o pivô Brian Butch.

No mercado de agentes livres, existem nomes que me agradariam mais, como Kenyon Martin, Darko Milicic e Chris Andersen – ainda que pese contra o último recentes acusações de pedofilia. No entanto, aparentemente, o Spurs não tem interesse no trio. Por isso, sou a favor da chegada de Fesenko, que, ainda que modesto, seria um reforço com as características que faltam no elenco texano.

Invasão brasileira no Texas?

A temporada 2012/2013 será a terceira de Tiago Splitter na NBA. E, a partir do próximo campeonato, o pivô do San Antonio Spurs poderá ganhar companhia brasileira no Texas. Isso porque Scott Machado e Rafael Hettsheimeir têm chances de começar a próxima temporada defendendo, respectivamente, o Houston Rockets e o Dallas Mavericks, rivais locais do alvinegro.

Hettsheimeir: A caminho do Texas?

Machado é um armador de estilo clássico, especialista na distribuição do jogo. Na última temporada, atuando pela Universidade de Iona, o jogador apresentou médias de 13,6 pontos e 9,9 assistências em 35,5 minutos por exibição. Chegou a liderar a NCAA nos passes decisivos. Mesmo assim, passou em branco no Draft neste ano. Porém, recebeu um convite para atuar pelo Rockets na Summer League e agradou ao conseguir oito pontos e 5,6 assistências em 25,4 minutos por jogo. Por isso, ganhou um contrato com a franquia.

Nascido em Nova York, Machado é filho de pais brasileiros e já declarou publicamente sua vontade em defender a nossa seleção. Dependendo de seu desempenho na NBA, o armador – que, a título de curiosidade, foi companheiro de time de Danny Green no basquete colegial americano – pode causar impacto imediato na equipe de Rubén Magnano, já que Larry Taylor, reserva imediato de Marcelinho Huertas nas Olimpíadas de Londres-2012, já tem 31 anos e pode ser carta fora do baralho para o próximo ciclo, enquanto Raulzinho e Rafael Luz são apenas promessas neste momento.

Hettsheimeir, por sua vez, ainda se recupera de lesão no joelho esquerdo – a mesma que fez com que o jogador fosse cortado da seleção e não pudesse ir a Londres. Por isso, o jogador – que, segundo a imprensa americana, despertou o interesse do Spurs nesta intertemporada – perdeu grande parte do mercado Europeu, que já tem as grandes equipes com elencos praticamente prontos. Na última temporada, atuando pelo Valência, o grandalhão apresentou médias de 13,3 pontos e 6,4 rebotes em 30,1 minutos por exibição na Liga ACB, o Campeonato Espanhol de basquete.

Agora, de acordo com reportagem do site espanhol Tubasket, duas franquias da NBA têm muito interesse em Hettsheimeir – o Cleveland Cavaliers, onde o pivô seria companheiro do compatriota Anderson Varejão, e o Mavs, rival local do Spurs, que sofre para encontrar um pivô titular desde a saída de Tyson Chandler.

Porém, como bem lembra Giancarlo Giampietro, do blog Vinte Um, tudo ainda não passa de uma possibilidade. O contrato dado a Machado pelo Rockets não é garantido – ou seja, pode ser rescindido a qualquer momento. E o mesmo tipo de vínculo foi oferecido por Mavs e Cavs a Hettsheimer. Por hora, Splitter é o único brasileiro garantido no basquete texano.