Arquivo da categoria: Na linha dos 3
Qual a melhor opção?

Encontrar um reserva confiável para Tony Parker sempre foi um problema para o San Antonio Spurs. Desde que o francês desembarcou no Texas, em 2001, poucas vezes pôde ir descansar tranquilo durante as partidas. Na função de substituir o francês, muitos já passaram; alguns com mais sucesso, outros com menos, mas entra ano e sai ano e este é um problema que volta à tona.

E quando ele tiver que descansar?
Terry Porter, Speedy Claxton, Jason Hart, Nick Van Exel, Beno Udrih e Jacque Vaughn tiveram a missão, antes de George Hill assumi-la em 2008 e solucionar temporariamente o problema. Mas com a troca do armador para o Indiana Pacers, na negociação que trouxe Kawhi Leonard ao Spurs, em 2011, Gregg Popovich estava novamente com o abacaxi nas mãos para descascar.
O início animador de T.J. Ford na última temporada empolgou os torcedores, que viram no armador um reserva à altura para Tony Parker. Mas um problema crônico na coluna forçou a precoce aposentadoria de Ford e deixou o Spurs sem um substituto para o astro francês, já que Cory Joseph, draftado em 2011, ainda estava muito cru para a NBA.

Neal foi usado na armação na última temporada
A solução encontrada por Popovich foi improvisar Gary Neal na posição, opção mantida durante toda a temporada, mesmo após a chegada do australiano Patrick Mills ao elenco.
Para 2012/2013, o treinador terá novas opções para dar valiosos minutos de descanso à Parker. Primeiro porque Mills está mais ambientado ao esquema tático e vem cheio de confiança depois da boa participação nas Olimpíadas de Londres, liderando a seleção da Austrália.
Outra opção para Pop é o novato Nando De Colo, que já nos jogos de pré-temporada mostrou visão de jogo acima da média e está disponível para atuar como armador principal se necessário.
A escolha de Popovich, no entanto, deve ser mesmo Gary Neal. O treinador já deu declarações que deve manter o ala-armador improvisado na posição, pelo menos no início da temporada. Então Mills e De Colo terão de correr atrás de seus minutos.
Mas manter Neal improvisado como reserva imediato na armação não me parece a melhor decisão quando se tem outros jogadores com características mais condizentes com a função. Não que ele tenha ido mal quando exigido – até conseguiu executar bem o “feijão com arroz” -, mas Neal claramente não tem o “cacoete” de armador.
O ponto forte de seu jogo é o arremesso e atuar na posição 1, sendo obrigado a iniciar as jogadas ofensivas, acaba sacrificando muito sua principal arma. Com a bola nas mãos, Neal tem visão de jogo limitada e, muitas vezes, acaba tomando decisões erradas, forçando chutes desnecessários.

Mills irá para sua segunda temporada em San Antonio. Chegou a hora de brilhar?
Armador de origem, Mills me parece pronto para ter uma oportunidade. Com ótimo controle de bola e habilidade para pontuar, tem características mais parecidas com as de Parker. Depois do período de adaptação que passou na última temporada, entrosamento não deve ser mais um problema.
De Colo também está mais habituado à função do que Neal. O francês se acostumou a jogar com a bola nas mãos durante seu período na Espanha, e, embora seja menos pontuador que Parker, é um excelente passador.
Popovich é um técnico teimoso e quando coloca algo na cabeça é difícil mudar de ideia. Mills e De Colo terão de mostrar no dia a dia, nos treinos e durante as partidas, que podem assumir a posição. Mais até que o trabalho ofensivo, terão de provar evolução defensiva para deixar o técnico com uma boa “dor de cabeça” na hora de decidir a rotação.
A confiança do novato em San Antonio
Nos três primeiros jogos do San Antonio Spurs na pré-temporada – vitórias sobre o Montepaschi Siena e o Atlanta Hawks e revés frente ao Denver Nuggets -, Nando de Colo começou sua trajetória na equipe texana. Aos 25 anos de idade, o jogador, selecionado pela franquia na 53ª escolha do Draft de 2009, acumulou experiência em ligas europeias e atuando pela seleção francesa antes de desembarcar na NBA. E essa bagagem, somada a um lance crucial protagonizado pelo atleta, pode ser decisiva em sua carreira.

De Colo em ação; francês decidiu o jogo contra o Hawks (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)
Falo do arremesso de De Colo convertido no último segundo do jogo contra o Hawks, em jogada desenhada por Tony Parker, que havia sido poupado da partida. A cesta deu a vitória para o Spurs por 101 a 99 sobre o rival. Impossível não lembrar de dois lances semelhantes que aconteceram nas duas últimas pré-temporadas: em 2010, o time de San Antonio venceu o Los Angeles Clippers por 100 a 99 com um tiro de três pontos de Gary Neal, em lance idealizado por Manu Ginobili. No ano passado, foi a vez de Kawhi Leonard dar a vitória por 97 a 95 da equipe texana sobre o Houston Rockets.
Os arremessos precisos, feitos antes de suas primeiras temporadas na NBA, aumentaram a moral de Neal e Leonard e fizeram com que eles ganhassem a confiança do grupo. Coincidência ou não, os dois foram os novatos que mais causaram impacto na rotação do Spurs nos últimos anos, superando George Hill, DeJuan Blair e Tiago Splitter.
Até aqui, De Colo vem apresentando médias de cinco pontos (42,9% FG, 14,3% 3 PT, 100% FT), 4,7 assistências, 1,7 rebotes e 1,7 roubadas de bola em 18,7 minutos por exibição na pré-temporada. Apesar do começo razoável e do arremesso decisivo contra o Hawks, o francês, que pode atuar nas posições 1 e 2, terá de suar para conseguir tempo de quadra.
Em entrevista recente, o treinador Gregg Popovich afirmou que pretende manter Neal como armador reserva, ao menos no início da temporada. Isso significa que De Colo, ao lado de Cory Joseph e Patrick Mills, sequer fará parte da segunda unidade do Spurs quando o próximo campeonato começar. Os armadores terão de ganhar a confiança do técnico durante treinos e nas raras oportunidades que receberem.
Para conseguir seu lugar na rotação, De Colo tem alguns aspectos de seu jogo a melhorar: o arremesso de três pontos, já que ele acertou apenas um dos sete tiros do perímetro que tentou com a camisa do Spurs, e a defesa, uma das principais exigências de Pop durante a pré-temporada. Além disso, em suas infiltrações, um de seus pontos fortes, o francês terá de aprender a combater marcadores e pivôs muito mais atléticos do que está acostumado. Se conseguir desenvolver estes fundamentos, o francês tem tudo para conseguir uma boa trajetória na NBA. Confiança e experiência para isso ele já tem.
Que comecem as batalhas
A espera enfim acabou! Pela primeira vez desde o dia seis de maio, o plantel principal do San Antonio Spurs entrará em ação – a equipe recebe neste sábado (6), no AT&T Center, o Montepaschi Siena, da Itália, no primeiro jogo da pré-temporada. Em quadra, veremos um elenco com poucas mudanças em relação ao último campeonato, que terminou com a derrota para o Oklahoma City Thunder na final da Conferência Oeste. Mesmo assim, o time ainda tem alguns pontos a resolver e algumas batalhas para assistir – e o resultado pode ser determinante para o produto final.

Estavam com saudades deles? (D. Clark Evans/NBAE/Getty)
Dessas batalhas internas, a mais óbvia é pelo último lugar aberto no elenco. A NBA permite um máximo de 15 jogadores. 12 têm contratos firmados para a próxima temporada: Tony Parker, Patrick Mills, Cory Joseph, Nando de Colo, Manu Ginobili, Danny Green, Stephen Jackson, Kawhi Leonard, Boris Diaw, Matt Bonner, Tim Duncan e Tiago Splitter. Além deles, Gary Neal e DeJuan Blair têm vínculos parcialmente garantidos com a franquia texana e podem ser dispensados a qualquer momento, sem custos – o que dificilmente acontecerá.
Como expliquei em minha última coluna, meu candidato predileto à 15ª vaga é Derrick Brown. Versátil, o ala pode atuar nas posições 3 e 4 e se destaca por uma característica que está em falta entre os jogadores citados no último parágrafo: o atleticismo. Mas entendo aqueles que argumentam que o reforço ideal para o Spurs seja um jogador de garrafão. Por isso, vale lembrar que também estão na briga os big men Josh Powell, Eddy Curry (leia mais sobre ele na coluna do Victor Moraes) e Tyler Wilkerson (leia mais sobre ele no blog Destino Riverwalk).
Mas se engana quem pensa que as brigas do elenco texano se resumem aos jogadores que vêm de fora. Dentro do plantel, existem aqueles que precisarão lutar por cada minuto em quadra – especialmente no perímetro. Na posição 3, Leonard e Jackson devem revezar-se. E a dupla de armação formada por Parker e Manu deve seguir como um dos pontos fortes da equipe. Mas quem serão seus reservas imediatos?
De acordo com reportagem do site americano Air Alamo, Neal acredita que vá começar a temporada na função de armador reserva. O jogador, que tem o arremesso como ponto forte, acredita que a base que chegou a jogar o melhor basquete do último campeonato e emplacar uma sequência invicta de 20 partidas será mantida.
“No ano passado, tivemos uma sequência de 20 jogos sem perder e vencemos dez jogos seguidos nos playoffs comigo de armador reserva. A não ser que contusões ou coisas assim ocorram, ou que eu seja superado na função, eu provavelmente serei o armador reserva novamente”, afirmou o jogador.
No treino aberto do Spurs, Neal iniciou como armador de uma das equipes. Ao lado de Green, que também iniciou a atividade em quadra, o camisa #14 sai na frente na briga por minutos quando Parker e Manu estiverem descansando. Isso prova que Mills, Joseph e De Colo precisarão trabalhar duro e provar para Pop que também merecem jogar.
As questões parecem pequenas, mas podem ser determinantes para o futuro do Spurs. Ano passado, a equipe esteve muito perto da final da NBA, e acertar em detalhes como esses pode ser um caminho para que a campanha do último campeonato seja superado. A caminhada começa neste sábado.
Reforço de peso?

Começaram oficialmente no início desta semana os treinamentos para a temporada 2012/2013 da NBA. Para o San Antonio Spurs, não foi diferente e a equipe realizou um treino aberto para o público no AT&T Center. Mas o assunto mais comentado da semana em San Antonio foi outro: a contratação de Eddy Curry, que fará parte do elenco que disputa a pré-temporada – a primeira partida será neste sábado (6), quando os texanos recebem os italianos do Montespachi Siena.

Foi mais ou menos esta a minha cara ao ver o nome de Eddy Curry na lista (D. Clark Evans/NBAE/Getty)
Confesso que a contratação de Curry me pegou de surpresa e me assustei ao ver o nome do pivô na lista de 20 atletas que iniciaram os treinamentos. Não é o perfil de jogador em que a diretoria do Spurs costuma apostar suas fichas. O pivozão, de 2,13m de altura, se tornou mais conhecido nos últimos anos pelo problema em controlar o peso do que pelo seu basquete.
Mas afinal, qual foi o objetivo desta contratação? O que Eddy Curry tem a adicionar ao Spurs? Estou tentando entender até agora… Aqui vão algumas das minhas teorias do que se passou pela cabeça da diretoria.
Primeiramente, Curry nada mais é do que uma aposta. Apesar de já ter 11 anos de experiência na NBA, o camisa 52 começa a temporada 2012/2013 praticamente do zero. Como se fosse um novato, o pivô tem de buscar o seu espaço e mostrar que ainda merece mais uma chance.
O Spurs já tem 14 jogadores sob contrato para iniciar o campeonato e resta apenas mais uma vaga no elenco – o máximo permitido no início da temporada regular é 15 atletas. Isso quer dizer que ele briga com outros seis jogadores pelo último posto aberto. Apesar de que, na prática, a briga será mesmo com Derrick Brown, ala que pode jogar nas posições 3 e 4, e Josh Powell, ala-pivô que tem o atleticismo como ponto forte. Ou seja, o Spurs não tem nada a perder. Se der certo, ótimo; bons pivôs nunca são demais em uma liga que anda escassa de big men. Se não der, há outros atletas prontos para abocanhar a chance.

Olhando assim, nem parece tão gordo (D. Clark Evans/NBAE/Getty)
Curry tem talento para conseguir seu espaço. Quarta escolha do Draft de 2001, viveu o auge na temporada 2006/2007, quando registrou médias de 19,5 e sete rebotes por jogo, acertando 57,6% dos tiros de quadra. Defender nunca foi sua praia, mas no ataque o pivô tinha ótima capacidade. Desde então, sua carreira foi ladeira abaixo. Engordou uma barbaridade e virou motivo de piada. Nos últimos quatro campeonatos, entrou em quadra em só 24 jogos, totalizando 157 minutos jogados. Muito pouco.
Disposto a retomar a carreira, Curry se apresentou ao Spurs mais magro do que o esperado, surpreendendo até mesmo o técnico Gregg Popovich. Mas só emagrecer não será o suficiente para convencer o exigente treinador. Depois de tanto tempo praticamente inativo, ele precisa provar que ainda consegue jogar basquete em alto nível. O pivô não tem uma temporada “de verdade” desde 2007/2008, quando jogou em 58 partidas pelos Knicks.
Esta deve ser a última chance na carreira para Curry mostrar o seu valor. Se o gigante provar que tem disciplina e está mesmo disposto a voltar a ser como antes, não há lugar melhor que em San Antonio. Em Tim Duncan, ele pode ter um espelho, e em Popovich o comandante durão que não o deixará sair da linha. Resta a ele mostrar que ainda mantém pelo menos parte do antigo talento, que um dia o colocou como um dos mais promissores pivôs da atual geração.
Powell, Wilkerson e o mito do pivô
Durante toda a offseason, defendi a tese de que o San Antonio Spurs precisava encontrar um jogador de garrafão com presença física e boa capacidade defensiva para entrar definitivamente na lista dos favoritos ao título da NBA. Acredito que a equipe, que chegou a jogar o melhor basquete da liga no último campeonato, principalmente entre o fim da temporada regular e a final da Conferência Oeste, tenha sido eliminada pelo Oklahoma City Thunder principalmente por conta da força dos pivôs do adversário. No entanto, vendo agora que Tyler Wilkerson e Josh Powell foram as únicas peças adicionadas para o setor, começo a pensar que a solução pode ser outra.

Wilkerson em ação pelo Spurs na Summer League; será que ele pode ser solução?
Claro que encontrar um pivô com as características certas seria a solução ideal para lidar com garrafões como o do Thunder, que tem os físicos Serge Ibaka e Kendrick Perkins. Mas não é a única alternativa. Prova disso é o atual campeão Miami Heat, que, na final, usou apenas Chris Bosh no garrafão para superar o rival. A teórica desvantagem no tamanho foi superada pela agilidade da formação colocada em quadra e pelo atleticismo de jogadores como Dwyane Wade e LeBron James no perímetro.
Na última temporada, o próprio Spurs provou ser possível enfrentar garrafões mais fortes sem necessariamente contar com ajuda de pivôs de presença física. Poucos dias depois de deixar Andrew Bynum pegar 30 rebotes, a equipe texana, com os ajustes corretos, contou com ajuda dos homens de perímetro, viu Boris Diaw fazer ótimo trabalho sobre Pau Gasol, mantendo-o longe da cesta, e venceu o Los Angeles Lakers com facilidade.
Cito esses exemplos para explicar que acredito que encontrar uma solução tática seja melhor do que confiar em Powell ou Wilkerson. O primeiro, no alto de seus 2,06 m de altura, é um especialista no trabalho sujo. Porém, na temporada 2010/2011, quando pisou em uma quadra de NBA pela última vez, o ala-pivô apresentou médias de 7,4 rebotes e 0,3 tocos a cada 36 minutos pelo Atlanta Hawks, o que está longe de ser animador para uma franquia que precise de jogadores bons em combater infiltrações.
Wilkerson, por sua vez, seria uma aposta para o futuro se contratado. O ala-pivô, de apenas 24 anos de idade, apresentou médias de médias de 16,6 pontos e 6,7 rebotes por partida atuando pelo Maccabi Haifa, de Israel, na última temporada. Teve a chance de defender o Spurs na Summer League, saiu do banco de reservas na maioria das partidas e sustentou médias de 9,3 pontos e cinco rebotes por partida. Mas o jogador não tem qualquer experiência na NBA e dificilmente conseguiria causar impacto imediato.
Por isso, entre os jogadores que brigam pela 15ª vaga no elenco do Spurs, meu favorito é Derrick Brown (escrevi mais sobre ele em minha última coluna). Atlético e versátil, o ala daria uma interessante alternativa para o técnico Gregg Popovich: revezar-se com Kawhi Leonard e Stephen Jackson nas posições 3 e 4 na formação conhecida como small-ball, em que só um jogador de garrafão fica em quadra. Deu certo com o Heat, que usou LeBron e Shane Battier nas alas na final, forçando Ibaka a sair de perto da cesta.
Claro que encontrar o jogador certo seria o ideal para solucionar o problema do Spurs em enfrentar garrafões mais fortes. Mas, olhando mais de perto para o elenco de 18 jogadores que fará a pré-temporada da equipe, uma solução alternativa parece mais perto. Confio mais na capacidade de Pop de encontrá-la do que no poder que Powell e Wilkerson podem ter para alterar este panorama.

