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Tim Duncan ainda é um All-Star?
17,8 pontos e 10,2 rebotes em apenas 30,4 minutos por jogo. Os números, que fazem inveja a 90% dos alas-pivôs e pivôs da liga, pertencem a um certo veterano de 36 anos chamado Tim Duncan. O lendário camisa #21, que não apresentava médias tão boas na soma dos dois fundamentos desde a temporada 2008/2009, tem sido figura fundamental para o San Antonio Spurs, atual vice-líder da Conferência Oeste. Suficiente para torná-lo titular do All-Star Game? Até aqui, a resposta dos fãs da NBA é não.

Cena comum na temporada: Duncan dominando novatos (Sam Forencich/NBAE/Getty Images)
Entre os alas e pivôs, em novo modelo na votação introduzido neste ano, Duncan aparece em quarto no Oeste, com 189.577 votos. Os três titulares parecem bem consolidados: Kevin Durant, do Oklahoma City Thunder, com 605.965; Blake Griffin, do Los Angeles Clippers, com 307.855; e Dwight Howard, do Los Angeles Lakers, com 434.168. Uma pena, já que a presença no jogo festivo seria uma forma de premiar uma temporada que, talvez, esteja entre as melhores da carreira do ídolo do Spurs.
Quem acha que estou exagerando pode ler este artigo de Eric Koreen, jornalista que cobre o Toronto Raptors para o Washington Post, recomendado por Giancarlo Giampietro, blogueiro do UOL Esporte. Nele, são expostos os números de Duncan na temporada 2001/2002, quando o jogador ganhou o primeiro de seus dois prêmios de MVP: foram 22,6 pontos, 11,3 rebotes e 2,2 tocos por jogo com 50,8% de acerto nos tiros de quadra. Agora, 17,8 pontos, 10,2 rebotes e 2,6 tocos, com 51,3% de acerto nos arremessos. Que tal? Os números atuais, aliás, fazem o autor do texto sugerir que o ala-pivô seja um dos favoritos ao prêmio de melhor defensor da temporada, atrás apenas de Joakim Noah, do Chicago Bulls.
Além disso, na semana passada, Duncan fez uma de suas melhores atuações nos últimos tempos ao anotar 22 pontos, coletar 21 rebotes e distribuir seis tocos na derrota do Spurs para o Utah Jazz. Foi o quarto jogo da carreira do ala-pivô com pelo menos 20 pontos, 20 rebotes e cinco tocos. Nenhum outro jogador em atividade conseguiu a marca tantas vezes. Nenhum!
Os números não mentem: o ala-pivô ainda merece estar entre os titulares do All-Star Game. Mas temos de dar um desconto por se tratar de uma votação popular. Os fãs da liga muitas vezes votam com o coração e, outros, preferem jogadores espetaculares em detrimento dos eficientes. Duncan não vai completar pontes aéreas, nem saltar sobre um carro, nem converter seis cestas de três pontos seguidas. A opção por Durant, Griffin e Howard é compreensível.
Assim como Parker – que aparece em sétimo na eleição de armadores do Oeste – perde força na briga pelo MVP, Duncan também sofre o mesmo fenômeno por atuar em uma equipe de mercado pequeno, que, mesmo vencedora, não tem apelo nacional nos Estados Unidos. Talvez o lendário camisa #21 precise ir ao jogo festivo pela opção do treinador designado. Talvez, nem isso. Mas, para nós, torcedores do Spurs, fica a certeza: temos ao menos um All-Star representando as cores do nosso time.
Porque Tony Parker não vai ser o MVP
A temporada 2012/2013 é, no mínimo, a segunda que tem Tony Parker como principal jogador do San Antonio Spurs. Enquanto Manu Ginobili e Tim Duncan já sentem o peso da idade e precisam controlar seus minutos para que seu alto nível de atuações seja mantido, o francês chega aos 30 anos de idade no auge da maturidade de seu jogo e apresentando exibições cada vez melhores. Tudo isso fez com que o camisa #9 aparecesse na oitava colocação na corrida pelo MVP do site oficial da NBA. Será que ele tem chances de levar o prêmio? Eu, sinceramente, acho que não.

Contra o Rockets, Parker brilhou novamente (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)
Não me levem à mal: sou fã incondicional de Parker. Fui contra aqueles que defendiam sua troca por um astro de outra posição na época em que George Hill brilhava com a camisa do Spurs. Hoje, na NBA, o francês tem potencial para dominar uma partida como qualquer outro jogador da liga – prova disso são suas médias de 18,2 pontos e 7,3 assistências em 32,3 minutos por partida, com aproveitamento de 50% nos arremessos de quadra. Só acho que o armador não tem as características que fazem a liga premiar seus MVPs.
Vale lembrar que a honraria é concedida não ao melhor jogador, mas ao mais valioso. Parker não tem o potencial para vender camisetas e aparecer em anúncios publicitários como Kobe Bryant, LeBron James e Kevin Durant, por exemplo, têm. Talvez, o fato do armador ser estrangeiro contribua para seu menor apelo entre os fãs da liga. Além disso, vale lembrar que o francês joga no Spurs, o que dificulta em várias frentes sua campanha rumo ao MVP.
Primeiro, por causa do jogo coletivo do time texano. Parker jamais terá média de 25 pontos por jogo. Não porque não tenha talento para isso, mas porque joga em uma equipe em que os coadjuvantes, todos, sabem colocar a bola na cesta. Isso faz com que o francês arremesse menos do que os outros concorrentes ao prêmio. Além disso, o talento dos reservas do time de San Antonio faz com que o armador seja preservado por vários momentos, jogando menos minutos por partida do que outros astros da liga.
Vale citar também a preferência do Spurs por jogadores low profile. Quanto menos seus atletas aparecerem na imprensa, melhor para R.C. Buford, Gregg Popovich e companhia. Parker, vez ou outra, ainda se envolve em pequenas polêmicas, como a lesão no olho e a foto de Halloween. Mas nada que o faça ganhar muito espaço na mídia nacional nos Estados Unidos.
Por fim, não custa lembrar que a imagem do Spurs não anda muito boa com as autoridades da liga. A multa imposta à franquia, que decidiu poupar seus titulares no jogo contra o Miami Heat, é exemplo dessa tese. Além disso, a imprensa americana diz que a NBA estuda uma alternativa para proibir táticas como o hack-a-Shaq, popularizada justamente por Pop.
Parker tem, sim, talento para chegar ao nível de ser considerado o melhor jogador da NBA. Mas talvez não tenha apelo para ser eleito o mais valioso. Quem sabe, no entanto, o francês possa ser premiado nesta temporada com seu segundo prêmio de MVP das finais, como já aconteceu em 2007.
Hora de provar que valeu a pena
Nunca imaginei que a opção de Gregg Popovich de poupar os principais jogadores do San Antonio Spurs na partida contra o Miami Heat fosse causar tanta polêmica. David Stern, comissário da NBA, decidiu punir a franquia texana por conta da decisão. Mas o time respondeu às críticas engrossando o jogo contra o atual campeão da liga. Agora, contra o Memphis Grizzlies, será hora de provar definitivamente que tudo isso valeu a pena.

Pop reclamando dos árbitros: hoje é dia
Entendo que, olhando para o lado dos torcedores, a decisão de Pop não é a ideal. Já fiquei bravo ao comparecer a um estádio de futebol e ser pego de surpresa com o anúncio de última hora de que meu time do coração jogaria com os reservas. Além disso, Spurs x Heat era o jogo da TNT, o único daquele horário, que foi transmitido para todo o território americano. Sem dúvidas, a partida perdeu em apelo com a ausência, principalmente, do Big Three. Mas o treinador não é pago para pensar em nada disso.
O trabalho de Pop é pensar no melhor para o Spurs. Provavelmente, estava claro na cabeça do treinador que seu time, que vinha de uma sequência de nove dias sem pisar em San Antonio, dificilmente conseguiria vencer o Heat e, dois dias depois, o Grizzlies. Por isso, o técnico preferiu priorizar o confronto direto dentro da Conferência Oeste. Se não bastasse o descanso para os veteranos, a decisão ainda deu confiança para os reservas, que fizeram um grande jogo em Miami.
No entanto, mesmo com tudo isso, o jogo contra a equipe de Memphis está longe de ser fácil. Não custa nada lembrar que o time rendeu uma das eliminações mais traumáticas da história do Spurs em playoffs, há duas temporadas. Será um duelo de dois timaços, sem favoritos a princípio. Para conseguir vencer, os texanos precisarão encontrar respostas apropriadas para duas importantes perguntas.
A primeira delas: quem será o responsável por marcar Zach Randolph? Meu candidato favorito no elenco do Spurs é Boris Diaw. A mesma versatilidade que o francês apresenta no ataque tem aparecido na defesa. Contra o Heat, o jogador me surpreendeu ao limitar LeBron James a 23 pontos, abaixo da média de 25 que o astro tem na temporada. O ala-pivô do time texano sabe fazer uso de seu corpo e, se conseguir manter o rival afastado da tábua ofensiva e limitar seus rebotes, será de grande ajuda.
A segunda pergunta é: será que Kawhi Leonard volta para esse jogo? Existe essa possibilidade. O ala seria importante para aumentar o tamanho do time de Spurs em quadra, além de conter Rudy Gay e fazer com que o ala adversário sue um pouco na defesa.
Não resta dúvidas de que a atitude de Pop tem críticos ao redor da liga. Se o Spurs perder para o Grizzlies, eles ganharão força. Talvez, o time texano precise enfrentar até mesmo algumas marcações polêmicas dos árbitros no jogo de logo mais. Mas, se vencer, o time texano terá o seu “cala a boca” completo.
Voltou para ficar?
O San Antonio Spurs começou a temporada com um elenco de 14 jogadores, um a menos do que o máximo permitido pela NBA. Isso mudou com a contratação de James Anderson, trazido de volta pela franquia texana para ajudar a sanar as ausências de Kawhi Leonard e Stephen Jackson. Com isso, o jogador, que estava se preparando para começar a temporada da D-League pelo Rio Grande Valley Vipers, tem a chance definitiva de provar que pode jogar na principal liga profissional americana de basquete.

Voltou para ficar?
Anderson chegou ao Spurs como a 20ª escolha do Draft de 2010, quando a franquia texana teve sua melhor escolha desde que selecionou Tim Duncan em primeiro no recrutamento de calouros de 1997. Credenciado por sua precisão nos arremessos de três pontos e por sua defesa decente, o ala chegou para ser esperança de um time que contava com poucas opções nas posições 2 e 3 na época. E, caso não se lembrem, ele começou bem sua trajetória.
Na pré-temporada de 2010/2011, Anderson apresentou médias de 5,3 pontos e 1,9 rebotes em apenas 18,1 minutos por partida. Acertou 36,4% dos arremessos de três pontos que tentou. Lembro-me de tê-lo visto desempenhar um bom papel defensivo atuando contra Kevin Martin e Danny Granger, o que chegou a render elogios de Gregg Popovich. No entanto, logo no início do campeonato, o imponderável aconteceu…
Depois de atuar por seis jogos e apresentar média de sete pontos por exibição, acertando impressionantes 50% dos tiros de três, Anderson sofreu uma fratura por stress no pé direito. Ficou meses afastado de um time que confiava apenas em Tony Parker, George Hill, Manu Ginobili e Richard Jefferson em sua rotação no perímetro. Como desgraça pouca é bobagem, o novato ainda viu o até então desconhecido Gary Neal assumir seu lugar com maestria e conquistar definitivamente seu lugar na equipe.
A verdade é que, depois da lesão, Anderson não conseguiu apresentar um bom basquete. Pareceu, até mesmo, atravessar dificuldades para voltar à melhor forma física. Por isso, o Spurs decidiu não exercer sua opção para renovar o contrato com o jogador. Mesmo assim, a franquia deu a ele a chance de mostrar seu jogo na Summer League deste ano, torneio em que o ala apresentou médias de 10,6 pontos e cinco rebotes em 26,6 minutos por partida, acertando, novamente, 50% dos seus tiros de três pontos.
O desempenho não foi o bastante para convencer o Spurs, mas chamou a atenção do Atlanta Hawks, que deu a Anderson a chance de participar da pré-temporada da equipe. No entanto, o ala acabou dispensado após apresentar médias de apenas dois pontos e 0,7 rebotes em 10,7 minutos por partida, acertando somente 18,2% dos arremessos de três que tentou.
Agora, Anderson viu desabar dos céus a chance de voltar a atuar na NBA. Sem alas no elenco, o Spurs viu a chance de contratar alguém barato, que conhecesse o sistema do time e que tivesse potencial na defesa e nos tiros de três pontos. Características que o tornam um bom candidato à 15ª vaga no elenco da equipe texana até o fim da temporada.
O quinto elemento
Boris Diaw, DeJuan Blair e Tiago Splitter: qual deles deve começar as partidas ao lado de Tim Duncan no garrafão do San Antonio Spurs e completar o quinteto titular, que conta ainda com Tony Parker, Danny Green e Kawhi Leonard? Aparentemente, nem mesmo o técnico Gregg Popovich tem resposta para isso. Nas últimas partidas, o treinador tem revezado o trio tanto no início quanto no fim das partidas – isso quando os três não terminam o jogo no banco e a opção é uma formação small-ball. Enquanto procura a melhor rotação, o comandante da equipe motiva a todos e deixa os três no auge do ritmo de jogo.
Hoje, eu arriscaria dizer que Blair, que começou o campeonato fora da rotação, é o favorito de Pop. O ala-pivô começou dois dos últimos quatro jogos como titular, contra o Sacramento Kings e o New York Knicks. Diaw, que iniciou a temporada no posto, teve a chance de voltar a ele contra o Portland TrailBlazers, enquanto Splitter teve a oportunidade de sair jogando contra o Los Angeles Lakers. As opções, no entanto, têm, no momento, mais a ver com as características do adversário.
Apesar de baixo para a posição, o que o torna um defensor abaixo da crítica no garrafão, Blair é o melhor reboteiro do trio. Além disso, é o que pontua com mais facilidade no pick-and-roll quando recebe passes de Tony Parker e Manu Ginobili. Usando estatísticas avançadas, o camisa #45 tem médias de 17,5 pontos, 10,9 rebotes e 0,4 tocos a cada 36 minutos, além de 38,2% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 100% nos lances livres.
Splitter, por sua vez, é o segundo melhor defensor interior do elenco, atrás apenas de Duncan. Por isso, talvez, Pop opte por utilizar tão pouco os dois ao mesmo tempo – para que sempre um deles esteja em quadra. Além disso, o brasileiro, assim como o lendário ala-pivô, também consegue pontuar quando recebe a bola de costas para a cesta. Usando estatísticas avançadas, o pivô tem médias de 16,3 pontos, 7,7 rebotes e 1,8 tocos a cada 36 minutos, além de 54,5% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 63,2% nos lances livres – teoricamente, um de seus pontos fracos.
Por incrível que pareça, acho que a promoção de Blair para o time titular pode ser benéfica a Splitter. Digo isso porque o brasileiro é aquele que tem mais dificuldades para dividir espaço com outro jogador com presença no garrafão. Atuando na segunda unidade ao lado de bons passadores, como Manu Ginobili e Stephen Jackson, o pivô tende a render melhor.
Digo isso porque, no time reserva, Splitter dividiria a quadra com Diaw, ala-pivô com técnica fora do comum para a posição e que tem como especialidades abrir a quadra e movimentar a bola com maestria. Na temporada, usando estatísticas avançadas, o francês tem médias de 9,1 pontos, 7,6 rebotes e 0,3 tocos a cada 36 minutos, além de aproveitamento de 60,7% nos tiros de quadra, 62,5% nos lances livres e 25% nos arremessos de três pontos – característica ausente nos seus concorrentes.
Um bom reboteiro e pontuador, um defensor com presença interior e um passador que abre a quadra. Pop tem boas opções na briga pela quinta vaga de titular da equipe e não tem pressa para resolver a dúvida. Enquanto testa os três, o treinador pode escalar seu time de acordo com o que o adversário oferece. Uma prova do rico elenco que o Spurs tem à disposição.



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