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Destrinchando a nova rotação do Spurs
Engana-se quem tenta olhar para a rotação do San Antonio Spurs pensando nas cinco nomenclaturas clássicas do basquete: armador, ala-armador, ala, ala-pivô e pivô. O rígido esquema de Gregg Popovich, que já fez bons jogadores como Nando De Colo e Richard Jefferson sucumbirem, trabalha mais com funções do que com isso. Basta olhar para a segunda unidade: Manu Ginobili, teoricamente da posição 2, é quem controla a bola, enquanto Patrick Mills, em tese jogador da posição 1, trabalha mais como arremessador. Dito isso, fica mais fácil destrinchar como será a distribuição de minutos do técnico.

Aldridge deve mudar a função de Duncan (Reprodução/nba.com/spurs)
Já ficou claro, na pré-temporada, que o time titular será formado por Tony Parker, Danny Green, Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge e Tim Duncan. O ala-pivô ex-Portland TrailBlazers, principal contratação do Spurs nesta offseason, assume a vaga do trocado Tiago Splitter, empurrando The Big Fundamental definitivamente para a posição 5. Esse quinteto permite que vejamos com clareza as funções que Pop deseja para montar suas unidades.
O treinador gosta de ter alguém capaz de iniciar as jogadas a partir de pick-and-rolls e de ler a defesa adversária para saber se passa ou se infiltra. Na equipe titular, este é Parker. Pop trabalha ainda com mais dois homens no perímetro. Ao menos um tem de ser um arremessador acima da média da linha dos três (Green), ao menos um precisa assumir a função de segundo condutor de bola para aliviar o criador de jogadas (Kawhi) e, se possível, um ajuda se souber criar jogadas a partir do poste baixo, de costas para a cesta (Kawhi).
Em relação aos alas-pivôs e pivôs, um fica mais afastado da cesta, ajudando a criar jogadas da cabeça do garrafão e trabalhando arremessos de média e longa distância, e outro fica mais próximo à cesta, finalizando jogadas de pick-and-roll e/ou pick-and-pop e auxiliando a movimentação de seus colegas sem a bola com bloqueios. Duncan, que até a temporada passada fazia a primeira função, deve passar a exercer a segunda, deixando Aldridge mais livre para ser um dos centros do ataque da equipe texana na temporada.
Na segunda unidade, Boris Diaw, até a temporada passada, se revezava entre a função mais externa entre os alas-pivôs e pivôs, quando jogava com Aron Baynes, e a mais interna, quando dividia a quadra com Matt Bonner. A partir de agora, deve ser fixado longe da cesta, para que David West, outro dos principais reforços do Spurs, trabalhe perto da área pintada.
No perímetro, Ginobili segue como o maior condutor de bola, enquanto Mills herda a função de Green e trabalha como principal arremessador da unidade. A questão é que, ao perder Marco Belinelli, que converteu 37,4% dos tiros de três na última temporada, o time reserva deve perder em espaçamento de quadra. Nesta fase preparatória, dos candidatos a herdarem a função, só Ray McCallum teve desempenho superior: 40%. Kyle Anderson acertou 33,3% das bolas de longa distância, enquanto Jonathon Simmons errou as quatro que tentou.
Mesmo assim, Anderson surge como favorito à vaga. Participou dos seis jogos da pré-temporada, assim como seus concorrentes, mas somou 126 minutos, contra 85 de Simmons e 81 de McCallum. Por isso, o ala deve fazer no time reserva o que Kawhi faz no titular: ser o segundo condutor de bola e trabalhar como criador de jogadas a partir do poste baixo.
Sobram cinco jogadores fora das duas unidades no elenco final do Spurs para a temporada: McCallum seria uma alternativa para a função de principal condutor de bola e criador a partir do pick-and-roll, exercida por Parker e Ginobili; Simmons, deficiente no arremesso de três, trabalharia como segundo condutor de bola, como Kawhi e Anderson; Boban Marjanovic é um pivô clássico e exerce a função interna como Duncan e West; e Rasual Butler e Matt Bonner são opções para mudar o estilo de jogo e trabalharem como um ala-pivô arremessador do perímetro, alterando um pouco o trabalho feito por Aldridge e Diaw.
Vale lembrar que, quando poupa jogadores, Pop costuma trazer o segundo reserva para o time titular para não mexer na química da segunda unidade. Assim, nos compromissos em que preservar Parker, Ginobili e Duncan, é possível imaginar o time titular com McCallum, Green, Leonard, Aldridge e Marjanovic. A segunda unidade teria Simmons e Anderson se revezando no controle de bola, com Mills como arremessador e Diaw e West no garrafão.
São opções que mostram a profundidade do elenco que o Spurs acaba de montar.
A temporada do Spurs em números

Quem souber de cabeça todos os recordes atingidos pelo San Antonio Spurs e por seus jogadores durante a temporada 2014/2015 merece ganhar um prêmio. Pensando nisso, o site oficial da franquia texana reuniu 14 destas marcas em uma página especial. Entre os novos números estabelecidos pelo alvinegro, é possível citar:

Duncan e Pop fizeram história (Foto: Reprodução)
- Maior número de triunfos de um jogador (Tim Duncan) com um treinador (Greeg Popovich): 951 vitórias;
- O trio Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan agora soma 659 vitórias, contando jogos de temporada regular e playoffs, e ultrapassou as 632 de Larry Bird, Kevin McHale e Robert Paris pelo Boston Celtics;
- The Big Fundamental ultrapassou os 9.000 minutos jogados em playoffs. É o líder histórico em bloqueios, com 555 na pós-temporada. Também é o jogador mais velho (39 anos) a conseguir três jogos com pelo menos 20 pontos e dez rebotes em uma série, além de conquistar double-doubles em seis jogos do confronto contra o Los Angeles Clippers, aumentando o recorde conquistado no ano passado para 164;
- Tony Parker atingiu 700 vitórias na temporada regular com apenas 973 jogos na carreira, ultrapassando Scottie Pippen, que precisou de 980, e Tim Duncan, que precisou de 991. O francês também tem o melhor aproveitamento nos primeiros 1.000 jogos de sua carreira, com 718 vitórias;
- Kawhi Leonard terminou com média de 2,31 roubos de bola por jogo, liderando a estatística na temporada. O número o ajudou a ser premiado como jogador defensivo do ano;
- Apesar de ter apenas 22 vitórias e 19 derrotas jogando fora de casa, o Spurs teve saldo positivo como visitante pela 18ª vez consecutiva. Além disso, os 55 triunfos contribuíram para a equipe conseguir a marca de ao menos 50 pela 16ª vez seguida. Defensivamente, o time manteve os oponentes com médias abaixo de 100 pontos por exibição pela 20ª temporada consecutiva;
- A dupla Tony Parker e Tim Duncan atingiu 126 vitórias na pós-temporada, ultrapassando os 123 de Derek Fisher e Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers;
- A franquia chegou aos playoffs 35 vezes, mesmo número do Los Angeles Lakers, porém com o melhor aproveitamento (61,5%).
Também é possível destacar:
- Tim Duncan atingiu os 25.000 pontos, feito conquistado por apenas 19 jogadores. Porém, se somarmos os 14.000 rebotes e 2.000 bloqueios, The Big Fundamental junta-se a Kareem Abdul-Jabbar como os únicos a atingir tais números. Se consideramos apenas os playoffs, o astro do Spurs atingiu os 5.000 pontos, tornando-se o quinto da lista. No quesito double-doubles, o ala-pivô deixou Karl Malone pra trás e totalizou 830, tornando-se o quinto na história. O camisa #21 ainda chegou 2.941 bloqueios, precisando de apenas 14 para passar o almirante David Robinson, quinto na relação;
- Manu Ginobili é o terceiro em acertos de bolas de três pontos nos playoffs, atrás apenas de Reggie Miller e Ray Allen;
- Gregg Popovich atingiu a marca de 1.000 vitórias na temporada regular, finalizando com 1.022 com a mesma franquia, e está atrás apenas de Jerry Sloan, do Utah Jazz. Nos playoffs, possui 152, e está atrás apenas de Phil Jackson e Pat Riley;

Duncan também fez história no All-Star Game (Foto: Reprodução)
Mais algum marco atingido nesta temporada que esqueci de citar?
Uma ‘brasileira texana’ em NY
Por Regiane Morais – de Nova York, EUA
Existem várias músicas que falam que Nova York é um lugar onde sonhos são realizados. No fim das contas isso é verdade, mesmo com alguns desvios não programados no caminho…
Quando deu tudo certo para uma tão desejada viagem para a Big Apple, decidir a data foi a coisa mais fácil de toda a programação: abrir o site do San Antonio Spurs, ver quando eles enfrentariam o New York Knicks nesta temporada regular e pronto.

O imponente Garden (Arquivo pessoal)
A primeira coisa que me impressionou foi o tamanho do Madison Square Garden. Estamos acostumados a olhá-lo pela televisão e/ou pelo computador, mas ver pessoalmente aquela arena é muito legal. Mesmo nos setores mais altos (que foi o meu caso), a visibilidade é muito boa, ainda mais com a ajuda daqueles telões enormes.
Já na subida, ficam pessoas recepcionando os visitantes. Estavam entregando bandanas do time da casa e aquelas mãos de borracha com o indicador pra cima. Quando eu vi o que era, agradeci e disse que não queria. Quando o cara me perguntou porque, só mostrei minha camiseta, e ele: “No man!” Tudo com muito bom humor; tinha obviamente muitos torcedores do time da casa, mas muitos Spurs marcavam presença também.
É bem legal ver o que acontece quando normalmente estamos vendo os comerciais das transmissões: a apresentação dos times, atrações musicais, camisetas jogadas para a torcida, torcedores tentando acertar cestas para ganhar prêmios…

Indescritível estar nas mesmas coordenadas geográficas que o Timmy (Arquivo pessoal)
Não vou falar muito do jogo em si. Já saiu resumo e enfim, o resultado não é exatamente a melhor memória da noite (saudades conversão de lances livres). Aqueles dois momentos no quarto período em que houve revisão de jogada e a bola em ambas as vezes foi do Spurs foi algo divertido porque os torcedores do Knicks ficaram indignados! Nesse fim de jogo, a torcida acordou para gritos de “defense” e, olha, eu mesma gritei uns “go Spurs, go” várias vezes.
Preciso confessar que várias vezes eu ficava pensando: sério que estou aqui? Sério que eles fizeram esse passe maravilhoso? (foi entre Kawhi Leonard e Patrick Mills em algum momento do primeiro tempo). É aquele tipo de emoção que só quem gosta muito de basquete vai entender. Espero que tenha sido a primeira partida de muitas!

Direto do Garden (Arquivo pessoal)
Spurs no Rio de Janeiro?

Confesso que fiquei muito feliz em saber que a NBA planeja organizar mais um jogo de temporada regular no Brasil. De acordo com o blog Bala Na Cesta, o jogo provavelmente acontecerá na primeira quinzena de outubro, novamente na HSBC Arena, no Rio de Janeiro. Os times que irão jogar a partida ainda não foram definidos, porém a probabilidade da liga escolher uma franquia que conta com um jogador brasileiro no elenco é muito grande.

Splitter no Brasil? Acho que não contra o Wizards… (Reprodução/nba.com/spurs)
Ótima notícia para os fãs brasileiros do San Antonio Spurs, que poderão assistir de perto o alvinegro texano jogando em solo canarinho, se Adam Silver – novo comissário geral da NBA – aprovar o projeto. Creio, que a probabilidade do time texano ir para o Brasil é maior do que muitas pessoas pensam, por alguns fatores:
1) Nenê foi fortemente vaiado no primeiro jogo da NBA no Brasil entre, Washington Wizards e Chicago Bulls, no dia 12/10/2013, no Rio de Janeiro. Portanto, acredito que será difícil o time da capital americana jogar por aqui outra vez depois dessa saia justa.
2) Leandrinho Barbosa estava nas arquibancadas assistindo ao mesmo jogo e, quando apareceu no telão, também foi fortemente vaiado pelos fãs cariocas. Talvez o Phoenix Suns também terá que adiar a excursão a Cidade Maravilhosa.
3) Tiago Splitter é um modelo para os jogadores brasileiros da NBA que frequentemente recusam jogar pela Seleção Brasileira. O pivô participou de praticamente todas as convocações em que foi chamado. Inclusive, foi medalha de ouro na Copa América de San Juan em 2009, mesmo ano que sua irmã faleceu. Que EXEMPLO!
4) Pelo fato do Texas fazer divisa com o México, a cidade de San Antonio tem enorme influencia latina. O primeiro jogo da franquia fora dos Estados Unidos foi no dia 28 de outubro de 1994, na Cidade do México: uma vitória por 121 a 112 contra o Houston Rockets.
5) Ao longo da sua história, o Spurs jogou nove partidas fora da Terra do Tio Sam. Foram oito vitórias e apenas uma derrota. Pela proximidade geográfica e cultural, a Cidade do México já foi palco de quatro jogos do time – o quinto jogo foi cancelado essa ano por um incêndio minutos antes da partida começar. Com a influência da grande estrela Tony Parker, a equipe fez três jogos na França, em Paris e Lyon. E para finalizar, a franquia ainda se apresentou em Milão, na Itália, no McDonald’s Championship de 1999.
Será que o Spurs, enfim irá para o Brasil? Uma partida contra o Cleveland Cavaliers de Anderson Varejão seria o ideal. O que vocês acham?
A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena

Um rebote ofensivo.
Sim, foi um simples rebote ofensivo, restando 9,3 segundos para o fim do jogo 6 das finais do ano passado, pego por Chris Bosh, na Flórida, que determinou o bicampeonato do Miami Heat e fez grande parte da torcida do San Antonio Spurs xingar, reclamar, chorar ou até desmaiar. Milhares de torcedores do alvinegro estavam reunidos no Riverwalk prontos para comemorar o pentacampeonato da franquia em 14 anos, mas tiveram que voltar para suas casas com o sabor amargo da derrota. Muitos já pressentiam que provavelmente o título tivesse escapado ao fim da partida, na qual a equipe texana perdeu por 103 a 100.
Por que o rebote de Bosh foi determinante? Espera aí Adonis, esse foi só o jogo 6… O Spurs ainda teve os 48 minutos da última partida para reverter o resultado. Você está doido?

Torcedores lamentam a derrota na final (Eric Gay/AP)
Ok, vamos por partes. Primeiro, o rebote que Bosh pegou não alterou o placar, mas o ala-pivô passou a bola para Ray Allen – o melhor arremessador de 3 da história dos playoffs da NBA –, que, marcado de perto por Tony Parker, conseguiu converter a cesta de três pontos que empatou o jogo em 95 a 95 e o levou para a prorrogação. Antes do lance, muitos torcedores já se abraçavam e gritavam histericamente com a provável vitória do Spurs. A jogada foi um banho de água fria para o time texano, que perdeu o tempo extra por oito a cinco.
Quem já jogou esporte profissional e de alto nível sabe que, em um jogo decisivo, o fator mais importante para um atleta ou uma equipe é o psicológico. Estar tão perto de colocar as mãos na taça no jogo 6 foi frustrante para os jogadores, que não conseguiram encaixar seu melhor desempenho contra um inspirado Heat e sua inflamada torcida, que, depois do susto de quase perder, viram a chance de conquistar o bicampeonato na partida seguinte em um caldeirão chamado American Airlines Arena. O Spurs tinha condições técnicas de ganhar o jogo 7? Acho que sim. O Spurs tinha condições psicológicas de ganhar o jogo 7? Acho que não.
Neste domingo, é a primeira vez que o time texano irá voltar para a American Airlines Arena em um duelo de temporada regular, depois do jogo 7 das finais de 2013 – o Spurs perdeu para o Heat, fora de casa, na pré temporada por 121 a 96. Particularmente, eu acho que o duelo será um separador de águas para as ambições da franquia texana. Uma derrota significaria que realmente a equipe não tem aquele gás extra para competir contra as maiores potências.
Por outro lado, uma vitória mostraria que os “velhos” Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan ainda estão vivos, e ainda pensam em uma futura vingança…

