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Spurs (28-36) @ Grizzlies (32-34) – Temporada Regular
San Antonio Spurs @ Memphis Grizzlies – Temporada Regular
Data: 02/08/2020
Horário: 17h00 (Horário de Brasília)
Local: ESPN Wide World of Sports ComplexHouse
Onde assistir: NBA League Pass
Dois dias depois de vencer o Sacramento Kings, o San Antonio Spurs mede forças com o Memphis Grizzlies em jogo chave para a classificação rumo aos playoffs. Se vencer, o time texano fica a apenas dois jogos do adversário, oitavo colocado na Conferência Oeste. A equipe texana segue sem Bryn Forbes, Trey Lyles e LaMarcus Aldridge e ainda tem Patty Mills e Marco Belinelli como dúvidas. Do outro lado, os desfalques serão Tyus Jones e Justise Winslow.
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Confrontos na temporada (1-1)
11/11/2019 – Spurs 109 x 113 Grizzlies
No primeiro duelo entre as equipes na temporada, o Spurs perdeu para o Grizzlies na noite da aposentadoria da camisa de Tony Parker no AT&T Center. Na ocasião, o destaque do alvinegro foi LaMarcus Aldridge, que deixou a quadra com 19 pontos, quatro rebotes e quatro assistências.
23/12/2019 – Spurs 145 @ 115 Grizzlies
Na primeira visita que fez ao Grizzlies na temporada, o Spurs estabeleceu números ofensivos históricos e venceu o adversário. LaMarcus Aldridge anotou 40 pontos, nove rebotes, cinco assistências e três tocos e se destacou pela equipe texana na ocasião.
11/01/2020 – Spurs 121 @ 134 Grizzlies
Em nova visita ao Grizzlies, o Spurs foi novamente derrotado e ainda ultrapassado pelo adversário, que assumiu a oitava colocação da Conferência Oeste. DeMar DeRozan se destacou na ocasião com 36 pontos, nove assistências e nove rebotes.


PG – Dejounte Murray
SG – Derrick White
SF – Lonnie Walker
PF – DeMar DeRozan
C – Jakob Poeltl
Fique de Olho – Elogiado por Gregg Popovich como talvez o melhor defensor do elenco do Spurs, Derrick White deve ter a ingrata missão de tentar frear o astro adversário Ja Morant, candidato ao prêmio de melhor defensor da temporada. Até aqui, o jovem armador do alvinegro tem médias de 10,6 pontos, 3,4 assistências e 3,2 rebotes em 24,2 minutos por exibição na temporada.


PG – Ja Morant
SG – Dillon Brooks
SF – Kyle Anderson
PF – Jaren Jackson Jr.
C – Jonas Valanciunas
Fique de Olho – Com a formação mais baixa que o Spurs tem usado na bolha, Jaren Jackson Jr. deve ser uma ameaça ao garrafão do alvinegro. Até aqui, na temporada, o jovem ala-pivô tem médias de 17,2 pontos e 4,7 rebotes em 28,3 minutos por exibição.
Spurs (28-36) x Kings (28-37) – Sonhos e planos
129×120
O San Antonio Spurs voltou às quadras exatamente do jeito que sua torcida queria. Nessa sexta-feira (31), em seu primeiro jogo oficial na bolha montada em Orlando para a retomada da NBA, a equipe texana venceu o Sacramento Kings por 129 a 120. Os jovens mostraram potencial para que se sonhe com um futuro melhor, e os veteranos ajudaram a garantir o triunfo e manter vivo o plano de ir aos playoffs. Vamos, a seguir, aos destaques do confronto.
Derrick White se destacou contra o Kings (Reprodução/twitter.com/spurs)
A base vem forte
Gregg Popovich disse que sua prioridade na bolha de Orlando era desenvolver os jovens jogadores. Pelo menos no que se pôde ver na reestreia, o técnico pretende cumprir a promessa. Sem contar com os machucados Patty Mills, Bryn Forbes, Trey Lyles e LaMarcus Aldridge, o treinador deu grande minutagem para prospectos do elenco. Keldon Johnson, por exemplo, jogou 30 minutos, seu recorde na temporada, e Quinndary Weatherspoon disputou sua quarta partida oficial na NBA. A tendência deve continuar nos próximos compromissos, já que Marco Belinelli deixou a quadra machucado e pode engrossar a lista de desfalques.
Protagonista
Entre os jovens, o destaque foi Derrick White. O armador registrou 26 pontos, oito rebotes e cinco assistências em 34 minutos. Com ele em quadra, o Spurs fez 19 pontos a mais do que levou, melhor marca entre todos os jogadores da equipe que entraram em ação.
“Ele expandiu seu jogo. Ele é um dos nossos melhores defensores. Talvez até o melhor. Ele contesta arremessos de três, cava faltas de ataque. Ele realmente se tornou um bom jogador”, elogiou Pop, após a partida, segundo reportagem da emissora americana ESPN.
O jeito que White se doou à defesa realmente chamou atenção. O armador cavou cinco faltas de ataque e, em uma delas, perdeu parte do dente ao levar trombada do pivô adversário Richaun Holmes.
“É difícil para um treinador dizer ‘não cave essa falta’. Ele é um adulto. Ele vai ficar bem”, disse Pop.
“Tenho certeza de que ele pode comprar dentes novos”, brincou DeMar DeRozan.
Ajuda veterana
Por falar em DeRozan, os jovens não foram as únicas boas notícias do Spurs na partida. O ala-armador, por exemplo, marcou 17 dos seus 27 pontos no último quarto, ajudando a garantir o triunfo. Ele foi o cestinha do alvinegro na partida e ainda contribuiu com dez assistências e cinco rebotes.
“Ele entende as partes importantes do jogo. Ele as sente”, exaltou Pop.
Rudy Gay, com 19 pontos e oito rebotes vindo do banco, também foi importante para o resultado, especialmente convertendo bolas de três em momentos em que o Kings ameaçava assumir o controle do jogo.
Vozes importantes
Antes da partida, Gregg Popovich e Becky Hammon chamaram atenção por participarem apenas parcialmente do protesto contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos. O treinador e a assistente usaram a camisa que diz “Vidas negras importam”, mas não se ajoelharam durante a execução do hino nacional americano como os jogadores do Spurs fizeram.
“Todo mundo tem que tomar uma decisão pessoal. A liga tem sido ótima em relação a isso. Todo mundo tem a liberdade de agir como quiser. Quaisquer que sejam meus motivos, agi da maneria que quis”, afirmou Pop.
DeRozan saiu em defesa do treinador e de Hammon após a vitória.
“Foi tudo feito com o lado positivo do coração deles. Do mesmo jeito que a gente ajoelhou. Não tire nada deles. O Pop se posiciona. Sobre Becky, ela está lá na linha de frente lutando por igualdade”, declarou.
Destaques da partida
San Antonio Spurs
DeMar DeRozan – 27 pontos, 10 assistências e 5 rebotes
Derrick White – 26 pontos, 8 rebotes e 5 assistências
Rudy Gay – 19 pontos e 8 rebotes
Lonnie Walker – 16 pontos, 4 assistências e 3 rebotes
Dejounte Murray – 11 pontos, 4 assistências e 4 rebotes
Sacramento Kings
De’Aron Fox – 39 pontos, 6 assistências e 3 rebotes
Bodgan Bogdanovic – 24 pontos e 2 roubos de bola
Nemanja Bjelica – 12 pontos, 5 rebotes e 2 roubos de bola
Harrison Barnes – 10 pontos, 7 rebotes e 2 roubos de bola
Richaun Holmes – 10 pontos e 6 rebotes
Kent Bazemore – 8 pontos, 11 rebotes, 5 assistências e 2 roubos de bola
A falta que LaMarcus Aldridge fará ao Spurs
Quando o San Antonio Spurs retomar a temporada com a improvável missão de arrancar rumo aos playoffs e não ficar fora da pós-temporada pela primeira vez desde o início da carreira profissional de Tim Duncan, um desfalque deve ser sentido pela equipe dentro de quadra. Em recuperação de cirurgia no ombro direito, LaMarcus Aldridge está fora do campeonato e provavelmente fará muita falta.

LaMarcus Aldridge está fora da temporada (Reprodução/lancelivre.pt)
A temporada de Aldridge é a pior dos últimos três anos em pontos por jogo (18,9), rebotes por jogo (7,4) e no aproveitamento de quadra (49,3%). Porém, em um elenco que tem no tamanho e no arremesso seus dois mais evidentes defeitos, o camisa #12 deve ser um desfalque muito mais sentido do que a queda em sua produção ofensiva supõe a princípio.
Com 2,11m de altura, Aldridge é o segundo jogador mais alto do elenco, atrás apenas de Jakob Poeltl, que tem 2,16m. Entre os jogadores que regularmente fazem parte da rotação do Spurs, os dois foram os que mais defenderam arremessos realizados na zona restrita na temporada e os dois que mais limitaram os adversários. O americano contestou 313 bolas do tipo, segurando os oponentes a aproveitamento de 57,2%, enquanto o austríaco contestou 299 bolas do tipo, segurando os oponentes a aproveitamento de 49,2%.
Como base de comparação, Rudy Gay defendeu 176 arremessos do tipo, segurando os adversários a aproveitamento de 58,5%, e Trey Lyles defendeu 187 arremessos do tipo, segurando os adversários a 62% de aproveitamento. Números que mostram o impacto que a ausência de Aldridge causará na defesa interior do Spurs.
Do outro lado da quadra, Aldridge tentou 15 arremessos por jogo ao longo da temporada, ficando atrás apenas de DeMar DeRozan, com 15,7, no elenco. Dejounte Murray, com 9,3, completa o pódio. É possível imaginar que parte da queda de produção do ala-pivô se dê devido ao crescimento do armador, principalmente pelo fato que o trio faz parte do quinteto titular e tem nas bolas de média distância sua principal arma.
Se a temporada de Aldridge é a pior das últimas três em pontos por jogo, rebotes por jogo e aproveitamento de quadra, por outro lado é a melhor em assistências por partida (2,4), tocos por partida (1,6), roubadas de bola por partida (0,7) e porcentagem de conversão nas bolas de três pontos (38,9%). Também é a que o ala-pivô menos desperdiçou a bola, com 1,4 turnovers por jogo. Números que mostram um jogador trabalhando mais para o time enquanto divide a quadra com um talentoso jovem em ascensão.
Os arremessos de longa distância, especialmente, mostram essa nova faceta de Aldridge e o quanto ele pode fazer falta. Do trio que concentra as ações ofensivas do Spurs, ele é quem mais tenta bolas do tipo: três por partida, contra 1,6 de Murray e 0,5 de DeRozan. É também o que tem o melhor aproveitamento: 38,9%, contra 37,8% de Murray e 26,7% de DeRozan.
Como base de comparação um pouco mais avançada, 20% dos arremessos que Aldridge deu na temporada foram bolas de três pontos. Murray arremessou somente 17,2% de suas tentativas de trás da linha do perímetro, e DeRozan apenas 3,2%.
Os 38,9% de aproveitamento que Aldridge registrou nos 157 arremessos de três pontos que deu na temporada provavelmente significam que ele é o espaçador de quadra mais eficiente do elenco do Spurs. O aproveitamento dos especialistas é pior: Bryn Forbes tentou 381 bolas do tipo e converteu 38,8%, Patty Mills tentou 389 bolas do tipo e converteu 38%, e Marco Belinelli tentou 155 bolas do tipo e converteu 36,8%.
Os três únicos jogadores do elenco do Spurs com aproveitamento melhor do que o de Aldridge na temporada arremessaram muito menos. Lonnie Walker tentou 71 bolas do tipo e converteu 40,8%, Keldon Johnson tentou cinco bolas do tipo e converteu 40%, e Drew Eubanks acertou a única bola do tipo que converteu.
Os números ficam ainda mais impressionantes quando percebemos que os arremessos de três pontos são uma arma recente do arsenal de Aldridge. Nos 81 jogos que fez na temporada 2018/2019, o camisa #12 tentou 42 bolas do tipo. Entre outubro e dezembro, fez 30 jogos e tentou 60 bolas do tipo. Entre janeiro e março, fez 23 jogos e tentou 97 bolas do tipo.
A combinação de defesa interior e perícia nas bolas de três pontos faz com que Aldridge seja muito difícil de substituir. A princípio, a solução mais obvia parece ser aumentar a minutagem de Poeltl, Lyles e Gay. O primeiro é o melhor protetor de aro do elenco, e os dois últimos podem ajudar a espaçar a quadra com arremessos do perímetro.
Gregg Popovich também tem dado suas chances a Drew Eubanks ao longo da temporada. Aos 23 anos de idade, o pivô, que está em sua segunda temporada com o Spurs, fez 14 jogos em 2019/2020, três deles como titular, e sustentou médias de 3,6 pontos e 2,5 rebotes em 9,3 minutos por exibição. Agora, será que não é a vez de Chimezie Metu ganhar uma oportunidade?
Ala-pivô de 23 anos de idade e 2,06m de altura, Metu também está em sua segunda temporada no Spurs. Entre agosto e setembro do ano passado, defendeu as cores da Nigéria na Copa do Mundo de basquete e fez boa campanha, terminando a competição com médias de nove pontos e 5,6 rebotes em 18,8 minutos por partida. Ao longo dos cinco jogos que fez no torneio, tentou nove bolas de três e converteu 55,6% delas. 29% dos arremessos que tentou na competição foram de trás do perímetro.
Nesta temporada, Metu tem médias de 18 pontos e 8,9 rebotes em 29 minutos por exibição pelo Austin Spurs, time da G-League filiado à franquia de San Antonio. Por lá, arrisca 2,3 bolas de três pontos por partida e converte 37,9% delas. 16,5% dos arremessos que tenta são de trás do perímetro.
Além disso, a amostragem pequena de Eubanks e Metu na temporada da NBA mostra que, até aqui, o segundo é um melhor defensor de aro. O ala-pivô defendeu 16 arremessos na zona restrita e limitou os adversários a 56,3% de aproveitamento. Eubanks, por sua vez, defendeu 30 arremessos do tipo e limitou os adversários a 66,7% de aproveitamento.
Restam oito jogos para o fim da temporada regular, e é difícil imaginar Metu tendo sequência. A comissão técnica do Spurs costuma dar lugar cativo a quem tem histórico de serviços prestados, e Eubanks tem vantagem nesse sentido. Mas o ala-pivô parece ser quem tem o conjunto de características mais adequado para substituir Aldridge.
Tim Duncan entra no Hall da Fama do basquete
É oficial: Tim Duncan é membro do Hall da Fama do basquete. Nesse sábado (4), o ídolo do San Antonio Spurs foi anunciado como parte da classe de 2020, que conta ainda com Kobe Bryant e Kevin Garnett. O ex-ala-pivô se aposentou em 2016 e atualmente trabalha como assistente técnico da franquia.
Duncan jogou na NBA de 1997 a 2016, sempre com a camisa do Spurs. No período, foi pentacampeão da liga, além de ter sido eleito três vezes MVP das finais e duas vezes MVP da temporada. Suas honrarias ainda incluem 15 eleições para o All-Star Game, oito para a seleção ideal de defesa da competição e o prêmio de novato do ano, vencido em 1998. Ele é o único da história com mais de mil vitórias em uma equipe e está no top dez histórico de rebotes e tocos. A indicação para o Hall da Fama também inclui seus feitos no basquete universitário.
A classe de 2020 foi uma das mais festejadas da história do Hall da Fama. Além de Duncan, ela conta também com Kevin Garnett e Kobe Bryant, que morreu neste ano vítima de acidente de helicóptero.
“A classe de 2020 é sem dúvidas uma das mais históricas de todos os tempos, e o talento e a influência social desses nove contemplados é imensurável. Em 2020, a comunidade do basquete sofreu a perda inimaginável de figuras icônicas como o comissário David Stern e Kobe Bryant, assim como o próprio jogo por conta da COVID-19. Também nos unimos como nunca antes em apreciação ao jogo e aos que o tornaram a força unidora que ele é hoje. Hoje, agradecemos à classe de 2020 por tudo que eles fizeram pelo jogo de basquete e estamos ansiosos para celebrá-los na consagração de agosto”, afirmou John L. Doleva, presidente do Hall da Fama.
Congratulations to the Class of 2020. The Road To SPRINGFIELD starts now. 🏀🏆 #20HoopClass
🎟: https://t.co/SaTjBX6R7t pic.twitter.com/Zt6HH91VUG
— Basketball HOF (@Hoophall) April 4, 2020
Quem o Spurs deve selecionar no Draft de 2020?
Com chances cada vez mais remotas de chegar aos playoffs e em meio à incerteza sobre a continuidade da temporada 2019/2020, o San Antonio Spurs tem de, cada vez mais, concentrar esforços no próximo Draft. Se por um lado especialistas dizem que a classe não é muito forte, por outro o recrutamento de calouros é sempre uma boa oportunidade para se encontrar jogadores promissores que ganham um salário baixo nos seus primeiros anos na liga.

Deni Avdija, talvez o prospecto mais desejável para o Spurs (Reprodução/eurohoops.net)
A franquia texana, em especial, tem uma chance histórica no Draft. Oficialmente, o alvinegro não participa da loteria desde 1997, quando selecionou ninguém menos do que Tim Duncan. Em 2011, o Indiana Pacers recrutou Kawhi Leonard na 15ª colocação e o enviou para o Spurs em troca de George Hill. Foi a escolha mais alta desde que o lendário camisa #21 começou a defender a equipe de San Antonio.
Para entender a posição do Spurs rumo ao Draft, é preciso entender como funciona a loteria. Todo ano, as franquias que estão fora dos playoffs se reúnem para um sorteio que define quem serão os quatro primeiros a escolher. As equipes de pior campanha têm mais chances de ganharem as primeiras soluções. A partir do quinto lugar, tudo é ordenado de acordo com os recordes do time.
Do jeito que a classificação da NBA ficou com a pausa, o Spurs tem a 11ª pior campanha da liga. Se fosse assim para a loteria, a franquia texana teria 2% de chance de saltar para a primeira posição, 2,2% de chances de saltar para a segunda, 2,4% de chances de saltar para a terceira e 2,8% de chances de saltar para a quarta de acordo com o site Tankathon. O alvinegro teria ainda 77,6% de chance de conservar a 11ª colocação, 12,6% de ser ultrapassado por uma franquia e cair para 12º, 0,4% de ser ultrapassado por duas franquias e cair para 13º e uma possibilidade ínfima de ser ultrapassado por três franquias e cair para 14º.
Em outras palavras, o Spurs teria sua melhor escolha desde o Draft de Tim Duncan mesmo no cenário mais pessimista possível. E a possibilidade de selecionar um calouro desde as quatro primeiras posições até a 14ª faz com que seja necessário para a franquia analisar a maior quantidade possível de prospectos. Sem, claro, esquecer quais são suas necessidades.
Em 2017, de acordo com matéria publicada pela agência de notícias Associated Press, Brad Stevens, técnico do Boston Celtics e uma das mentes mais brilhantes da NBA, disse acreditar que hoje existem apenas três posições no basquete. Para ele, os papeis que se vê hoje em quadra são condutor de bola, ala e homem de garrafão, ainda que existam jogadores capazes de exercer duas ou mais funções. A abordagem moderna ajuda a perceber como há um buraco no elenco do Spurs.
Dejounte Murray, enquanto não aprender a arremessar, precisa jogar como condutor de bola para não estagnar o ataque do Spurs. O mesmo pode ser dito de DeMar DeRozan, que, apesar da possibilidade de deixar a franquia, tem a opção de renovar unilateralmente seu contrato para a próxima temporada. Derrick White e Lonnie Waker podem atuar sem a laranja porque são ameaças do perímetro, mas parecem funcionar melhor com ela em mãos.
Enquanto isso, o Spurs tem LaMarcus Aldridge, talvez melhor jogador do elenco, como homem de garrafão. Além disso, Jakob Poeltl será agente livre restrito ao fim da temporada, e seus bons momentos pelo alvinegro levam a crer que será feito o possível para mantê-lo. Ainda há Luka Samanic, que tem contrato garantido para a próxima temporada, Trey Lyles, que tem contrato parcialmente garantido, e Chimezie Metu, que tem contrato não garantido. Por fim, a franquia texana tem os direitos de Nikola Milutinov, sólido pivô do Olympiacos.
Embora seja possível acreditar que White, Walker, Samanic, Lyles e Metu possam jogar como alas, fica claro que essa é a função em que o Spurs tem o maior buraco. O pivô croata jogou apenas 12 minutos nesta temporada, e os dois últimos não tem permanência assegurada. Os únicos jogadores que parecem ser mais naturais da função e que têm contrato garantido para 2020/2021 são Patty Mills, que faz boa temporada como arremessador, Keldon Johnson, promissor mas ainda inexperiente, e Rudy Gay, já em natural curva decadente de fim de carreira.
Para a sorte do Spurs, existem alas sólidos na loteria. Veja, a seguir, quem combinaria bem com o que o Spurs precisa.
Deni Avdija
Ala de 19 anos de idade e 2,05m de altura, Deni Avdija tem tamanho para jogar como ala-pivô na NBA e habilidade e criatividade de um armador, combinação que chama atenção. Desde o começo do ano, o jogador tem ganhado espaço na rotação do Maccabi Tel Aviv, fazendo boas partidas tanto no campeonato nacional quanto na Euroliga. Na temporada, apresenta médias de 7,7 pontos e 4,1 rebotes em 19,8 minutos por exibição, convertendo 51,4% de suas tentativas de quadra, 33,6% de suas bolas de três pontos e 52% de seus lances livres. Sua mecânica de arremessos preocupa olheiros, mas melhorou ao longo da campanha. É candidato às três primeiras escolhas do Draft, e o Spurs teria que dar sorte para conseguir selecioná-lo.
Isaac Okoro
Ala de 19 anos de idade e 1,98m de altura, Isaac Okoro tem as ferramentas típicas de um ala da NBA. Considerado um dos melhores defensores da NCAA, ainda contribui ofensivamente com seu controle de bola e sua visão de jogo, além de se dedicar às partes que exigem mais ética de trabalho do jogo, como rebotes. Existe, no entanto, preocupação com sua mecânica de arremesso e, consequentemente, com seu impacto sem a bola. Nesta temporada, sua primeira no basquete universitário americano, teve médias de 12,9 pontos e 4,4 rebotes em 31,5 minutos por exibição por Auburn, com 51,4% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 29% nas bolas de três e 67,2% nos lances livres. Deve estar disponível nas quatro primeiras colocações, mas dificilmente chegaria à 11ª.
Tyrese Haliburton
Armador de 20 anos de idade 1,96m de altura, Tyrese Haliburton é um jogador de muito QI de basquete e altruísmo, o que o faz parecer um fit natural para o Spurs. Como tem grande aproveitamento nos arremessos, mas abre mão de bolas fáceis para assistir seus companheiros com frequência, é adorado por franquias que valorizam os números, mas levanta preocupação de quem prefere observar os prospectos mais de perto. De qualquer jeito, funcionaria bem ao lado de um condutor de bola como Dejounte Murray ou DeMar DeRozan, já que tem altura e fundamentos bons o bastante para marcar jogadores da posição dois, por exemplo. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, apresenta médias de 15,2 pontos, 6,5 assistências, 5,9 rebotes e 2,5 roubadas de bola em 36,7 minutos por exibição por Iowa State, convertendo 50,4% de seus arremessos de quadra, 41,9% de seus tiros de três e 82,2% de seus lances livres. Pode estar disponível quando a 11ª escolha chegar.
Saddiq Bey
Ala de 20 anos de idade e 2,03m de altura, Saddiq Bey é o típico jogador que franquias da NBA buscam para colocar ao redor de seus astros. Especialista em defesa e em tiros do perímetro, marcou jogadores das posições 1, 2, 3 e 4 na NCAA. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, tem médias de 16,1 pontos e 4,7 rebotes em 33,9 minutos por exibição por Villanova, convertendo 47,7% de seus arremessos de quadra, 45,1% de suas bolas de três e 76,9% de seus lances livres. Deve estar disponível quando a 11ª escolha chegar.
Devin Vassell
Ala-armador de 19 anos de idade e 1,98m de altura, Devin Vassell viu sua cotação ir subindo ao longo da temporada por ser o role player dos sonhos da NBA moderna. Apesar de não ter um controle de bola que o permita atacar a cesta e nem um atleticismo de destaque, é um bom defensor e converte tiros do perímetro com antecedência, o que o torna um bom encaixe em qualquer equipe. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, apresentou médias de 12,7 pontos e 5,1 rebotes em 28,8 minutos por exibição por Florida State, convertendo 49% de seus arremessos de quadra, 41,5% de suas bolas de três e 73,8% de seus lances livres. Deve estar disponível quando a 11ª escolha chegar.
