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Ala brasileiro faz testes no Spurs

O ala brasileiro Marquinhos, ex-jogador do New Orleans Hornets, está realizando nessa semana testes de campo com a equipe especializada do San Antonio Spurs. O jogador, draftado em 2006 pelo time de Nova Orleans, teve poucas chances enquanto atuou pela equipe, marcando presença em apenas 13 confrontos. Na metade da temporada que acabou de se encerrar, foi envolvido em troca com o Memphis Grizzlies, e posteriormente dispensado por sua “nova equipe”.

Marquinhos ganhou grande notoriedade no Pré-Olímpico das Américas, disputado em 2007, quando após ser cortado do time devido a uma grave lesão, escancarou a crise que estava instaurada entre o então treinador Lula Ferreira e os demais jogadores do grupo. O ala foi muito criticado, e desde então nunca mais serviu o selecionado brasileiro.

Ao ser questionado em meados de maio se defenderia o Brasil na disputa do Pré-Olímpico Mundial, o jogador foi claro ao dizer que seu principal objetivo era disputar a Liga de Verão Norte-Americana e buscar vaga em algum time da NBA. O jogador seria o segundo brasileiro a atuar pela equipe do Texas, que também já contou com os serviços do ala Alex Garcia, atualmente no basquete israelense. Fora Alex, o Spurs draftou o ala-armador brasileiro Leandro Barbosa, mas trocou os direitos sobre o jogador ainda na noite do recrutamento. Marquinhos seria uma das opções no processo de renovação pelo qual o Spurs parece passar.

Moncho Nãosalva.

Acabou-se o que era doce, já dizia o poeta. De forma fácil e sem sustos, o Boston Celtics sagrou-se campeão da NBA mais uma vez, desbancando os também multi-campeões do Los Angeles Lakers. De forma não tão fácil, com alguns sustos e com a deserção de uma “estrela” – desculpem-me pela blasfêmia, amigo leitor e amiga leitora – o selecionado feminino de basquete fez sua parte e garantiu sua vaga olímpica ao derrotar na final da repescagem do Pré-Olímpico Mundial as meninas de Cuba. E, desse modo, acabaram as partes boas da temporada de basquete válida pelo segundo semestre de 2007 e o primeiro de 2008.

Mas e os representantes masculinos do basquete brasileiro? Nossos “meninos da bola laranja” não estarão a postos para defender com unhas, dentes e enterradas a pátria amada Brasil? Pois é, eles vão sim, e é aí que mora o perigo. Sem metade mais um do time considerado ideal, a seleção brasileira masculina de basquete depende hoje das atuações de sua estrela solitária, Tiago Splitter, e da fé do povo, que não desiste nunca. Tudo isso porque jogadores com nome – e talvez mais nada – como Leandro Barbosa, Nenê Hilário e Anderson Varejão decidiram abandonar a canoa brasileira, que mesmo com eles já estava longe de ser um potente navio, pelos mais diversos motivos. E como hoje não tem mais NBA, nem seleção feminina e nem Iziane (oras, ela merece um espaço só dela, afinal é nossa “estrela”) falarei um pouco sobre o abandono desses três jogadores. Antes de mais nada, peço perdão aos jogadores Guilherme e Valtinho, mas prefiro poupá-los de minhas ásperas palavras por motivos de… bem, pelo motivo de que seus abandonos não repercutiram tanto.

Para começar, falarei dele, do primeiro brasileiro a ser reconhecido na NBA – leiam bem, não foi o primeiro a atuar, e sim a ser reconhecido – o hilário pivô Nenê. Vencedor de uma batalha mais importante do que qualquer jogo ou competição nesse início do ano, o pivô do Denver Nuggets abortou mais uma vez os planos brasileiros de retorno aos Jogos Olímpicos. Após sentir uma grave lesão no jogo decisivo do Pré-Olímpico das Américas, o jogador afirmou que, devido a uma nova lesão, não poderá atuar nos jogos que valerão as vagas remanescentes para os Jogos de Pequim – ou Beijing. Uma decisão péssima, diga-se de passagem. Nem bem se lesionou, Nenê já pulou fora, alegando que não conseguiria retornar em tempo hábil para ajudar a seleção. E nem venham me dizer que a lesão é séria, pois o astro norte-americano Dwayne Wade afirmou que faria de tudo para servir sua pátria nos Jogos-08. E ao que tudo indica atuará em solo chinês. E, falando em China, o pivô e estrela maior da seleção local, Yao Ming, está fazendo tudo que está ao seu alcance para se recuperar de uma lesão que o afastou de mais da metade da temporada regular da NBA. E o Nenê dizendo que não dará tempo? Nada hilário isso, nada hilário…

Outro atuante do garrafão verde e amarelo seria o pivô da Cleveland Cavaliers Anderson Varejão. Seria, porque ele também afirmou que não disputará a vaga nos Jogos ao lado de seus compatriotas. Mais um ato de nacionalismo exacerbado do jogador – pobres de nós brasileiros – que por não ter definido os valores de seu contrato com a equipe de Ohio há um ano atrás, deixou de disputar o Pré-Olímpico americano, causando grande mal-estar entre os torcedores brasileiros e mostrando o que realmente importa para ele: dinheiro. Ou você acha que não? Varejão deveria rever seus conceitos, pois antes de ele entrar para a NBA e ser um coadjuvante de LeBron James, Ben Wallace, Zydrunas Ilgauskas e cia. ele era um aclamado jogador da seleção. O sucesso subiu à cabeça de Anderson como as perucas subiram nas cabeças de milhares de crianças estadunidenses? Então alguém precisa avisá-lo de que ainda há uma longa estrada a ser percorrida pelo jogador para que ele seja importante dentro da NBA. E essa estrada começa com a humildade de se colocar no devido lugar e crescer ao poucos. As Olimpíadas seriam uma grande chance de começar essa trilha.

E, por último, mas não menos importante, ele, que até algumas semanas atrás era minha maior esperança para o basquete brasileiro: Leandro – ou Leandrinho – Barbosa. Além de minha maior esperança, era meu único “ídolo” atuante no basquete nacional. Sua humildade, sua vontade de defender tanto seu time na NBA quanto o Brasil me faziam crer que ele poderia ser, em escalas menores, é claro, uma espécie de novo Oscar, um líder que encaminhasse o Brasil para as cabeças. Mas não passou de achismo barato. Leandro se revelou um jogador interessado mais em si próprio do que no coletivo; o estrelismo parece ter subido à sua cabeça. O brazilian blur – ou borrão brasileiro – como é conhecido nos EUA, parece ter, com o perdão das palavras, se borrado, ao ver que teria que assumir tamanha responsabilidade. Para fugir da raia, o ala-armador do Phoenix Suns foi infinitamente mais rápido do que em seus contra-ataques em quadra, jogada que o tornou famoso na NBA. Talvez por toda a situação envolvendo-o, Leandro foi minha maior decepção. Corinthiano, maloqueiro e sofredor, como ele mesmo se denomina, foi encontrado por meu irmão em um dos jogos do time paulista. Eu estava em outro setor do estádio e por isso não consegui vê-lo nem para pedir que atuasse com todo o amor possível pela Seleção – em tempo, naquela época ele ainda não havia desistido. O que me restou foi um autógrafo. Uma vã assinatura que não tenho orgulho nenhum em possuir, nem em exibir para os outros. Barbosa, Barbosa… você realmente machucou os amantes do basquete nacional. Machucado esse muito mais sério do que o que você afirma ter e que te impede de atuar por sua pátria.

São esses três jogadores – que mais do que jogadores são seres humanos – que deveriam defender o país e tornarem-se ídolos de uma nação. Mas eles se esquecem que são seres humanos antes de serem jogadores. Esquecem que não são mais do que ninguém. Esquecem que, assim como eles mesmos, milhares de crianças vivem na miséria e sonham em ter uma chance. Chance essa que eles conseguiram e, ao invés de usá-la para incentivo geral, usam de acordo com interesses pessoais que transpassam qualquer nação, qualquer seleção.

E enquanto isso a elite basqueteira – repugnante dizer isso, eu sei – composta por dirigentes e por um ser apelidado de Grego nada fazem para o bem do basquete nacional. Despedem um brasileiro e, nos ventos soprados pela crítica, contratam um técnico estrangeiro. De nome Moncho Monsalve, um espanhol desembarcou em nossas terras como a salvação do esporte no país. Mas em menos de um ano viu seu plano ruir, e lida com problemas que o fizeram passar de salvador da pátria para santo milagreiro. Infelizmente, milagres são difíceis de acontecer. E, com certeza, Moncho Nãosalva o basquete do Brasil – com o perdão do trocadilho. Não salvará, pelo menos de imediato. Sendo assim, me pergunto para finalizar minha coluna de hoje: se Moncho conseguir o maior milagre da história e levar nossa esquadra para as Olimpíadas, qual será a reação de Nenê, Varejão, Leandro e cia.? Certamente já estarão curados…

Pois é, tudo o que nós precisamos é de uma mão-santa no comando, não acham?

Ao (polêmico) mestre, com carinho

A semana que iniciou o mês de junho foi especial para algumas crianças turcas. Integrantes do projeto “Basquete sem fronteiras”, os jovens turcos receberam em sua terra natal treinamentos de basquete com professores um tanto quanto renomados. O ala-pivô do New York Knicks, David Lee, o armador dos Timberwolves, Randy Foye, o ala francês, Mickael Pietrus, e o ala do San Antonio Spurs, Bruce Bowen, se juntaram à dupla de garrafão titular da Turquia formada por Mehmet Okur e Hedo Turkoglu, jogadores respectivamente do Utah Jazz e do Orlando Magic, para ensinar conceitos básicos do basquete para os pequenos turcos.

Mostrando-se muito empolgado, o experiente ala do Spurs mostrou aos seus perseguidores que também pode ser muito dócil se quiser. Conhecido pelas entradas e faltas um tanto quanto duras em seus adversários, Bruce Bowen demonstrou total afinidade quando o assunto é ensinar crianças. Bowen era um dos mais solicitados e ensinou principalmente conceitos defensivos para os jovens, uma vez que a defesa é o forte do jogador.

Apoiado, entre outros, pela Unicef, o projeto da NBA tem como objetivo recrutar novos fãs para a Liga e ainda ajudar crianças e famílias carentes. Bowen é presença quase sempre garantida nesses eventos, que na maior parte das vezes ocorre em território norte-americano, como, por exemplo, no caso do furacão Katrina. É o lado de Bruce Bowen que muitas pessoas desconhecem e que fazem do sempre polêmico jogador um amado mestre.

Implorem por Rio-16

O Brasil caminha a largos passas para ficar, pela terceira vez consecutiva, longe do principal evento esportivo do mundo: os Jogos Olímpicos. Uma impotente (isso mesmo, nada de imponente) seleção foi montada baseada em três jogadores que atuam na principal liga nacional de basquete, a NBA. Mas a impotentíssima seleção falhou ao tentar pegar o atalho para os Jogos e cruzar com os impotentíssimos reservas argentinos (Lula Ferreira deve ficar arrepiado até hoje ao ouvir o nome Scola, ou até mesmo a palavra Escola).

E o banco de reservas de nossos hermanos nos jogou em um caminho um tanto quanto… complicado. Um ano depois de termos sofrido absurdos no teoricamente fácil Pré-Olímpico das Américas, iniciaremos nossa caminhada no calvário, digo, Pré-Olímpico Mundial. Bom, se não passamos pelos reservas argentinos, pelos canadenses que nem contam com Nash ou pelos porto-riquenhos, presumo que não será muito fácil passarmos por gregos, alemães e, novamente, pelos próprios porto-riquenhos. É, talvez não seja muito fácil. E como para as Olimpíadas de Londres em 2012 não deverão haver muitas mudanças nas diretrizes do basquete brasileiro, inicio a campanha “Implorem por Rio-16”.

Isso mesmo caro leitor, Rio-16. Afinal, nessa semana a cidade maravilhosa desbancou alguns adversários e concorrerá contra Chicago, Madrid e Tóquio pelo direito de sediar os Jogos de 2016. E como a estrutura carioca é um pouco (?) inferior à das demais cidades citadas, só um milagre colocaria o Rio e o Brasil como sedes de um evento de tamanho porte. Mas como brasileiro não desiste nunca, comecemos então a mandar desesperados e-mails para o Comitê Olímpico Internacional pedindo para que os senhorzinhos que escolhem a sede olímpica tenham benevolência da situação que nosso basquete chegou e aceitem humildemente nossa hospedagem para tão glorioso evento. E, para ajudar o Brasil, criei um “e-mail modelo” para todos nós mandarmos para o COI. Confiram abaixo:

“Excelentíssimo senhor presidente do COI,

Me chamo [colocar nome] e desejo fazer um humilde pedido para o senhor. Meu pedido é um tanto quanto simples, levando em consideração o tamanho de vosso coração. Sou brasileiro, morador da cidade [colocar nome da cidade] e pretendo que as Olimpíadas de 2016 sejam realizadas em solo brasileiro, mais especificamente na cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro. Peço-lhe encarecidamente que julgue bem todas as cidades, mas escolha o Rio. Só assim nosso querido basquete terá chances de ir aos Jogos. Afinal, temos um pouco de falta de sorte e já estamos há algum tempo afastados do evento nessa modalidade.

Desde já agradeço,

[colocar data e nome]”

Depois é só reunirmos umas 200 milhões de pessoas e fazer cada um enviar um e-mail desse. Muito mais fácil do que administrar o basquete decentemente, não é Grego?

Splitter cada vez mais longe

O pivô brasileiro Tiago Splitter parece se tornar cada vez mais um sonho distante para os torcedores do San Antonio Spurs – principalmente os brasileiros. Após declarar que gostaria de atuar ao menos por mais uma temporada em sua equipe espanhola, o TAU Cerámica, Splitter foi campeão do nacional que disputa e parece ter feito valer seu desejo. Nesse final de semana o brasileiro assinou um novo contrato com o Tau, válido até a temporada 2011/2012.

Com valores não divulgados, sabe-se apenas que o contrato oferecido pelos espanhóis e aceito por Tiago atinge cifras muito maiores do que as que o jogador poderia ganhar na NBA, afinal a liga norte-americana de basquete permitiria um contrato de no máximo US$970 mil anuais em um primeiro acordo. Entretanto, o acordo firmado entre Splitter e Tau demonstrou que o jogador possui o desejo de jogar em breve na maior liga de basquete do mundo.

Um dos tópicos do contrato obriga o time espanhol a liberar o pivô para atuar na NBA na temporada 2009/2010 mediante pagamento de uma multa – não divulgada, assim como os valores do contrato. Sobre o assunto, o general manager do San Antonio Spurs, R. C. Buford, falou com certo pesar.

“Nós estávamos entusiasmados com a possibilidade do Tiago poder vir para cá e contar com um grande programa que visaria seu crescimento.” disse o gerente. “Mas assim que pudermos o traremos para nosso grupo.” completou.

A notícia faz o caso se tornar semelhante ao do ala-pivô argentino Luis Scola, que teve seus direitos draftados pelo San Antonio Spurs e, depois de passar alguns anos a mais na Europa, acabou vindo para a liga norte-americana atuar pelos rivais Houston Rockets, fato que gerou algum mal-estar. Resta saber se Buford e o Spurs aprenderam a lição e não deixarão Tiago escapar assim como Scola escapou. Em tempo, Splitter é a grande esperança brasileira para a disputa do Pré-Olímpico mundial, uma vez que Leandrinho, Nenê e Varejão – todos jogadores da NBA – anunciaram que não participarão do evento.

E mais…

Budenholzer fica

O assistente técnico do San Antonio Spurs, Mike Budenholzer foi confirmado para o cargo na próxima temporada. A confirmação veio após o anúncio de que Terry Porter foi escolhido para o cargo de técnico do Phoenix Suns. Budenholzer era um dos cotados para assumir a equipe do Arizona. No Spurs há doze temporadas, Mike afirmou estar muito feliz de permanecer na equipe texana.

“Estou muito feliz. Era uma situação na qual eu não sairia perdendo, são duas grandes equipes. Mas estou feliz de continuar.” disse um entusiasmado assistente.