Arquivo do autor:Leonardo Sacco

E se a temporada acabasse hoje… quem decepcionou

Amigos leitores do Spurs Brasil,

Na última semana utilizei o espaço a mim destinado para selecionar alguns jogadores que julguei merecedores de prêmios como os de MVP, Melhor Defensor, Melhor Novato, etc até o momento na temporada 2008/2009. Pois nesta terça-feira analisarei minhas decepções nessa temporada, levando em conta jogadores e franquias.

Sempre é mais fácil eleger aqueles que não o agradam, mesmo sendo difícil enumerar motivos para tais escolhas. Mas alguns times e jogadores me surpreenderam negativamente nesta temporada.

Philadelphia Sixers

Nunca fui do tipo que achou que os Sixers seriam campeões somente – OK, não é pouca coisa – com a chegada do ala-pivô Elton Brand. O time é bom, mas não vem correspondendo em quadra. Muitas pessoas – muitas mesmo – colocaram o time da Pensilvânia como virtual favorito ao título, ao lado de equipes como Los Angeles Lakers, San Antonio Spurs e Boston Celtics. Pois bem, o time está capenga e se a temporada acabasse hoje estaria fora da pós-temporada. Minha primeira decepção nesta temporada vem sendo o Sixers.

Toronto Raptors

O caso é o mesmo do Sixers: trouxeram uma estrela para o garrafão – o pivô Jermaine O’Neal, no caso – e pareciam ter um time redondinho, certinho. Mas, assim como os companheiros de conferência acima citados, o Raptors vem mal das pernas e também estaria fora da pós-temporada se David Stern, o poderoso chefão da liga, decretasse o final da atual temporada hoje. Com o armador Jose Calderon e o ala-pivô Chris Bosh somados à presença de O’Neal, os playoffs são quase que obrigação. Mas a vaga está cada vez mais complicada para o único time canadense da NBA.

Houston Rockets

Calma. Não me matem, não roguem praga e nem falem em dor de cotovelo. Leiam a explicação antes de me crucificar. O Rockets foi um time no qual eu apostei sem restrições para apontar um grande favorito ao título. Afinal, a grande defesa do time de Houston ganhou o reforço – e que reforço – do ala Ron Artest, um dos melhores defensores de perímetro da liga atualmente. E a campanha do time até o momento não é ruim, mas fica longe da que eu esperava. Hoje não vejo mais o Rockets como favorito ao título junto de Lakers e Celtics. Na verdade, vejo a equipe atrás de Cleveland Cavaliers e Spurs. A grande dúvida fica se o ala-armador Tracy McGrady passará da primeira rodada dos playoffs pela primeira vez em sua carreira – rivalidades à parte, claro.

DeAndre Jordan

Não falem desse cara perto de mim, por favor. Essa foi de longe minha maior decepção na NBA nesta temporada. Assisti o Mundial Sub-19 e vi Jordan – belo sobrenome, só para começar – jogar muito bem, me fazendo crer que um grande jogador ingressaria na liga em breve. A cada escolha do recrutamento de 2008 em que ele era descartado, eu começava a estranhar. Cotado para o TOP 10, Jordan foi eleito apenas na segunda rodada. Quando o Spurs teve a chance de o recrutar e não o fez… bem, Bruno Pongas pode lhes falar melhor sobre a minha reação. DeAndre, obrigado por estar longe de San Antonio!

Elton Brand

Se você, amigo leitor, leu todo meu texto sobre o Sixers, entenderá porque Brand é uma de minhas decepções até o momento. O jogador chegou com pompas de salvação para o Sixers, que passaria a ser franco favorito ao título após sua chegada. Pois bem, se o time está mal, o ala-pivô consegue estar pior. Errando arremessos fáceis, dando mole na defesa e vendo suas médias despencarem, o jogador me decepcionou. Será que valeu a pena não oferecer mais dinheiro para Josh Smith – do Atlanta Hawks – e deixar Brand quietinho em Los Angeles (onde defendia o Clippers)?

Amigos, se decepcionar é muito fácil. Fora da NBA, nem me digam o quanto. Mas na liga norte-americana de basquete as decepções são as mais diversas. E você? Quem te decepcionou? Não perca na semana que vem minhas surpresas até o momento e um ótimo final de ano para todos!

Spurs (19-10) vs. Grizzlies (10-19) – Temporada Regular

Pré-Jogo – San Antonio Spurs vs. Memphis Grizzlies – Temporada Regular

Local: AT&T Center

Horário: 23:30 (Horário de Brasília)

Data: 27/12/2008

Situação do jogo

O Memphis Grizzlies é uma equipe jovem e tem feito campanha melhor do que nas últimas temporadas. Entretanto, não deve dar tanto trabalho para o San Antonio Spurs – equipe que vem embalada por uma emocionante vitória na noite de Natal contra o Phoenix Suns. A vitória nesta noite vale para o Spurs a manutenção da liderança na divisão Sudoeste e a continuidade de sua campanha de recuperação. Para o Grizzlies, é um jogo no qual a vitória seria uma grande surpresa.

Fique de Olho

O armador novato O.J. Mayo é o grande destaque do Grizzlies até o momento. Com 19.9 pontos, 4.0 rebotes e 2.9 assistências por partida, o jogador é até o momento um dos favoritos para o prêmio de Novato do Ano e deve travar duelo interessante com o armador Tony Parker.

E se a temporada acabasse hoje…

Leitores do Spurs Brasil,

e lá se foram quase dois meses desde que a bola subiu pela primeira vez na temporada regular 2008/2009 da NBA. Algumas surpresas, alguns recordes quebrados e, é claro, algumas decepções ao longo de pouco mais de um quarto da temporada jogado. Levando em conta este aspecto, permito-me abrir neste espaço uma discussão acerca dos prêmios individuais e coletivos e sobre confrontos de pós-temporada caso David Stern, comissário e chefão da NBA, decidisse que a regular terminaria neste minuto. Vamos lá…

Prêmio Individuais

MVP – Não é nada fácil escolher o melhor jogador de uma temporada com tantos destaques. Nomes como Kobe Bryant, Chris Paul e Dwyane Wade soam com força, mas no momento minha escolha fica para LeBron James. Com médias de 27.4 pontos, 6.7 rebotes e 6.4 assistências por partida, o ala tem levado seu Cleveland Cavaliers à segunda melhor campanha do Leste, surpreendendo muitos críticos. James é o MVP até o momento.

Rookie do Ano –  O leque de opções se torna menor neste prêmio uma vez que vejo apenas os armadores OJ Mayo e Derrick Rose como possíveis candidatos até o momento. Neste momento, a disputa é acirrada, mas escolho Mayo, do Memphis Grizzlies, como novato da temporada até aqui. Suas médias até agora são de 20.3 pontos, 4.0 rebotes e 2.8 assistências. Faço tal escolha pois, apesar de achar o nível dos dois parecido demais, o estilo de jogo de Mayo me agrada mais do que o do jogador do Chicago Bulls. OJ Mayo é o rookie do ano até o momento.

Melhor defensor do ano –  As duas equipes que lideram a conferência Leste – Boston Celtics e Cleveland Cavaliers – são as duas menos vazadas da NBA até o momento. Porém, minha escolha não será oriunda de nenhum destes dois times, mas sim da equipe com a sétima melhor defesa até o momento, o Atlanta Hawks. Falo de Josh Smith, ala com ótima defesa no perímetro e no garrafão e que vem aprimorando a cada partida a arte de dar tocos e conseguir parar adversários. Com 2.0 bloqueios, 1.5 roubadas de bola e apenas 2.9 faltas por partida, Smith é, até o momento, o defensor do ano.

MIP – O prêmio de jogador que mais evoluiu até o momento, para muitos, deve ser do brasileiro Nenê, que superou drama pessoal e voltou a jogar muito bem no Denver Nuggets. Porém, meu prêmio de jogador que mais evoluiu vai para Devin Harris, do New Jersey Nets.  Com médias de 24.4 pontos e 6.7 assistências, o jogador vem liderando o Nets em sua surpreedente campanha e já chegou a anotar 50 pontos em uma só partida. Harris é o MIP até o momento.

Prêmios Coletivos

All-NBA First Team – Chris Paul (New Orleans Hornets), Kobe Bryant (Los Angeles Lakers), LeBron James (Cleveland Cavaliers), Kevin Garnett (Boston Celtics) e Dwight Howard (Orlando Magic).

All-NBA Second Team – Tony Parker (San Antonio Spurs), Dwyane Wade (Miami Heat), Paul Pierce (Boston Celtics), Tim Duncan (San Antonio Spurs) e Chris Bosh (Toronto Raptors).

All-NBA Third Team – Devin Harris (New Jersey Nets), Brandon Roy (Portland Trail Blazers), Danny Granger (Indiana Pacers), Pau Gasol (Los Angeles Lakers) e Al Jefferson (Minnesota Timberwolves).

All-NBA Defensive Team – Chris Paul (New Orleans Hornets), Dwyane Wade (Miami Heat), Josh Smith (Atlanta Hawks), Kevin Garnett (Boston Celtics) e Dwight Howard (Orlando Magic).

All-NBA Rookie Team – Derrick Rose (Chicago Bulls), OJ Mayo (Memphis Grizzlies), Michael Beasley (Miami Heat), Brook Lopez (New Jersey Nets) e Marc Gasol (Memphis Grizzlies).

Chuck Norris do AT&T Center? Realmente o mundo dá voltas…

Nunca vou me esquecer de uma partida entre San Antonio Spurs e Houston Rockets na temporada 2007/2008. Lembro que a partida foi, como de praxe, muito equilibrada. Naquela partida, o placar acabou favorável ao Rockets, 83 a 81. E a última jogada me chamou a atenção. Gregg Popovich pede tempo, o último arremesso é do Spurs e a bola vai para… Matt Bonner! Ele erra o arremesso e a partida termina.

Alguns poucos meses depois e me deparo com novos jogos do Spurs, agora na temporada 2008/2009. Um bom exemplo seria mais um clássico texano: Spurs contra o Dallas Mavericks. Assim como a citada partida contra o Rockets, o clássico contra os Mavericks foi muito equilibrado, decidida em duas prorrogações. E o mesmo Bonner que perdeu um clássico em um arremesso não decidiu outro, mas teve atuação de gala: foram 13 pontos, quatro rebotes e 100% de aproveitamento nos arremessos de quadra.

Ainda tenho dificuldades para assimilar os acontecimentos e sinto que isso não é algo pessoal. Matt Bonner jogando bem? Por mais de um jogo? Por vários jogos? Como assim? Daqui a pouco Tony Parker estará no Slam Dunk Contest, penso eu. Mas não, não se trata de um sonho. Com médias de 8.2 pontos e 4.7 rebotes por partida, o ala-pivô já foi titular em dez partidas e tem sido crucial em algumas vitórias do Spurs.

Não acho que o momento seja de se pensar em Bonner como titular absoluto ou solução dos problemas do Spurs. Mas que o jogador está se provando um bom valor, mesmo que tardiamente, isso está. Com sua melhora em quadra e seu bom aproveitamento ofensivo, os astros Duncan, Parker e Manu Ginóbili têm se desafogado um pouco e tendo mais espaço para tocar a bola. O resultado são as sete vitórias seguidas da equipe na temporada.

Se o Spurs será campeão ou não ou se Bonner manterá o nível no qual vem atuando nos últimos jogos, não sei mesmo responder. Mas posso falar que assistindo aos jogos do Spurs e vendo as placas “Bonner, o Chuck Norris do AT&T Center”, não entendo mesmo como aquela bola contra o Rockets não caiu.

Treinadores inventores: uma hora não dá certo

Existem algumas coisas na NBA que eu realmente não consigo entender. Corey Maggette como ala-pivô em um duelo no qual se encontra Tim Duncan atuando na mesma posição pelo adversário é uma delas. E isso me faz refletir sobre o que se passa na cabeça de alguns técnicos adeptos de formações mirabolantes, transições defesa-ataque em velocidades altíssimas e de uma equipe composta essencialmente por jogadores leves, os chamados “times softs”.

Don Nelson, do Golden State Warriors, é um destes treinadores. Na partida em questão, citada acima, colocou o ala Maggette para duelar com Duncan em um momento do jogo no qual apenas um homem de garrafão alinhava por sua equipe – o pivô Andris Biedrins. Obviamente Duncan deitou e rolou para cima do “ala-pivô” adversário. E não só porque o jogador do San Antonio Spurs é um dos melhores alas-pivô da história, mas também porque Maggette não é e nunca será um jogador para tal posição.

O resultado está aí: massacre do Spurs e o Warriors lá embaixo na classificação do Oeste. Nelson, a quem considero muito bom treinador, vem errando insistentemente na franquia de Oakland. E tais erros já começam a cheirar à insistência burra de alguém que ainda quer ser destaque na NBA. E ele não precisa disso. Don Nelson é o tipo de treinador que impõe sua presença apenas por seu nome, não precisa mais revolucionar a liga norte-americana de basquete. Isso ele já fez no passado. Fez quando foi pentacampeão da NBA. Fez quando foi escolhido por três vezes como melhor treinador da NBA. Fez quando foi eleito como um dos maiores dez técnicos a passar pela liga em toda sua história.

Nelson montou o Dallas Mavericks que hoje é um dos grandes times da NBA – me desculpem os torcedores da franquia, mas antes do treinador passar por Dallas o Mavericks não impunha respeito com ninguém. E, apesar de nunca ter sido campeão como treinador, é um dos mais respeitados no meio. Sinal disso são treinadores mais jovens que adotam estilo semelhante ao seu. Mike D’Antoni é um exemplo desses novos técnicos que parecem se espelhar em Nelson.

Enfim, tudo que falei, a defesa que fiz do treinador do Warriors citando seus feitos, tudo o que foi dito tem um objetivo: alardear que pode ser a hora de Nelson rever conceitos. Concordo que o time do Warriors é fraco demais e que nem o melhor dos treinadores daria jeito na bagunça que se instalou em Oakland. Mas Don Nelson é um dos culpados pela bagunça atual. Ele quem pede jogadores que se adaptem ao esquema rápido que gosta. Ele quem não conseguiu montar uma defesa no mínimo menos vazada por lá. Ele quem chegou, junto com o time, ao ponto de colocar Corey Maggette para marcar Tim Duncan.

Enquanto isso, Gregg Popovich e Phil Jackson vão colecionando títulos, elogios e seguidores. Don Nelson, para sempre na história, vai ficando cada vez mais longe do sonhado anel como treinador. E sua culpa neste quesito é grande.