Arquivo do autor:Leonardo Sacco

Spurs é nomeado a ‘franquia da década’ nos EUA

Ao longo dos últimos dez anos, virou uma tradição nos Estados Unidos a divulgação de um ranking feito pela revista ESPN de lá com todas as franquias das principais ligas do país elencadas e comparadas a partir de uma fórmula que leva em consideração não apenas os resultados conquistado dentro de campo, mas também fatores como comissão técnica, organização comercial e outros fatores extra-campo. E, pela décima vez em dez edições, o Spurs aparece no top 10 da lista, o que rendeu ao time ser considerado pela publicação como a franquia da década.

Mais uma conquista para o Spurs, dessa vez fora das quadras

Mais uma conquista para o Spurs, dessa vez fora das quadras

Primeiro colocado nas edições de 2004 e 2006, o Spurs figura em terceiro na lista deste ano, atrás de Oklahoma City Thunder e Green Bay Packers, da NFL, respectivamente primeiro e segundo colocados. A publicação, ao eleger o Spurs como a franquia da década, insiste em exaltar o fato de a equipe ter conseguido se destacar durante tanto tempo mesmo tendo como origem o Texas, um mercado sem tantos atrativos e movimentações dentro dos Estados Unidos.

Entusiasmado com o resultado divulgado, o presidente de operações da Spurs Sports & Entertainment, Rick Pych, afirmou que a relação de confiança entre o time e seus torcedores é a principal fórmula para levar a equipe ao topo: “A nossa relação com os fãs é algo realmente extraordinário”, ponderou, após comemorar o ‘título’.

O triste fim de Leandrinho Barbosa

Uma das mais sérias dificuldades que pode afetar um atleta é o crescimento indiscriminado de seu ego. Milhões na conta, fama, mulheres; tudo isso colabora para que o salto cresça e a distância para o chão e a realidade também, criando um espaço no qual cair é muito perigoso. Leandrinho Barbosa parece estar cada vez mais desequilibrado no salto em que subiu após ter tido duas ou três temporadas significativas na NBA.

Barbosa já foi o melhor jogador que o Brasil produziu na entressafra olímpica entre 1996 e 2012. Chegou com méritos à NBA e ficou conhecido logo de cara pela história de simplicidade, resumida na ida aos treinos de bicicleta – ganhou inclusive um carro do astro Steve Nash. Vieram as boas partidas no Phoenix Suns, quando vinha do banco para colocar fogo nos jogos com sua velocidade e pontaria até que bem afiada. Nesse período, foi nomeado o melhor sexto homem da liga e viu sua desgraça começar junto com seu auge.

Os bons tempos de Leandrinho no Phoenix Suns são um passado cada vez mais distante

Os bons tempos de Leandrinho no Suns são um passado cada vez mais distante

Os tempos de boas temporadas regulares e playoffs dignos do Suns acabou e o conto de fadas de Leandrinho também. Algumas lesões não muito significantes e o ala-armador já não via em suas mãos o poder de incendiar partidas. Nash continuou, Amare Stoudemire saiu, o técnico Mike D’Antoni também e a magia daquela equipe que só atacava e não ganhou nada de significativo já não existia mais. Mas o ego do brasileiro já estava inflado.

Paralelamente à ascensão e à queda de Leandrinho em Phoenix, a seleção brasileira começava um trabalho de reestruturação. Uma obra na qual o coordenador – ou técnico – Rubén Magnano deixou clara sua intenção de formar um grupo e esquecer os dogmas brasileiros da individualização do basquete, centralizados na figura de Oscar. E nesse período Barbosa não defendia o Brasil por estar mais preocupado com a NBA, escolha pessoal e que não pode ser questionada. Mas que evidentemente o fez sair perdendo.

Eleito por ele mesmo como “craque” na NBA, Leandrinho chegou à Seleção para assumir, em sua cabeça, um protagonismo que não haveria de ser dele. Em um grupo que se comportava como grupo, Barbosa perdeu espaço e não soube se colocar em seu lugar na equipe. Tentou bolas impossíveis e lembrou os tempos em que o Brasil jogava para que um jogador só decidisse. Tomou bronca pública de Magnano e queimou mais sua imagem.

De volta à realidade da NBA, Leandrinho deixou o Suns antes mesmo de voltar à seleção e foi para o Toronto Raptors. Lá seria mais protagonista. Não conseguiu. Foi mal e não rendeu nada, virou quase que um problema para a franquia canadense. O fundo de seu poço foi o momento em que foi trocado para o Indiana Pacers por uma escolha de segundo round no draft. Mas o poço parecia ter em seu fundo uma mola: em Indianapolis, o brasileiro poderia tentar brilhar de novo.

Mais uma vez, ele não conseguiu. No melhor time do Pacers desde a aposentadoria de Reggie Miller, Leandrinho mais uma vez deixou de brilhar. Fez um jogo ou outro bom, nada que justificasse o investimento na renovação de seu contrato, que expirou ao fim da última temporada. Virou agente livre. Chegamos em setembro e ele ainda não tem um time na NBA. A pré-temporada está batendo na porta. Alguns sites dos Estados Unidos afirmam que o jogador quer ganhar US$ 6 milhões por temporada e gostaria de um contrato de pelo menos três anos.

Será que alguém ainda aposta suas fichas em Leandrinho?

3 pontos

– A presença de Leandrinho na Seleção é quase desnecessária. Muito mais válido ter um norte-americano como Larry focado e fechado com o grupo do que um jogador que quer aparecer mais que todo mundo.

– Scott Machado é um norte-americano com sangue brasileiro. Nasceu e cresceu lá, mas os pais são daqui. Já demonstrou ter talento e vontade de defender o Brasil. Se tiver a cabeça no lugar e aceitar o crescimento gradual na NBA, poderá ser bem importante em 2016.

– Nosso blogueiro Lucas Pastore colocou as possíveis chegadas de mais dois brasileiros à NBA. Um deles é Scott, o outro Rafael Hettsheimeir. Gostaria que o segundo ficasse mais tempo na Europa e amadurecesse seu jogo. Seria importante para ele e para a Seleção.

Tony Parker segue afiado

Mesmo de férias e longe dos treinos, descansando após as Olimpíadas, o armador Tony Parker segue com a pontaria afiada. No último final de semana, o francês disputou um jogo beneficente ao lado do ala-pivô Boris Diaw, também jogador do San Antonio Spurs, e mostrou que deverá voltar ainda mais incisivo para a próxima temporada. Veja no vídeo abaixo o que ele fez.

Os rivais que se cuidem…

E o Texas?

Em uma época não tão distante, o Texas poderia se orgulhar de ser o estado com maior número de representantes de peso na NBA. San Antonio Spurs, Houston Rockets e Dallas Mavericks, seus três times, vinham sempre fortes para a temporada regular e chegavam ainda melhores para os playoffs. Os títulos recentes de Spurs e Mavs provam isso. Mas e hoje? O que o Texas pode falar sobre suas franquias na liga?

O cenário na última temporada não foi dos melhores. Mesmo defendendo o título inédito, o Mavericks fez péssimo mercado, perdeu peças importantes – principalmente o pivô Tyson Chandler – e rendeu muito abaixo do esperado na busca pelo bicampeonato. Para 2012/2013 o time de Mark Cuban parece, aos poucos, acertar os ponteiros. Mesmo assim não se coloca, como foi em outros anos, como um dos favoritos ao título.

Não vai ser fácil para o alemão na próxima temporada...

Não vai ser fácil para o alemão na próxima temporada…

O Dallas possui hoje um time honesto. E só. A chegada de Chris Kaman e a reprodução do garrafão da Alemanha com ele e Dirk Nowitzki não me parece tão impressionante quanto para outras pessoas. Mesmo com os jogadores se completando, ficará faltando algo. Kaman não chega aos níveis de defesa que Chandler teve na campanha que culminou com o título. Também não é nenhuma máquina no ataque. A equipe seguirá dependendo do ala-pivô, já que não tem no perímetro alguém tão confiável para auxiliá-lo ofensivamente – defensivamente, Shawn Marion vem realizando um trabalho interessante.

Já em Houston a situação é um pouco diferente. Depois de perder Yao Ming para as lesões e apostar em um time reformulado que não deu em nada, o Rockets volta a mirar suas atenções para a China. Trouxe o armador Jeremy Lin, sensação do New York Knicks na última temporada. Mercadologicamente, uma transição interessante. Dentro de quadra, superestimada como é o próprio jogador. Lin fez no ano passado uma série de ótimos jogos e se machucou. Os holofotes em Nova York brilham mais e o atleta viu seu jogo ganhar contornos que não são reais.

Jeremy Lin: hype ou craque?

Jeremy Lin: hype ou craque?

Ao lado do pivô Omer Asik, Lin custou caro ao Rockets. Nenhum dos dois jogadores, porém, é capaz de aumentar tão significativamente o nível da equipe dentro de quadra. Asik seria ótimo reserva, como era no Chicago Bulls. O tipo de pivô que faz o jogo sujo, que defende mais do que ataca. Mas Houston anistiou Luis Scola e viu seu melhor jogador em termos ofensivos ir embora de graça – o dinheiro foi usado quase que por inteiro nas duas contratações. A franquia ainda conta com o scorer Kevin Martin, que ainda não se adaptou por lá, e com o argentino Carlos Delfino, que já mostrou em outras oportunidades não encaixar no estilo de jogo da NBA.

Sobra para o Texas o Spurs. Sobra em modo de falar. Porque é o melhor time do estado. Mantém a base e, mesmo com a renovação a passos lentos, é a única das franquias locais que tem chances reais de ir longe na temporada. Se o título é difícil, deverá ser aquela equipe que os favoritos Los Angeles Lakers e Oklahoma City Thunder gostarão – e muito – de evitar no caminho até a grande final. Caso Tony Parker mantenha o nível da última temporada, Manu Ginobili consiga se manter inteiro e os reservas assimilem sua devida importância, é o time a ser batido no estado.

Os tempos mudaram e o Texas parece ter parado um pouco no tempo em relação a basquete. Em comum, vejo três times com dificuldades de se organizar em torno de necessidadas renovações. Para o presente, o Spurs ainda é o melhor. Para o futuro, o Rockets se apresenta como candidato caso consiga manter o time e adicionar um all-star ao elenco. E o Mavericks parece estacionado, admirando a inédita taça, que fica cada vez mais longe de ser repetida.

3 pontos

1 – A questão da anistia de Scola é completamente financeira. Por alguns momentos, tive a esperança de que o Spurs pudesse contar com o jogador que draftou, mas passou de graça ao Rockets.

2 – O problema de times parados no tempo não se enquadra apenas aos citados. A dinâmica da NBA mudou e a inversão de favoritos aconteceu. Dos times que eram considerados fortes há cinco anos, apenas Spurs e Lakers se mantiveram no bolo. Thunder e Heat apareceram com ótimas movimentações de mercado.

3 – Em breve teremos aqui no Spurs Brasil uma ótima entrevista que fiz com o Alex Garcia, na qual ele fala sobre seleção e, é claro, sua passagem pelo Spurs.

Ime Udoka está de volta ao Spurs

Ime Udoka está de volta ao San Antonio Spurs. Mas desta vez não será para atuar como o ala que defende e tenta colocar suas bolinhas de três pontos, quase uma tentativa de ser o novo Bruce Bowen. Agora ex-jogador, ele é o “reforço” que a franquia trouxe para ajudar Gregg Popovich como assistente técnico na próxima temporada. Foi o próprio treinador quem anunciou a contratação em entrevista coletiva.

“Ime Udoka possui uma capacidade rara de passar aos jogadores mais novos sua capacidade de trabalho, é alguém predestinado a ensinar”, ponderou Popovich. “Estamos realmente muito esperançosos de adicionar alguém com tamanho potencial a nossa comissão técnica”, completou o técnico.

Ele voltou! (Reprodução/Wikipedia)

Recentemente, o Spurs perdeu dois de seus assistentes para outras franquias, o que motivou a chegada de Ime Udoka. Jacque Vaughn foi para o Orlando Magic, time no qual será treinador principal; já Don Newman deixou San Antonio e foi para o Washington Wizards, onde será o principal assistente técnico.

Como jogador, Udoka fez duas temporadas completas pelo Spurs, entre 2007 e 2009. Depois, voltou ao time em 2010, para finalmente sair em 2011. Foram 160 jogos com a camisa prateada, sendo 21 deles em playoffs. Experiência que será adicionada ao comando técnico da equipe.