Arquivo do autor:Gabriel Melloni
Futuros adversários

O Brasil venceu com tranqüilidade, como se esperava, a fraca seleção libanesa, e está classificado para a segunda fase do Pré-olímpico mundial. Se vencer a Grécia, a seleção enfrentará a Nova Zelândia, que perdeu para os alemães. Se perder, enfrentará a própria Alemanha, que não tomou conhecimento e atropelou os neozelandeses, com grande exibição de Dirk Nowitzki, que deveria servir de exemplo para nossas “estrelas” brasileiras da NBA, já que está disputando essa competição por vontade própria, porque pagou o seguro do seu próprio bolso.
Na partida de ontem, nossa seleção não foi muito testada, deivido à fragilidade do adversário. Entretanto, foi possível observar alguns defeitos e algumas qualidades na equipe de Moncho Monsalve. O Brasil apresentou muitas falhas defensivas, principalmente na marcação dos alas e dos armadores, deixou a seleção adversária chutar muitas bolas de três e fazer algumas infiltrações, o que pode ser fatal contra equipes de qualidade. Apesar disso, apresentou uma melhor distribuição de jogo com os pivôs, tanto é que Baby e Murilo, que não começaram o jogo como titulares, marcaram 16 e 14 pontos respectivamente.
Porém, isso não é o suficiente. Se quiser chegar às Olimpíadas, nossa seleção precisa melhorar muito. Se for batida pela Grécia e precisar enfrentar a Alemanha, por exemplo, quem conseguirá marcar os pivôs Kaman e, principalmente, Nowitzki? Ambos têm 2,13 metros de altura. Nowitzki ainda possui uma agilidade impressionante, que faz com que possa revezar entre as posições 3, 4 e 5. Em qualquer uma delas, não há ninguém em nossa seleção que consiga pará-lo.
Mas o Brasil pode vencer a Grécia e, com isso, enfrentaria a Nova Zelândia, que é um adversário mais fraco na teoria. Entretanto, mesmo contra esse adversário, a seleção pode se complicar. Isso porque eles possuem uma equipe muito rápida, que tem como características os chutes de longa distância e as infiltrações, exatamente o que nossa seleção não soube anular no primeiro jogo.
Por isso acho que, para chegar à Pequim, ainda será necessário muita luta e melhoria na equipe, porque a facilidade com que ganharam ontem não se refletirá daqui para frente nesse pré-olímpico.
Um peso, duas medidas

Todos nós já estamos cansados de ouvir o que aconteceu com Iziane e ouvir a análise dos comentaristas a respeito. Mas a atitude dela não é novidade na seleção brasileira.
No pré-olímpico masculino de 2007, em Las Vegas, quando o Brasil vencia o Uruguai por larga vantagem e garantia vaga nas semifinais da competição, Nezinho recebeu o chamado do técnico Lula para entrar em quadra e se recusou, assim como Iziane.
No dia seguinte, o armador da seleção brasileira explicou que “não via a necessidade de entrar, já que a vitória já estava garantida”. Uma explicação muito parecida com a que Iziane deu após sua volta ao Brasil; segundo a mesma, ela teria se recusado a entrar porque “o jogo já estava perdido”.
A diferença vem agora. Enquanto Iziane foi cortada da seleção, recriminada por toda imprensa e até por sua equipe na WNBA, Nezinho seguiu na seleção, entrando nas partidas, como se nada tivesse acontecido. Talvez a principal diferença entre os dois casos esteja no histórico desses jogadores com os técnicos que sofreram os desmandos. Enquanto Nezinho tinha muito prestígio com Lula, havia sido revelado pelo mesmo e atuava como titular na equipe comandada por ele, Iziane vinha de um histórico de brigas e discussões com Paulo Bassul, como ele mesmo relatou. Segundo ele, a ala-armadora sempre teve uma postura muito individualista e se preocupava mais com seu desempenho do que com o da seleção.
Após o corte de Iziane, a seleção feminina alcançou seu objetivo e garantiu sua presença em Pequim, enquanto a seleção masculina de 2007 perdeu a primeira chance de fazer o mesmo e agora terá que lutar no pré-olímpico mundial, que acontecerá entre os dias 14 e 20 de julho, em Atenas, na Grécia, sem suas principais estrelas, como Leandrinho, Nenê e Anderson Varejão.
Não estou dizendo que se Nezinho tivesse sido cortado a seleção teria se classificado, mas era nítida a falta de comando de Lula, que ainda sofreria duras críticas e acusações do ala Marquinhos após seu corte da seleção, enquanto Bassul mostrou controle sobre a equipe, ao tirar, não só do pré-olímpico, mas também da Olimpíada, uma das melhores jogadoras brasileiras na atualidade.
Mas o que eu não consigo entender mesmo é a diferença de tratamento que a imprensa deu nesses dois casos. Enquanto o caso de Nezinho foi quase ignorado, Iziane sofre duras críticas de comentaristas que colocam em dúvida até seu caráter.
Não estou aqui para julgar ninguém, mas não acho que o ato de Iziane tenha um peso maior do que o de Nezinho. Os dois se recusaram a jogar, não respeitaram a ordem de seus comandantes e desrespeitaram a hierarquia da seleção. Não importa em que momento do jogo isso tenha ocorrido, ambos deveriam ter obedecido as ordens de seus técnicos e, se houvesse algum problema, deveriam conversar depois, com o grupo e longe das câmeras.
A importância do elenco de apoio

Sou torcedor do Dallas Mavericks e fui convidado para falar sobre a NBA, principalmente sobre o Spurs, com um outro olhar.
Meu nome já apareceu em um artigo desse mesmo site, quando Leonardo falou de mim como um “grande amigo torcedor do Dallas” e que “preferia ver o time dele perdendo do que o meu ganhando” (o que é uma grande mentira).
O jogo 3 da série final entre Lakers e Boston aconteceu ontem, com vitória do time de Los Angeles por 87×81. Essa série tem mostrado para todos os times da NBA que para conseguir uma equipe de sucesso é necessário elencos de apoio competentes. Os grandes jogadores quase sempre fazem o que se espera deles. Kobe fez 36 pontos ontem, mas em boa parte do jogo sofreu na eficiente marcação de Ray Allen. Foi quando o Lakers ficou atrás no placar. Lamar Odom e Pau Gasol estavam sumidos da partida. Então apareceu Sasha Vujacic, que acertou importantes arremessos de 3 . Ele acabou a partida com 20 pontos, sendo um importante trunfo para o Lakers no jogo.
No primeiro jogo, em Boston, quem fez bem esse papel foi Rajon Rondo, que na minha opinião vem fazendo uma série acima das expectativas. Allen, Pierce e Garnett fizeram o que tinham que fazer, mas o Lakers contou com boa atuação de Odom, Gasol e do veterano Fisher. Então, quem apareceu como diferencial, não só pelos pontos ou pelas assistências, mas pelos rebotes ofensivos conseguidos, foi Rondo.
No jogo 2 o Celtics sobrou até o final da partida, quando Kobe comandou uma reação do Lakers, que quase encostou no placar. Garnett estava um pouco abaixo da média, mas a dupla Rondo e Powe fez uma grande partida. Rajon terminou com 16 assistências, muitas delas destinadas a Leon Powe, que surpreendeu a todos com 21 pontos.
Acho que o campeão da NBA será quem tiver um elenco mais preparado para contribuir com os grandes jogadores. Meu palpite? Acho que será o Boston, por ter mais estrelas e um elenco de apoio mais competente, em que sempre um se sobressai e aparece decisivamente.
