Arquivo do autor:Gabriel Melloni
A crise do basquete brasileiro

Assistindo à bela vitória da Argentina contra a Grécia, fiquei imaginando como seria ter nosso basquete em um jogo como esse, com a capacidade técnica e a garra de nossos hermanos. Sim, porque o que a Argentina tem feito nos últimos tempos com o basquete é um exemplo de tudo o que o Brasil deveria fazer. De presa fácil para nossa seleção, os argentinos passaram a campeões olímpicos e uma das principais equipes do mundo em pouco tempo.
Outro bom exemplo de crescimento nos últimos tempos é o vôlei brasileiro. Ao perceber que o esporte rendia público e que havia talento, empresas passaram a apoiar e a montar parcerias com clubes e até com a seleção. O resultado é esse que estamos vendo; somos campeões olímpicos no masculino e no feminino estamos sempre chegando entre os primeiros. Talento e público o basquete já provou que tem.
Essa mudança precisa acontecer rapidamente se quisermos salvar nosso basquete. O Brasil atravessa por uma de suas piores fases no basquete em todos os tempos. O feminino, que vinha se salvando ultimamente, ficando sempre entre os primeiros do mundo, está em absoluta queda. Sem Paula e Hortência, vinha conseguindo manter uma regularidade com Janeth e companhia. Mas nessa Olimpíada decepcionou e foi eliminado na fase de grupos com campanha pífia, conseguindo apenas uma vitória.
Já o basquete masculino está em queda faz tempo. Apesar de contar com vários jogadores atuando na NBA, decepcionou os torcedores novamente ao ficar fora dos Jogos Olímpicos pela terceira vez consecutiva. Pior que isso, só a falta de vontade desses “astros” de atuarem defendendo nossas cores. Mas não para por aí. Pela primeira vez desde 2002 não contamos com jogadores brasileiros no draft.
Com toda essa crise, falta de apoio, desorganização e desonestidade dos dirigentes, é difícil acreditar que algo mudará. Será que chegamos ao fundo do poço ou vamos mais fundo ainda?
O basquete atual globalizado

A disputa do basquete nos jogos olímpicos desse ano deve ser acirrada e o nível técnico das equipes promete ser alto, o que faz com que a briga pelo ouro seja mais nivelada.
Das doze pátrias participantes, pelo menos seis têm grandes chances de ganhar o ouro. Os EUA, que destoam um pouco dessa competitividade por contarem com os melhores jogadores do mundo; Lituânia, um time forte, que sempre chega como candidata ao título; Grécia, dona de um basquete coletivo impressionante; Espanha, credenciada pelo título mundial; Rússia, campeã européia de 2007; Argentina, atual campeã olímpica. Isso sem mencionar as seleções que podem chegar como surpresa e beliscar uma medalha, como a Alemanha, que possui um forte jogo debaixo da cesta, e a Croácia, que segue o exemplo da Grécia e conta com um ótimo jogo coletivo.
Esse equilíbrio vem crescendo nos últimos tempos. Houve época em que quase todos os torneios de basquete eram vencidos por Estados Unidos ou URSS. Esse basquete atual mais nivelado se deve ao fato de o esporte estar globalizado. Tirando Irã e Angola, que não devem ser adversários à altura dos outros selecionados, todas as equipes contam com jogadores atuando na NBA ou na Europa. Conhecendo e atuando nas melhores ligas de basquete do mundo os jogadores não melhoram apenas tecnicamente, mas também taticamente. Eles trazem para as suas equipes as características do jogo europeu ou norte americano. Com isso, a tendência é que o jogo fique cada vez mais equilibrado e os torneios cada vez mais disputados.
Devem destoar desse equilíbrio os times que não contarem com jogadores nos principais centros do basquete no mundo. Afinal, o fato de Angola e Irã serem apontados como os principais candidatos ao último lugar dos grupos e não terem jogadores atuando nas principais ligas do mundo não é apenas uma coincidência.
Pequim 2008 – Rússia

Rússia

A Rússia vai a Pequim com o objetivo de reviver os tempos de União Soviética, quando o país era uma potência no basquete e ganhou nove medalhas no esporte. A tarefa não será fácil e o retrospecto recente da seleção nos Jogos Olímpicos mostra isso. Desde que a União Soviética deixou de existir, sua seleção masculina de basquete participou de apenas uma Olimpíada. Mas a seleção desse ano é muito boa e pode surpreender.
Participações em Olimpíadas: 2000 e 2008
Melhor participação: ouro em 1972 e 1988 (como União Soviética). Oitavo lugar em 2000 (como Rússia)
Grandes feitos no basquete: campeã no europeu de 2007
Participações em mundiais: 1994, 1998 e 2002
Melhor participação: segundo lugar em 1994 e 1998
Os convocados
Pivô – Sasha Kaun (CSKA Moscou)
Pivô – Aleksey Savrasenko (CSKA Moscou)
Pivô – Nikita Morgunov (Lokomotiv Rostov)
Ala-pivô – Andrei Kirilenko (Utah Jazz)
Ala-pivô – Andrey Vorontsevich (CSKA Moscou)
Ala – Vitali Fridzon (Khimki)
Ala – Sergei Monia (Dynamo Moscou)
Ala-armador – Zakhar Pashutin (Spartak São Petesburgo)
Ala-armador – Viktor Keirou (CSKA Moscou)
Armador – Jon Robert Holden (CSKA Moscou)
Armador – Sergei Bykov (Dynamo Moscou)
Armador – Petr Samoylenko (Dynamo Moscou)
Onde a Rússia pode chegar?
A seleção russa pode ser uma surpresa e surpreender grandes como Grécia, Argentina, EUA. Com um jogo de muita força física, conseguiram se classificar no campeonato europeu, sem precisar disputar a repescagem no pré-olímpico mundial, o que já os credita como uma potência a ser batida. Mas eles não se classificaram somente. A Rússia foi a campeã, deixando para trás seleções como Lituânia, Sérvia, Grécia e a campeã mundial, Espanha. Por isso não se surpreenda se eles conseguirem uma medalha.
A caminhada da Rússia
A Rússia chega à Olimpíada como campeã do europeu de 2007, garantindo assim automaticamente um lugar na competição, sem precisar passar pelo pré-olímpico mundial. No europeu, a seleção pegou um grupo teoricamente difícil, com Israel, Grécia e Sérvia. Mesmo assim, passou em primeiro lugar, vencendo os três jogos sem muitas dificuldades. Na fase final, as vitórias foram sobre a França, Lituânia e a campeã mundial Espanha na final, garantindo o título da competição.
Destaque

O principal destaque e único jogador da seleção russa a atuar na NBA é o ala-pivô do Utah Jazz Andrei Kirilenko. O jogador começou muito bem na NBA, chegando a ser apontado como o novo comandante do Jazz após Stockton e Malone deixarem o time. Entretanto, uma lesão no pulso na temporada 2004-2005 fez com que ele ficasse muito tempo parado. Em 2007, ajudou a seleção russa na conquista do europeu, sendo o cestinha da equipe com média de dezoito pontos. Além disso, suas belas atuações fizeram com que ele ficasse com o título de MVP do campeonato.
Pequim 2008 – Alemanha

Alemanha

A Alemanha chega a Pequim buscando surpreender os grandes e beliscar um lugar no pódio. Para isso, espera contar com grandes atuações de seus astros da NBA: Chris Kaman, do Los Angeles Clippers e, principalmente, Dirk Nowitzki, seu principal jogador e astro do Dallas Mavericks. Para isso, precisará ficar entre os quatro primeiros em um grupo que conta com Grécia, EUA, Espanha, Angola e China, sendo os anfitriões seus principais adversários na disputa pela quarta vaga.
Participações em Olimpíadas: 1936, 1972, 1984, 1992 e 2008
Melhor Participação: sétimo colocado em 1992
Grandes feitos no basquete: campeão europeu em 1993
Participações em mundiais: 1986, 1994, 2002, 2006
Melhor participação: terceiro colocado em 2002
Os convocados
Pivô – Chris Kaman (Los Angeles Clippers)
Pivô – Patrick Femerling (ALBA Berlim)
Ala-pivô – Dirk Nowitzki (Dallas Mavericks)
Ala-pivô – Tim Ohlbrecht (Brose Baskets)
Ala-pivô – Sven Schultze (Pallalcesto Amatore Udine)
Ala-pivô – Jan Jagla (Joventut Badalona)
Ala – Philip Zwiener (ALBA Berlim)
Ala – Konrad Wysocki (Deutsche Bank Skyliners)
Ala-armador – Robert Garrett (Brose Baskets)
Ala-armador – Steffen Hamann (Brose Baskets)
Armador – Pascal Roller (Deutsche Bank Skyliners)
Armador – Demond Greene (Brose Baskets)
Onde a Alemanha pode chegar?
A Alemanha deverá lutar para se classificar na quarta colocação com a seleção chinesa, mas não deve passar das quartas de final. Seu jogo depede muito de seu garrafão, principalmente de Nowitzki, que pode atuar também como ala. Entretanto, com o decorrer da competição, o nível dos adversários deve crescer, fazendo com que a marcação nele melhore. Nesse momento, os outros jogadores deverão aparecer, mas a qualidade deles não é a mesma.
A caminhada da Alemanha
Após ser eliminada pela Espanha nas quartas de final do campeonato europeu e ficar na quinta colocação, a Alemanha chegou ao pré-olímpico mundial como um dos fortes candidatos a conquistar a vaga olímpica. Depois de passar por um grupo com Nova Zelândia e Cabo Verde e pelo Brasil nas quartas, a seleção alemã perdeu para a Croácia na semifinal e só conseguiu confirmar sua classificação contra Porto Rico.
Destaque

Grande destaque do Dallas Mavericks na NBA, Dirk Nowitzki é a arma da Alemanha para tentar uma medalha olímpica em Pequim. O ala-pivô foi draftado em 1998 pelo Milwaukee Bucks, mas foi rapidamente trocado e foi para o Mavs. Com a melhora do time após a chegada do milionário Mark Cuban ao time, Nowitzki rapidamente se tornou o líder da equipe. Foi eleito o MVP do mundial de basquete em 2002, do europeu em 2005 e da NBA em 2007. É conhecido por sua versatilidade e agilidade, apesar de sua altura, além de seus ótimos arremessos.
Pré-Olímpico Masculino – Brasil perde e está fora

A seleção brasileira perdeu para a Alemanha por 78 a 65 e viu o sonho de participar das Olímpiadas não se concretizar pela terceira vez consecutiva.
Após um quarto e meio de boa exibição, principalmente defensiva, anulando as jogadas de Dirk Nowitzki e Chris Kaman, em que o placar se alternava constantemente, chegando a estar favorável em cinco pontos para o Brasil, nossa seleção passou a errar muito e ver um antigo problema voltar a acontecer, o desequilíbrio emocional.
Em apenas quatro minutos e meio, a seleção alemã abriu 19 pontos de vantagem. Foi quando o Brasil passou a enfrentar outro problema que vem incomodando nossa seleção, as bolas de três. Tanto ofensiva quanto defensivamente, a equipe de Moncho Monsalve não obteve o desempenho esperado. Enquanto os alemães acertaram 13 arremessos em 26 tentativas, os brasileiros acertaram 3 em 19.
No terceiro quarto a vantagem aumentou. Apenas no final do quarto, quando a Alemanha passou a poupar alguns jogadores, o jogo se equilibrou. Tanto é que no quarto período o Brasil tentou desesperadamente uma reação e chegou a diminuir a diferença com as entradas de Duda e Tavernari, mas não adiantou. A Alemanha segue buscando a classificação, enquanto o Brasil mais uma vez volta pra casa de mãos vazias e deixando o sonho para daqui quatro anos.
Destaques da Partida
Brasil
Thiago Splitter – 16 pontos, 6 rebotes
Marcelinho Machado – 11 pontos, 5 rebotes
Alemanha
Dirk Nowitzki – 20 pontos, 7 rebotes
Chris Kaman – 12 pontos, 14 rebotes
Pascal Roller- 15 pontos, 5/6 de três pontos
Grécia x Nova Zelândia
Por que o Brasil assistiu?
Com o fim do sonho olímpico para a seleção brasileira, resta aos fãs do basquete acompanhar e analisar as outras seleções.
O jogo
Com um basquete coletivo de altíssima qualidade, a Grécia não teve dificuldades em atropelar a seleção neozelandesa por 75 a 48. Como no jogo contra o Brasil, os gregos mostraram muita força defensiva e ótimo aproveitamento ofensivo, além de uma alta distribuição de pontos. Já a Nova Zelândia não conseguiu colocar seu ritmo veloz ao jogo e nao teve bom aproveitamento nos arremessos de quadra. O cestinha da partida foi Vassilis Spanoulis, da Grécia, com 14 pontos.
O time grego enfrentará Porto Rico na fase semifinal da competição, e chega para esse jogo como grande favorito a ficar com uma vaga nos Jogos Olímpicos.
