A Evolução do Alien – A Ascensão de Victor Wembanyama a possível MVP
Por Matheus Gonzaga, do Bandeja de 3. Siga no Twitter e no Instagram.
Victor Wembanyama tem sido considerado a próxima superestrela da NBA desde antes de ser draftado. Palavras como “Extraterrestre” e “Aberração” são comuns para descrevê-lo. Em suas duas primeiras temporadas da NBA ele já se mostrou um astro. Mas em 2025/2026 ele atingiu uma nova evolução, se tornando candidato ao melhor jogador da temporada e na briga pelo MVP.

Victor Wembanyama – San Antonio Spurs (Foto: spurs.com)
Neste texto, utilizarei dados para abordar de forma aprofundada a temporada de Wemby e mostrar por que acredito que ele tem um caso legítimo para ser considerado o MVP da temporada. De início, ressalto que meu voto seria em Shai Gilgeous-Alexander, mas acredito sim que há um argumento para um astro do Spurs.
Ofensivamente, o francês evidentemente está abaixo dos demais concorrentes a MVP – Nikola Jokic, Luka Doncic e Cade Cunningham, além do já citado Shai. Mas isso não quer dizer que ele seja um jogador limitado deste lado da quadra – muito pelo contrário. O Spurs é o quarto melhor ataque da liga, e isso se deve muito a Victor. A equipe faz 122,6 pontos por 100 posses quando o Alien está em quadra, contra 115,9 em sua ausência – 6,6 pontos de diferença. A primeira marca seria o melhor ataque da NBA, e a segunda seria apenas o décimo-segundo. Sim, o time texano é ainda ofensivamente bom sem seu superstar, mas se torna um ataque astronômico em sua presença.
Em comparação com os demais candidatos a MVP, o ataque do Detroit Pistons melhora 10,7 pontos com Cade em quadra, o do Denver Nuggets 12,3 com Jokic, o do Oklahima City Thunder 8,8 com Shai e o do Los Angeles Lakers 4,9 com Luka. Wemby de fato não está entre os melhores nessa lista.
Além disso, Wembanyama é o jogador que menos pontua por jogo dentre os que estão na corrida do MVP, com certa margem – e tem o perfil menos dominante ofensivamente. Porém, o francês tem alguns fundamentos ofensivos incríveis. Para começar, trata-se de uma força espetacular na transição – são quatro posses por jogo finalizando deste modo (marca bastante alta), e uma eficiência que está quase no percentil 90 da liga. Além disso, é extremamente versátil ofensivamente, tendo mais de uma posse por jogo em todos os seguintes tipos de jogada: condução de pick and roll, roll man, post up, isolation, spot up, arremessos offscreen, cortes para a cesta e rebotes de ataque. Wembanyama é único – ele não é um pivô ofensivamente, mas também não é um ala. É como se tivesse sua própria posição.
A eficiência nesses tipos de jogada varia – no post e em isolação não são grandes coisas, mas cortando para a cesta os números são excelentes. Na maioria das jogadas, entretanto, suas marcas são de sólidas a boas.
Vale destacar também sua capacidade como passador para um C – são 4,8 assistências por jogo, marca muito alta para a posição. 3,1 turnovers são bastante coisa, mas nada demais para sua usagem. Além disso, trata-se da menor marca de sua carreira.
Sua principal capacidade ofensiva é a facilidade de chegar no aro ou ser acionado próximo a ele. Suas 5,4 tentativas na área restrita estão entre as 20 maiores marcas da liga – e vale ressaltar que Victor joga muito menos que basicamente todas as estrelas, com média de 29 minutos por partida. Nas finalizações, seu aproveitamento é de 74,8% – apenas LeBron James e Giannis Antetokounmpo têm números melhores em volume superior. Na meia distância e na parte mais longa do garrafão, o francês não é tão bom (43% de meia distância em três tentativas não leva a um ataque eficiente, apesar de poder ser útil pontualmente). Sua capacidade de chutar de 3 porém, é notória – 36% em 5,5 tentativas por jogo do perímetro não é uma marca de elite para um jogador da NBA no geral, mas certamente é para um pivô. Vale destacar também que os splits de chute são curiosos – o aproveitamento completamente livre é de 32,5%, enquanto o com alguma contestação (o que compõe a maioria de suas tentativas) é de 38,7%. Evidentemente existe variância afetando estes números, mas o ponto é que ele é capaz de acertar arremessos de três mesmo se marcado, o que é raríssimo para um big. Vale dizer também que seu aproveitamento de 37,4% de catch and shoot é bem superior ao que ele consegue quando arremessa do drible (30%).
Mas esses números não mostram o verdadeiro valor do arremesso de Wemby – sua ameaça do perímetro atrai a marcação, o que facilita que os guards slashers do Spurs cheguem até a cesta – o time de San Antonio está entre os dez que mais finalizam no aro.
Uma história parecida também ocorre em relação à sua ameaça indo para a cesta. Não é difícil achar vídeos em que defesas adversárias colapsam completamente para fechar o garrafão quando Wemby se direciona para lá, o que deixa os arremessadores do time do Texas completamente livres. O Spurs lidera a NBA em tentativas de 3 da zona morta e é o quarto em conversões de lá – algo muito ligado ao impacto do francês.
Mas todos sabemos que o ataque não é o motivo de Wembanyama estar na corrida para MVP – ele é sim uma estrela ofensiva (24 pontos em 62% de TS% é um número de estrela), mas defensivamente, chamá-lo superstar ou melhor do mundo não é o bastante. A palavra é Geracional.
O Defensive Rating do Spurs sem Victor em quadra é de 116 – marca parecida com a do Dallas Mavericks, 17ª melhor defesa da liga. Com Wemby em quadra, a marca é 106,9, melhor que a defesa histórica do Thunder. Essa diferença de 9,1 pontos por 100 posses na defesa é completamente bizarra. Nenhum dos candidatos a MVP recentes chega nem perto (evidentemente, a maioria ali não é conhecida por grande impacto defensivo). Giannis Antetokounmpo, que na temporada 2019/2020 foi MVP e DPOY, tinha como marca 7,8 de melhoria. Em minhas buscas, apenas achei temporadas de DPOY de Rudy Gobert superiores nessa métrica, e vale ressaltar que esse feito foi em times que eram muito frágeis defensivamente ao seu redor – o que fazia com que as defesas de Utah sem ele fossem muito piores que as de San Antonio sem Wemby, inflando seus números.
Esse impacto defensivo ocorre por vários motivos. O mais óbvio são seus tocos, fundamento em que ele lidera a liga, mas vai muito além disso. Quando o francês está em quadra, adversários tentam muito menos arremessos no aro (diferença de 28,3% para 24% dos arremessos tentados). Além disso, os oponentes têm aproveitamento de 55% perto da cesta, uma marca de elite – parecida com a de nomes como Gobert e Donovan Clingan e só significativamente atrás de Chet Holmgren e Evan Mobley.
Quando somamos o impacto ofensivo e o defensivo, em termos de on-off, temos o seguinte resultado: San Antonio é 15,77 pontos por 100 posses superior com Wembanyama em quadra. O net rating do time com o astro é de 15,6 – não só melhor que o do Thunder, líder do quesito na temporada, mas também melhor que o Thunder nos minutos de Shai Gilgeous-Alexander (+14,2). Sem Wemby, o Spurs é basicamente um time de 50% em saldo de pontos (-0.14 de net). Com seu astro, a equipe se torna matematicamente a força mais imparável da NBA, sendo completamente de elite nos dois lados da quadra.
Vale destacar também que nenhum dos demais candidatos a MVP tem uma mudança de desempenho do time com/sem ele em quadra maior que Wembanyama (Jokic chega perto, com 14,9 de diferença).
Se formos falar nas métricas avançadas, o EPM coloca Wembanyama como o terceiro jogador mais valioso por minuto da liga (atrás de Shai e Jokic) e como o melhor defensor da temporada com ampla vantagem. O francês é sem dúvidas um jogador top 5 da NBA em sua terceira temporada e, em minha visão, claramente está no top 3 para MVP.
A chegada do Alien nos playoffs será fascinante – não me lembro da última vez que um jogador já foi considerado tão alto entre os melhores do planeta antes sequer de pisar na pós-temporada. San Antonio tem um bom time, mas ainda cru e com lacunas – é difícil projetar até onde pode chegar. O jogo mais físico pode atrapalhar um pouco mais Victor ofensivamente, mas aumentar seu impacto defensivo. Além disso, uma possível maior minutagem de Wemby pode fazer a equipe ser ainda melhor.
Porém, o mais assustador disso tudo é que ele está apenas começando. Ainda é a terceira temporada do francês, e ele ainda tem aspectos crus em seu jogo – como as trocas de marcação, que podem melhorar. O astro ainda deve encontrar arremessos de segurança e armas favoritas, desenvolver um condicionamento melhor para jogar mais minutos, melhorar as leituras ofensivas… e mesmo ainda faltando isso tudo, talvez ele já seja o melhor jogador do planeta na atual temporada. Não há teto para Victor Wembanyama – o Alien pode chegar até as estrelas.
Publicado em 19/03/2026, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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