Arquivo mensal: junho 2017
Spurs pode trocar Green e Aldridge, diz site

O San Antonio Spurs parece disposto a abrir espaço salarial para a próxima temporada. Depois de convencer Pau Gasol a abrir mão da opção para renovar seu contrato e de ver David Lee e Dewayne Dedmon fazerem o mesmo, a franquia disponibilizou Danny Green e LaMarcus Aldridge para trocas de acordo com reportagem do site americano Bleacher Report.

Não adianta fazer cara feia, gente (Edward A. Ornelas/San Antonio Express-News)
Segundo Jabari Young, do jornal San Antonio Express-News, o Spurs está aberto à possibilidade de trocar Green, mas ainda nem sequer se aproximou de um acordo.
Além disso, de acordo com John Gambadoro, da rádio KMVP-FM, o Spurs tem interesse em trocar Aldridge por uma das cinco primeiras escolhas do Draft de 2017, que acontece nesta quinta-feira (22), a partir das 20h (de Brasília). Segundo Sam Amico, do site Amico Hoops, o Sacramento Kings, que possui a quinta, seria um dos interessados no ala-pivô.
Em 2016/2017, Green apresentou médias de 7,3 pontos e 3,3 rebotes em 26,6 minutos por jogo na fase de classificação e 7,8 pontos e 3,6 rebotes em 27,2 minutos por exibição nos playoffs. Seu salário para a próxima temporada é de US$ 10 milhões.
Aldridge, por sua vez, sustentou 17,3 pontos e 7,3 rebotes em 32,4 minutos por exibição na fase de classificação e 16,5 pontos e 7,4 rebotes em 33,6 minutos por exibição nos playoffs em 2016/2017. Seu salário para a próxima temporada é de US$ 21.461.010,00.
Se Green e Aldridge saírem, o valor em salários garantidos do Spurs para 2017/2018 cairia de US$ 73.476.137,00 para US$ 42.015.127,00. Ficariam pendentes a renovação de Gasol e os vínculos de possíveis novatos escolhidos pela franquia no Draft. O alvinegro ainda pode optar por selecionar estrangeiros e mantê-los longe da NBA, como fez recentemente com Davis Bertans, para economizar. O teto salarial da NBA na próxima temporada deve ser de aproximadamente US$ 99 milhões segundo relatos da imprensa especializada.
Assim, as movimentações permitiriam que o Spurs brigasse por agentes livres de grande porte. Segundo relatos, a franquia teria interesse na contratação do armador Chris Paul.
A franquia de San Antonio ainda terá de lidar com mais decisões para reconstruir seu elenco para a temporada 2017/2018. Patty Mills, Manu Ginobili e Joel Anthony são agentes livres irrestritos – o argentino pode se aposentar. Jonathon Simmons tem uma qualifying offer, o que da à franquia o direito de igualar as propostas feitas por ele. Além disso, Bryn Forbes tem contrato não garantido e pode ser dispensado a qualquer momento sem custos adicionais.
Gasol e Lee recusam cláusulas de renovação com o Spurs

A manhã terça-feira (20) trouxe surpresas para os torcedores do San Antonio Spurs. Segundo Adrian Wojnarowski, do site The Vertical, o pivô Pau Gasol decidiu não exercer a opção de renovação de contrato com a franquia para a temporada 2017/2018 da NBA. Além disso, de acordo com Tom Orsborn, do jornal americano San Antonio-Express News, o ala-pivô David Lee fará o mesmo e se tornará agente livre irrestrito assim como o pivô espanhol.

Gasol, Tony Parker e Lee conversam durante jogo (Edward A. Ornelas/San Antonio Express-News)
A diferença entre os dois é que Gasol pretende permanecer no Spurs, diminuindo seu salário e assinando por vários anos para facilitar a busca por reforços ou a manutenção de peças importantes como Patty Mills e Jonathon Simmons. Por outro lado, a intenção de Lee é buscar um melhor salário, uma vez que o ala-pivô vem de boa temporada.
Em 64 partidas na última temporada regular, sua primeira com a camisa do Spurs, Gasol teve médias de 12,4 pontos e 7,8 rebotes em 25,4 minutos por exibição. Nos playoffs, o pivô espanhol obteve médias de 7,7 pontos e 7,1 rebotes em 22,8 minutos por jogo.
Lee, por sua vez, fez 79 partidas na temporada regular, que também marcou sua primeira campanha pelo Spurs, e teve médias de 7,3 pontos e 5,6 rebotes em 18.7 minutos por exibição. Nos playoffs, registrou médias de 4,1 pontos e 3,8 rebotes em 16,3 minutos por jogo.
Stashes do Spurs #1 – Adam Hanga
Por Gabriel Andrade*
Assim como na temporada passada, voltamos aqui para falar sobre os jogadores que o San Antonio Spurs drafta e deixa em desenvolvimento na Europa. O objetivo é fazer uma análise contextual, sobre sua situação em seu clube, as habilidades que oferecem e seu provável encaixe como jogador da franquia texana. Para começar a série de matérias, o primeiro escolhido é Adam Hanga, considerando o principal stash do alvinegro no Velho Continente.
ADAM HANGA
Altura: 1,99 metros
Envergadura: 2,02 metros
Idade: 28 anos
Posição listada: Ala
Clube: Baskonia
Situação contratual: Agente Livre nesta offseason
Médias na Liga ACB: 11,9 pontos, 4,0 rebotes, 2,4 assistências, 1,3 roubos, 0,6 tocos, 47.2% FG, 32,5% 3PT e 78% FT em 28,2 minutos por compromisso.
Médias na Euroliga: 10,5 pontos, 4,4 rebotes, 2,4 assistências, 1,3 roubos, 0,7 tocos, 44.9% FG, 33,6% 3PT e 66,7% FT em 28 minutos por compromisso.

Adam Hanga, ao centro, em meio à defesa adversária (Reprodução/eurohoops.net)
Contexto profissional
Adam Hanga vem fazendo sua segunda temporada como ala titular do Baskonia, um dos três principais clubes da Espanha, semifinalista de Euroliga na temporada 2015/2016 e que caiu nas quartas de finais da atual temporada. Na liga nacional, vai se encaminhando para segunda semifinal seguida, tido como favorito para avançar para a final do torneio.
Na equipe, Hanga é o segundo com mais minutos, atrás só do armador ex-Brooklyn Nets Shane Larkin e bem à frente de outros ex-NBA com Tornike Shengelia (ex-Chicago Bulls e Brooklyn Nets), Rodrigue Beaubois (Ex-Dallas Mavericks), Chase Budinger (Ex-Minnesota Timberwolves e Brooklyn Nets), Andre Bargnani (Ex-Toronto, Brooklyn Nets e New York Knicks) e Nicolas Laprovíttola, que jogou parte da temporada pelo Spurs e, a fim de informação, registra 12 minutos por jogo, chegando a ficar atrás do brasileiro Rafa Luz na rotação.
Em termos de concorrência na posição em que joga, Hanga divide minutos com Chase Budinger, Jaka Blazic e o jovem lituano Tadas Sederkerskis, podendo atuar ao mesmo tempo em quadra que ambos. No geral, tem grande vantagem em minutos.
Em termos de impacto, quando Hanga sai de quadra, o Baskonia é pior em oito pontos por 100 posses de bola no Net Rating (saldo de cesta por 100 posses), liderando a equipe.
Sua função no clube é geralmente a de defender o ala mais perigoso adversário, fazer a defesa de cobertura (e por isso marca pouco armadores), correr em transição, cortar sem a bola, ser criador secundário e eventualmente arremessar de três pontos.
Perfil físico
Em termos de altura e envergadura, o húngaro não possui medidas lá muito chamativas, mas são o suficiente para jogar como ala e ala-armador na NBA, as posições em que mais atua. Considerando seu físico, o que mais impressiona é sua capacidade atlética. Supera sua envergadura mediana com um conjunto explosão, agilidade lateral, capacidade de salto e primeiro passo de elite. Não existe jogador mais atlético que Hanga na Europa. Por conta de sua velocidade em quadra aberta, explosão, passada larga e instintos, é bastante usado em transição, seja ele mesmo carregando a bola do ataque para a defesa com finalizações rápidas ou enterradas, seja sem a bola para receber um passe:
Também por conta da capacidade atlética acima da média, o ala húngaro é usado em cortes sem a bola. Além do físico, é bastante inteligente lendo movimentações e enxergando espaços na defesa adversária para conseguir bandejas ou enterradas livres:
Por ser um jogador explosivo e de grande alcance vertical, possui jogadas desenhadas para que receba passes por cima do aro para finalizar com enterradas ou bandejas. Ajuda o fato de que Hanga não é apenas bom fisicamente, como também possui ótimas mãos para completar bandejas no ar caso o passe não seja executado com a precisão ideal:
Defesa
Após ser o favorito para ganhar o prêmio de melhor defensor da Euroliga na temporada 2015/2016 e acabar não recebendo, Hanga garantiu o prêmio na atual temporada, mesmo sem ser o favorito desta vez. Sua defesa de perímetro é destaque na Europa e muito tem a ver com seu físico, claro, mas também com disciplina.
Possui instintos de antecipação aguçados para atacar linhas de passe ou fazer eventuais coberturas nas jogadas de garrafão antes que recebam uma assistência ao redor do aro. Feita a roubada, Hanga já acelera em transição e conquista pontos fáceis daí:
Sem a bola, o jogador usa de seus pés rápidos e de sua ótima movimentação por entre bloqueios para contestar chutadores puros, que possuem bastante dificuldade em saírem livres de suas movimentações. Por vezes, pode faltar uma envergadura mais chamativa para contestar adversários que conseguem arremessar em movimento com maior facilidade, embora normalmente o stash do Spurs compense com seu atleticismo:
Além do mais, seus pés rápidos e força corporal fazem com que seja difícil atacá-lo em infiltrações. O mais comum é que Hanga force um contestado chute de meia distância ou dê um toco lá no alto. Além disso, é um defensor de cobertura fantástico, com ótimo raciocínio e QI para rotacionar, caso outros jogadores façam dobras, e contestar pivôs.
Em termos de versatilidade defensiva, sua capacidade atlética e tamanho permitem que marque qualquer posição do perímetro, de armadores a alas. Para jogadores de garrafão, pode ficar encarregado de stretch-fours puros por ser ágil o suficiente para defender o pick and pop, dobrar e recuperar, mas não tem tamanho e envergadura para contestar alguns mais altos (como Kristaps Porzingis e Channing Frye), e o mesmo vale para jogadores com ataque orientado para o poste baixo. Até faz bom trabalho usando de força e fundamentos para tentar ceder o mínimo de espaço, mas precisaria ser mais longo para contestar alas-pivôs e pivôs de costas para a cesta. No geral, seu arsenal deve ser traduzido em trocas no perímetro.
No mais, joga com energia, se esforça em bolas perdidas e não foge de rebotes no tráfego.
Ataque em meia quadra
Fora das ações em transição e em cortes, Hanga é um atleta bastante limitado em meia quadra, ainda que tenha expandido seu jogo recentemente. Nesta temporada, vem sendo usado cada vez mais como criador secundário e atingiu seu melhor número da carreira em assistências. Graças a seu atleticismo, consegue ganhar vantagem em bloqueios e situações de pick and roll. Também dá bastante passes decisivos em contra-ataque e não é alguém que prende a bola, sabendo executar o passe extra assim como Greg Popovich gosta. Na NBA, é provável que não domine muito a bola por conta do controle de bola rudimentar, que não tem jogo de meia distância ou dribles avançados de mudanças de direção. Assim, acaba cometendo erros de execução e não tem uma taxa de assistências por desperdício chamativa.
Em todos os jogos de Hanga que vi para fazer análise, apenas um lance seu em jogadas de pick and roll terminou em cesta que não fosse bandeja ou enterrada – este floater:
No geral, quando recebe a bola em mãos para atacar, geralmente é após um handoff ou pick and roll secundário, em que se aproveita de bloqueio antecipado para usar de seu atleticismo como vantagem para atacar a cesta, utilizando sua ótima capacidade de finalizar ao redor do aro para fazer pontos fáceis, embora pouco use a mão esquerda. Em caso de jogadas isoladas, Hanga só é acionado caso for atacar pivôs que caíram nas trocas de marcação, já que é muito mais veloz que a maioria dos que encontra na Europa.
Seu ponto fraco está no arremesso. Hanga atingiu sua melhor marca em bolas tentadas nesta temporada (cinco por jogo), mas seu aproveitamento é nada mais que medíocre. O ponto de lançamento é baixo e a mecânica é relativamente lenta. Também possui uma tendência de jogar seu corpo para trás em certas tentativas e não mostrou muito alcance para a linha da NBA. Existe uma evolução constante, mas não é um chutador dinâmico, capaz de pontuar após o drible com consistência ou arremessar em movimento. Por vezes até hesita. Pode converter, ao menos, bolas livres da zona morta, sempre comuns para alas do Spurs.
Encaixe
Ala-armador/ala atlético, enérgico, bom defensor, bom infiltrador e com flashes de criador secundário. Podemos falar de Hanga, mas é basicamente o que temos sobre Jonathon Simmons. Aos 28 anos, é difícil dizer que o baskonista vá evoluir muito. Suas habilidades são mais condizentes com a de role player enérgico, para fazer um banco atlético ao lado de Simmons, Davis Bertans e quem mais seguir no Spurs, caso não apostem logo em Dejounte Murray para vaga de armador reserva se não renovarem com Patty Mills.
Contratualmente, sua situação é perfeita: agente livre nesta temporada e com declarado interesse em assinar nesta offseason com Spurs, algo que parece ser mútuo. Caso a franquia texana consiga desenvolver seu arremesso, algo que ajudaria bem na NBA do espaçamento de quadra, é bem capaz de conseguir um papel até maior com o tempo na rotação de Popovich. Se não, é plenamente visto como uma peça útil de toda forma.
* Gabriel Andrade é um blogueiro de basquete que tenta a vida como scout. Me siga no Twitter para análises sobre Basquete Europeu, NBA e Prospectos de draft e acompanhe meu blog no Medium, onde falo bastante de prospectos internacionais, Euroliga, NBA e de vez em quando Mock Drafts com Pokemons e poemas com o pivô Nikola Jokic.
